
Capítulo 471
Re: Blood and Iron
Bruno teria dificuldades em afirmar que já viu um buquê mais bonito na sua sala naquela primavera de 1919 — e ele não estava falando das rosas na jarra. Sua esposa Heidi, embora envelhecendo por volta de seus trinta e poucos anos, ainda mantinha a aparência jovial de uma mulher uma década mais jovem.
Era parte genética, parte uma vida livre de vícios, de paz, e o restante devia a uma mente livre de arrependimentos. Ao seu redor estavam suas duas filhas e sua nora. Todas, de certa forma, princesas, por nascimento ou casamento. E cada uma delas vestia-se tão formal e elegantemente quanto a rainha entre elas.
Então, por que todos esses rostos delicados e bonitos estavam reunidos na casa de Bruno? Bem… Heidi decidiu fazer algo especial agora que sua família se tornara oficialmente governante de um principado: ela podia criar uma Nova Ordem de Damas para o condado do Tirol, com o objetivo de formar mulheres nobres de bom caráter moral e contribuições excepcionais para o Estado.
Bruno tinha feito o mesmo com uma Ordem Cavaleiresca e alguma Ordem de Mérito aqui ou ali, mas nunca se concedeu uma posição nessas instituições — nem mesmo como Grão-Mestre, embora fosse seu soberano e tivesse o direito de usar suas condecorações, ele se recusava veementemente, pois sentia que não havia conquistado esse direito.
Heidi era igual. Os primeiros medalhões e fitas eram presos aos vestidos de suas filhas e netas, que, de fato, contribuíram significativamente para a Alemanha como um todo, especialmente para o Tirol, durante e após a Grande Guerra, trabalhando nas instituições de caridade de Heidi.
Não era apenas um clube social de brunch, chá e conversas nobres — o encontro de hoje era sobre trabalho de verdade. Organizar ajuda. Planejar ações sociais. Dar poder aos que não têm poder em Tirol. E, enquanto estavam no meio dessa tarefa, Bruno desceu as escadas, vindo de seu treino diário e banho, vestindo roupas simples que pareciam completamente deslocadas entre a realeza.
— Com licença, vossas altezas reais... Este humilde plebeu ousa não perturbar um conselho tão sagrado. —
Heidi encarou o marido como se ele fosse deliberadamente um tolo, mas de uma forma que insinuava aprovação. Era, honestamente, bom ver o homem ter senso de humor depois de tanto tempo.
Ele voltara do front, cansado e ferido, mas parecia que a dor começava a diminuir, ou ao menos se tornava suportável. O fato de ele conseguir zombar de si mesmo de uma forma tão absurda quase fez Heidi rir, mesmo tentando se segurar.
E, assim que riu, Eva e as demais logo se juntaram à diversão, com Elsa sendo a única a lançar um olhar de reprovação. Não porque estivesse zangada com o pai por vestir roupas casuais em casa — mas porque ele parecia nem ter se esforçado para pentear o cabelo direito.
Um dia de folga não dava a ele o direito de ser preguiçoso! Não o pai dela, não. Ele tinha que parecer um príncipe de verdade, mesmo que estivesse fingindo ser um camponês por um dia, e, por isso, a mais nova do grupo fez bico e virou o rosto.
Heidi percebeu imediatamente que a mais nova das suas duas filhas presentes agia assim e logo descobriu a causa, puxando a menina para perto enquanto bagunçava o cabelo platinado dela.
— Ah, por favor… Seu pai conquistou um dia de descanso. Você sabe quanto tempo faz desde a última vez que ele ficou relaxado assim em casa? Antes de vocês nascerem! Não faça carinha triste só porque ele está com a aparência meio desleixada. Em breve estará impecável, lá no começo da semana, não é, querido?
O olhar de Heidi para Bruno dizia que tudo bem ele ficar sem barba por um ou dois dias, mas três já era demais… E Bruno apenas sorriu, balançou a cabeça e garantiu à filha que estaria limpo e arrumado no começo da semana.
— Você ouviu sua mãe. Me deixa descansar um pouco, como um vagabundo embriagado, só desta vez. Já faz quase duas décadas que não faço isso…
Não era exagero. Bruno trabalhou duro quase todos os dias de sua vida, e raramente tinha um dia de folga de verdade, mesmo quando era mais jovem. Seus dias livres, após casar com Heidi, eram dedicados a ela ou às crianças, sendo um marido e pai à altura.
Alya olhava para o sogro com uma expressão quase de pena, ao perceber que por trás do sorriso amoroso de um pai havia um homem trabalhando até se esgotar para sustentar a família — de uma forma que seu próprio marido, Erwin, começava a fazer também…
Quando percebeu isso, Alya decidiu dar um basta: tinha que garantir que o marido tirasse finais de semana só para ele. Porque ela começava a achar que a razão de Bruno ser uma figura tão aterrorizante — visto que sua crueldade na Rússia contra os bolcheviques, que ela testemunhara na infância, assombrava seus sonhos por anos — era exatamente esse fato: ele entregava tudo de si aos outros.
O pouco tempo que sobrava de Bruno, após suas obrigações com o Exército, o Reich e o Kaisar, ele dedicava totalmente à família. E, por isso, ela se interessou por uma pequena dúvida, fazendo uma pergunta que deixou Bruno e Heidi boquiabertos:
— Pai… O que você faz nas horas vagas?
O ambiente ficou em silêncio. Até Heidi parou de mexer no chá. Bruno piscou, piscou de novo. Ninguém nunca lhe perguntara aquilo antes. E, francamente, ele não tinha resposta. Só conseguiu reagir livremente, dizendo o que pensava:
— Bem… Acho que vou descobrir isso hoje. Aproveitem o chá e os biscoitos, meninas. Eu vou ver o que anda passando por diversão hoje em dia…
Heidi lançou um olhar não muito approving, porque ela conhecia Bruno bem, e sabia que, assim que ele pensasse em se divertir, voltaria a trabalhar — afinal, o que mais ele poderia fazer?