Re: Blood and Iron

Capítulo 532

Re: Blood and Iron

A guerra nas Filipinas tinha pego Bruno de surpresa. Ele tinha ouvido sussurros de movimentos se formando no Oriente, mas seu foco estava em outro lugar.

Se fosse a tomada hostil da indústria e infraestrutura americanas, a guerra na Nova Guiné contra os japoneses ou simplesmente o casamento de Heinrich; a agenda de Bruno estava lotada.

Ele passou meses em Berlim, longe da família, vivendo no escritório do Estado-Maior do Exército Alemão, dormindo na sua mesa ou em uma cama sobrando no quartel.

Tomando banho e realizando outras higiene básicas ao lado de soldados raso-munes. Era um mundo totalmente diferente do conforto que desfrutava como Marechal Supremo do Reino, enquanto morava na região dos Alpes.

O título era não oficial, algo que ele mesmo tinha criado para refletir sua posição; não apenas como Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Alemãs, mas como o homem que todas as divisões, e seus líderes, viam como superior.

Apesar disso, ele se sentia como um jovem na Academia novamente. E para alguém de cinquenta anos, a nostalgia já tinha passado há muito tempo.

Seus filhos estavam crescendo. Os mais velhos já estavam na faixa dos trinta, enquanto o mais novo, nascido em 1915, ainda tinha alguns anos antes de se tornar adulto.

Alguns de seus netos agora estavam na adolescência. Tudo o que Bruno queria era estar perto da família e comandar a partir de seu escritório privado no Palácio Grandioso que construíra.

Mas, em tempos de guerra, a proximidade com o Kaiser era inegociável. E assim, ele permaneceu em Berlim.

Enquanto Bruno cochilava na sua mesa, foi despertado por uma voz.

"Ele adormeceu. O homem claramente está exausto! Não consegue pedir à sua irmã para falar com o marido e convencer o Kaiser a aliviar a carga dele? Pai já não é mais tão jovem assim!"

Reconhecendo a voz da nora, Bruno resmungou e levantou a mão.

"Deixa que te aviso: estou bem acordado. Sua voz aguda cuidou disso, Alya, minha querida."

Alya encarou seu sogro, que agora tinha se levantado como um vampiro saindo do caixão. As olheiras sob os olhos dele silenciaram sua irritação e a substituíram por preocupação.

"Está pior do que eu imaginava! Pai, quer que eu busque água? Ou quem sabe um café?"

Bruno esfregou os olhos, depois o alto do nariz e, por fim, as têmporas.

"Cerveja."

Alya hesitou, desaprovando, mas Erwin lançou um olhar que a incentivou a obedecer. Ela saiu em busca do jarro mais próximo. Enquanto isso, Erwin sentou-se na frente do pai, com uma expressão misturando preocupação e provocação.

"Você realmente está uma bagunça. Ela não está exagerando. Quanto tempo você tem dormido, pai?"

Bruno estreitou os olhos.

"E desde quando você fala assim com seu pai, rapaz? Vai gastar palavrões na frente da sua mãe na próxima?"

Erwin ficou tenso.

"Desculpe, senhor... eu—"

Bruno deu de ombros, bufando enquanto alcançava sua garrafa térmica.

"Estou brincando. Ninguém está aqui pra testemunhar essa conversa. Pode falar o que quiser. Agora que você é homem, não? Uma pitadinha de brincadeira não faz mal."

Ele abriu a térmica, mas ela estava vazia. Sua decepção foi quase infantil. Erwin riu e entregou a dele.

"Toma a minha. Mas se a esposa perguntar, é sua. Ela não precisa saber que às vezes eu tomo uma dose pra desestressar."

Bruno lançou um olhar longo para o filho, depois tomou um gole. Guardando a térmica de Erwin e devolvendo a própria à mesa.

"Filho de pai, filho de mãe. Só não comece a fumar; é um hábito nojento. Demorei anos pra largar. Então, basta de besteira. O que vocês dois estão fazendo aqui nessa hora?"

Alya voltou com um cantil gigante, que Bruno aceitou com surpresa e agradecimento.

"Viu, Alya? É por isso que você é minha nora favorita. Não me leve a mal, a Sophie é uma mocinha maravilhosa, mas não me demonstra tanto quanto você."

Alya fez careta.

"Sim, eu te amo tanto que, quando chegar em casa, vou ligar pra sua mulher pra contar o quanto você está acabado; e que seu vício voltou. Ela vai adorar ouvir isso."

Erwin olhou para a esposa como se ela tivesse acionado um final ruim. Mas Bruno estava longe de ficar ansioso. Na verdade, ele estava tão relaxado que se recostou na cadeira e sorriu de lado.

"Será que seria melhor se você fizesse isso? Wilhelm pode ser o Kaiser, mas até ele teme a fúria daquela mulher. Nada a irrita mais do que quando trato ela mal. Vai lá, Alya. Faz meu dia. Preciso de umas férias."

Alya fez bico, derrotada pela sagacidade superior de Bruno. Erwin finalmente quebrou o momento.

"Pai... Alya e eu estávamos pensando: será que nossa família poderia morar no palácio na Tirol com você?"

Bruno ficou em silêncio por um tempo, bebendo sua cerveja e olhando para eles de uma maneira que os deixou desconfortáveis.

"Demoraram pra perguntar. Pensei que ia morrer de velho antes que vocês crescessem de verdade."

Alya ficou chocada; não apenas pela expressão vulgar, mas pela implicação de aprovação. Erwin piscou.

"Espera... é um sim?"

Bruno parecia exausto.

"Por que diabos vocês acham que eu construí um monumento tão ostentoso de riqueza e luxo? Sabe que odeio esse tipo de gasto inútil. Foi pelo futuro da nossa família; de todas as gerações."

"Você acha que construí tantas salas, alas e complexos de bunkers pra fazer festas? Foi pra que você, seus irmãos, seus filhos, os filhos deles—todo mundo—sempre tivesse um lar. Pra falar a verdade, estou quase perguntando: com tantos filhos que vocês têm, aquela velha mansão deve estar estourando pelas costuras."

Silêncio... depois risada, quando Alya e Erwin perceberam o quão tolos tinham sido de se preocupar.

Bruno, apesar da guerra, do peso do império nos ombros, ainda era pai. Ainda era patriarca. E, por mais astuto, ambicioso e implacável que fosse; ele queria uma coisa acima de tudo:

Estar rodeado de família.

E ver que o futuro pelo qual lutava tinha um lar para chamar de seu.

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