Re: Blood and Iron

Capítulo 511

Re: Blood and Iron

East Harlem, Nova York. Uma favela, um gueto ou uma parte charmosa e pitoresca da cidade que só precisa de uma pequena reforma? Isso dependia de quem perguntasse. Mas uma coisa era certa: na América dos anos 1920, era exatamente igual ao que era na vida passada de Bruno.

Cheio de gentalhos e marginais. Homens que preferiam roubar os outros com força bruta e intimidação do que conquistar um salário honesto. E esses dias não eram diferentes.

Claro, ainda havia mais homens e mulheres honestos do que criminosos — mas não o bastante para manter as ruas limpas.

E não é como se esse tipo de comportamento fosse exclusividade dos italianos. Pelo contrário: os irlandeses, judeus e todos os outros grupos de imigrantes recentes também tinham suas quadrilhas criminosas. Mas os italianos? Bem, eles foram os primeiros a transformar isso em algo no nível de um verdadeiro império.

E, em 1922, esse era o caminho que tudo indicava estar seguindo. O contrabando de bebidas era um negócio bilionário. O álcool era o oxigênio da civilização. Já era fabricado antes mesmo de as ruas serem devidamente calçadas. E era a forma de muitos homens lidarem com o estresse da vida.

Proibir, acabar com tudo de uma vez? Bem… Isso era difícil de engolir, especialmente numa sociedade que, de um dia para o outro, tinha decidido fazer isso, deixando muitos despreparados para as mudanças súbitas.

Em Chicago, uma guerra já estava acontecendo entre a Gang da South Side Italiana e a Gang da North Side Irlandesa. Mas Nova York? Nova York era notoriamente sanguinolenta, e eles ainda nem tinham chegado ao auge do conflito.

De qualquer forma, o presidente Hughes, que já estava na metade do seu segundo mandato, encontrava-se numa encruzilhada. Ele prometera segurança, prosperidade e independência para os americanos. Mas as manchetes faziam a violência parecer muito pior do que realmente era.

Provavelmente, se você não fizesse parte desse estilo de vida, não ia acabar sendo atingido por tiros, facadas ou sumiço.

Porém, o público, que não estava acostumado a ver qualquer crime tão divulgados e sanguinolento — especialmente agora, com uma nova geração de armas entrando nas ruas americanas —, tinha uma tendência a reagir exageradamente às notícias sensacionalistas.

Depois de tudo, eles já tinham sido enganados pelos jornais, que diziam que o álcool era o motivo de muitos problemas na sociedade americana, como violência doméstica, abandono de crianças, entre outros.

Mas, na realidade, tudo isso correspondia a uma pequena fração da população. Se alguém em 2025 falasse dessas estatísticas, quase chamariam de utopia comparado ao que viria a ser o normal no século seguinte.

Mesmo assim, as manchetes procuravam culpar o álcool, e moralistas aceleravam para votar leis que o proibissem… E, ao fazerem isso, criaram mais um problema, do qual passaram a desesperar-se.

Hughes precisava de uma solução, mas tinha poucas opções. A polícia estava recebendo subornos, assim como juízes e promotores. Ninguém parecia confiável para levar essas gangs sem lei à justiça.

E, num momento de desespero, ele finalmente quebrou. Tentou várias vezes ligar para Bruno, mas nunca conseguiu falar com ele. Da primeira vez que isso aconteceu, saiu furioso e tentou achar uma solução por conta própria, mas foi um fracasso completo.

Depois veio a segunda tentativa, e agora, na terceira, o presidente Hughes estava ofegante enquanto o tom de discagem ficava incessante. Mas desta vez, ouviu um clique e uma voz familiar.

"Senhor Hughes... Bem, essa foi uma ligação que eu não esperava. Como posso ajudar?"

Não há palavras capazes de descrever a fúria que o presidente dos Estados Unidos teve que conter naquele momento. Bruno finalmente atendeu após meses tentando contato e ainda teve a audácia de agir como se fosse a primeira vez que tinha alguma noção de sua ligação?

Porém, Hughes já tinha lidado tempo suficiente com Bruno para entender que partir para o ataque e tentar enganar o homem não era uma maneira de conseguir o que queria. Então, ele se acalmou.

"Eu… receio que preciso da sua ajuda. Não sei a quem mais recorrer neste momento. Mas temo que, se não fizermos algo logo, meu partido perderá a próxima eleição…"

Houve silêncio por um tempo, até que, finalmente, a voz calma e sábia de Bruno ecoou na linha, como se fosse um profeta que já vislumbrara o futuro com antecedência.

"Sim, acho que estamos mais ou menos na época… Os gangs com os quais você está tendo dificuldades, não se preocupe, eu cuido disso…."

Depois, só um clique. Bruno desligou na cara do presidente dos Estados Unidos, como se sua ligação fosse um incômodo que ele aguardava a oportunidade certa para dispensar.

Porém, isso não deixou Hughes mais nervoso. Porque Bruno já tinha uma ideia clara do que estava lidando, e disse apenas uma frase: que cuidaria do assunto…

E, ao lembrar como Bruno tinha o costume de "resolver" problemas, Hughes se inclinou na cadeira, exausto, sentindo o ar escapar dos pulmões naquele instante, questionando se não tinha acabado de abrir a caixa de Pandora.

"O que foi que eu acabei de liberar?"

Enquanto isso, Bruno estava em seu escritório em Tirol, olhando para uma foto dele e da família, tirada anos atrás na Transilvânia. Ele sorriu e colocou a foto de lado. Discou um outro número, que não ligava há bastante tempo.

"Sim… Gostaria de falar com Kommandant Röhm… Sim… Tenho uma missão para ele e sua equipe… Algo que precisa ser tratado com cuidado e discrição. Ele saberá quem eu sou pela natureza da tarefa. Sim, isso mesmo. Então, aguardarei o contato dele…"

Depois de desligar o telefone, Bruno se acomodou na poltrona, com as mãos cruzadas, pensativo. Ficou assim por mais de uma hora, imóvel, até finalmente se levantar e sair do escritório em silêncio. Só ele sabia em que estava pensando, e qual era o seu plano.

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