
Capítulo 510
Re: Blood and Iron
Antes de Bruno perceber, o dia havia chegado. Durante o casamento de Erwin, Bruno havia mantido uma distância respeitável, permitindo que seu filho se tornasse um homem completo. Mas naquela noite, naquela noite, uma das suas meninas pequenas estaria sendo entregue a um marido.
Era uma coisa totalmente diferente. E por isso, Bruno inspecionou o camarim da Elsa após tocar a campainha para garantir que ela estivesse apresentável. A porta se abriu e revelou Heidi, Eva e as damas de honra reunidas ao redor de Elsa.
Ela vestia a mais recente moda de design aristocrático alemão. Elegante, conservadora, linda.
Seu vestido era mais branco do que a neve, sem manchas, intocado. O cabelo platinado da garota estava preso em um coque elegante e trançado. Seu véu caía atrás do rosto, enquanto ela segurava um buquê de rosas brancas.
Elsa estava nervosa. As bochechas vermelhas traíam sua ansiedade. A fachada da princesa de gelo, familiar a Bruno, tinha desaparecido, e isso só mostrava o quanto ela estava se esforçando para se manter firme.
Enquanto isso, Heidi se aproximou do seu homem e perguntou a ele aquilo que, se fosse qualquer outra mulher, o colocaria em confusão se ele respondesse com sinceridade.
"Ela é linda, não é? Nossa filha é a personificação viva de uma deusa do gelo…"
Bruno puxou sua esposa para perto e a beijou nos lábios. Ele não sabia exatamente como reagir a essa declaração.
Por um lado, ele poderia dizer que sua esposa era a moça mais bonita de todas, mas no dia do casamento da filha, quando ela estava tão esplendidamente vestida? Não, isso machucaria o orgulho da garota.
E Bruno nunca poderia fazer isso, então, após segurar sua esposa nos braços e apertá-la forte, seu olhar desviou-se para a figura de Elsa e logo veio uma hipótese de compromisso.
"Ela é tão radiante quanto sua mãe na noite de seu próprio casamento…"
Essa foi uma frase considerada aceitável por ambas, fazendo Elsa se lançar adiante e se juntar ao abraço dos pais.
"Ai, papai! Eu te amo tanto… Obrigada por estarem sempre comigo enquanto crescia."
Elsa e Heidi faziam o possível para segurar as lágrimas, para não estragar a maquiagem. Enquanto Bruno, por sua vez, não resistiu a acariciar a cabeça da filha mais uma vez, antes de enviá-la para o seu casamento.
"Não precisa agradecer, minha pequena. Foi uma honra e um dever de pai criar você do jeito certo. Acho que já estamos deixando seus convidados esperando tempo demais, não acha?"
Bruno colocou o braço ao redor da filha e a levou até o local onde o noivo aguardava sua futura esposa.
A música começou a tocar enquanto o sol iluminava a Catedral de Santo Isaac e seu interior sublime. O noivo estava na frente do altar, esperando sua noiva descer o corredor.
E ela apareceu, vestida como uma verdadeira consorte imperial do próximo czar da Rússia. Ao seu lado, seu pai, de braço dado, a conduzindo ao altar, como deveria.
Bruno estava vestido de forma tão extravagante quanto a filha, mas não com o uniforme de marechal alemão que usava em ocasiões formais como aquela.
Ao invés disso, ele havia desempacotado sua antiga vestimenta cerimonial russa, junto com as medalhas concedidas por seu papel na vitória na Guerra Civil Russa pelo Romanov.
Os convidados variavam entre familiares de ambos os lados, além de representantes das casas de Hohenzollern, Habsburgo e várias outras de todo o Reich Alemão, Império Russo e Europa como um todo.
No final do percurso, Bruno entregou a filha ao czarevich Alexei Nikolaevich, que, graças às ações de Bruno, naquela vida conseguiu crescer e se tornar um jovem adequado. Livre da doença que o debilitou na infância.
O investimento de Bruno na área médica, aliado à criação de uma parceria de pesquisa russa-alemã, permitiram que a condição de Alexei fosse tratada de forma a diminuir seus efeitos no dia a dia.
O jovem, que na sua vida passada foi morto cedo demais por causa da maldade de Karl Marx e dos loucos assassinos que suas ideias geraram, se apresentou em toda sua pompa cerimonial, um verdadeiro príncipe, alguém que um dia assumiria o trono por direito próprio.
E havia surpresa no seu rosto, enquanto sua esposa segurava sua mão na cerimônia do altar, sorrindo — de um jeito que raramente fazia em público — tímida, humilde, envergonhada. E ele o mesmo.
Nada deles sabia do que acontecia além daqueles olhares, até que a cerimônia ortodoxa tradicional fosse concluída e fossem declarados marido e esposa.
O beijo deles foi fotografado e publicado nos jornais. Uma imagem que, um dia, daria origem a muitas pinturas que se tornariam lendárias por si só.
E assim que o noivo beijou sua noiva, Heidi, que estava na frente, sentada no banco central, finalmente não conseguiu segurar as lágrimas e começou a chorar de alegria nos braços de Bruno.
Bruno observava a cena com uma mistura complicada de emoções. Essa visão… De seus filhos se casando e vivendo vidas felizes, livres do inferno que ele um dia vivenciou. Então, qual pai não desejaria isso para seu filho?
Repetidamente, Bruno tinha a certeza de que família era sua razão para seguir em frente. Para mergulhar as mãos na sujeira e se sujar, só para que eles não precisassem.
Era sua justificativa para lutar, suportar e continuar, mesmo quando parecia que o peso do mundo estava sobre seus ombros. E, muitas vezes, essa sensação não era só uma impressão — era a realidade de suas circunstâncias.
E, no entanto, naquele momento, cego pela luz do céu, Bruno lembrou-se: esta vida não foi por acaso. Sua presença aqui não foi sorte.
Foi providência. Ordenada pelo Pai do céu.
Depois de tudo… Como poderia ele ter renascido exatamente no lugar necessário para salvar o mundo do seu destino?