Re: Blood and Iron

Capítulo 472

Re: Blood and Iron

Alya tinha razão. O que exatamente um homem como Bruno fazia com o tempo livre? Quais eram seus hobbies? Desde que se lembrava nesta nova vida, ele passava cada hora acordado ou com a família ou tentando construir o mundo que imaginava.

Porra, vinte anos talvez fosse uma subestimação de quanto tempo tinha realmente passado desde que ele teve um dia de verdade só pra si — um em que nada exigisse sua atenção imediata. E essa talvez fosse a parte mais condenável da era pacífica que ele tinha criado.

Depois de pensar nisso até a sua conclusão lógica, seu primeiro instinto foi ligar para Heinrich, talvez tomar uma bebida, assistir a uma luta pessoalmente, ou fazer... seja lá o que as pessoas fazem hoje em dia pra perder algumas horas de forma inútil.

Mas Heinrich recusou. Disse que tinha que colocar o 8º Exército — agora sob seu comando direto — a par da nova doutrina e do equipamento que estavam sendo introduzidos tanto no Exército Alemão quanto no Russo.

Bruno respeitou isso. Mas ficou olhando para o vazio da sua lista de contatos, se perguntando: será que ele realmente tinha mais alguém pra ligar?

Erich já tinha morrido. Portanto, riscado da lista. Os únicos outros homens que ele poderia considerar amigos eram Wilhelm e Nicholas. Mas esses eram imperadores de verdade. Figuras históricas. Como seria possível ligar pra eles e dizer,

"Ei, quer tomar uma drinque e assistir a um filme?"

Não. Na cabeça de Bruno, isso era inconcebível. Pensava: Talvez eu leia um livro... Só que ele já tinha lido todos os que valiam a pena, neste mundo e no anterior. Qualquer outra coisa parecia uma perda de tempo precioso.

Mais cedo, na manhã, ele já tinha concluído sua rotina diária de exercícios, como sempre fazia. Então, ir à academia também não era uma opção.

Por fim, depois de rodar a pergunta inocente de Alya na cabeça várias vezes, Bruno desistiu. Voltou para seu escritório, sentou na mesa e encarou as fitas gravadas da última conversa dele com o Presidente dos Estados Unidos, que estavam intactas.

E então, no silêncio, refletiu em voz alta:

"Começo a entender por que me senti tão deslocado na minha vida anterior… Não havia lugar naquela vida pra um homem como eu, fora talvez algum escritório corporativo terrível, olhando planilhas sem sentido."

"Meu lazer é construir impérios e moldar a vontade dos outros ao meu interesse. Qualquer outra coisa parece... desperdício. Vai se foder... Vou fazer uma proposta hostil ao Presidente dos Estados Unidos."

Bruno não percebia, mas Heidi tinha visto ele dar voltas até chegar de volta ao escritório, simplesmente suspirado, balançado a cabeça e tomado um gole de seu copo de vinho. Sua decepção evidente com a provocação de Alya e o resultado final ficava à mostra para as filhas verem. Mas ninguém se atrevia a jogar gasolina na fogueira que já queimava na cabeça dela.

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O sol começava a se pôr sobre Washington D.C. E, por consequência, já era hora do jantar. Seis horas atrás de Bruno, o presidente dos Estados Unidos estava no meio de um banquete para comemorar as recentes conquistas no México.

As ameaças na fronteira estavam praticamente nulas, agora que os Crânios Pretos tinham tomado o controle das províncias ao norte — restaurando a ordem através da força das armas e do laço de uma corda.

E os alemães astutos? Desapareceram. Sumiram. Nenhum vestígio de envolvimento. Nem sinal do pacto que seu governo assinara secretamente com eles.

O presidente estava à cabeça da mesa, com a taça de vinho na mão, pronto para fazer um brinde à família e aos conselheiros — as primeiras palavras que saíram de sua boca foram uma proclamação de vitória para a Doutrina Monroe.

"Gostaria de agradecer a todos por estarem aqui esta noite, e espero que estejam desfrutando de uma excelente refeição. Mas, se me permitem, gostaria de tirar um momento do seu tempo para discutir algo importante com todos vocês."

"Na verdade, se me atrevem a ser ousado, posso afirmar que o que foi conquistado hoje foi uma jogada magistral de diplomacia e poder oculto. Posicionando os Estados Unidos pela primeira vez em sua curta história para se tornar uma verdadeira rival das Potências Europeias do outro lado do Atlântico!"

"Acabei de conseguir..."

No meio do discurso de vitória, um criado entrou na sala e se aproximou, sussurrando algo no ouvido do presidente, algo que somente ele podia compreender. Irritado com a interrupção no seu momento de triunfo, o presidente resmungou em resposta.

"Diga pra ele ir chupar o próprio pau! Tô no meio de uma coisa importante agora — não tenho tempo pra essa besteira. Você não consegue perceber que estou ocupado com algo importante agora?"

O ajudante sussurrou novamente e, ao fazer isso, a cor saiu do rosto do presidente. A taça de vinho, que ele tinha levantado em triunfo, foi colocada com cuidado na mesa. Ele ajustou a gravata, se recompôs e virou-se para a sala com um sorriso tenso.

A tonalidade da sua voz mudou imediatamente, de fúria para timidez, uma mudança que não passou despercebida por aqueles que estavam ali. Na verdade, eles trocaram olhares silenciosos, com uma curiosidade apreensiva, enquanto ele tentava ao máximo tranquilizá-los, fingindo que tudo estava bem na terra das estrelas e listras.

"Desculpem a grosseria. Parece que tenho alguém no telefone na sala oval, que não sabe aceitar um 'não' como resposta. Já volto. Por favor — não esperem por mim. Aproveitem, vocês merecem."

Nisso, o homem saiu apressado da sua própria celebração, num gesto talvez excessivamente rápido, iniciando conversas discretas e instintivas nos bastidores. No final, a festa não duraria muito. Porque o que veio a seguir não foi uma conversa.

Foi um julgamento. E, enquanto a voz de Bruno vazava pela linha segura — fria, calma e seguramente controlada — o presidente eventualmente entenderia:

Que não tinham enganado os alemães. Na verdade, tinham estado dançando na coleira o tempo todo. E isso… era uma verdade amarga demais pra engolir durante um banquete de vitória.

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