
Capítulo 456
Re: Blood and Iron
Antes que Elsa pudesse realmente perguntar ao pai se suas palavras eram verdade, o próprio czar encontrou Bruno e o restante do grupo ainda reunidos no corredor, discutindo a pintura.
E, ao ver que o retrato finalmente tinha sido testemunhado pessoalmente, Nicolau — sempre a figura jovial e descontraída — não conseguiu evitar perguntar se o homem tinha ficado satisfeito com o resultado final.
"Ora aí está, meu velho amigo. Ouvi dizer que seu carro chegou, pelos meus funcionários, mas ainda não tinha te visto, então vim correndo verificar. Agora entendo por que demorou tanto — você se olhou no espelho a caminho até aqui, não foi? Pois bem! O que achou? Gostou?"
Bruno voltou sua atenção mais uma vez para a pintura, absorvendo completamente sua imagem. Não pensando no que ela significava para ele — mas no que significava para todos os outros que contemplassem sua glória. Especialmente as futuras gerações da Casa de Romanov.
Após uma longa e séria contemplação, Bruno finalmente sorriu de lado e assentiu em aprovação. Ele disse as palavras que sabia ser o que o czar mais queria ouvir.
"É magnífica. Captura perfeitamente meus traços majestosos e agradáveis. Não acha, Elsa?"
Elsa olhou para o pai como se ele tivesse passado de ser extremamente humilde a um homem extremamente egocêntrico em questão de poucos segundos. Ela não o reconhecia mais. A expressão de descrença e nojo no rosto dela não passou despercebida — especialmente quando ela soltou a frase que ecoaria pelos salões do Palácio de Inverno por anos, numa mistura de riso e escárnio.
"Quem diabos é você, velhaco, e o que fez com o meu amado pai?"
Bruno tentou manter a compostura ao máximo, mas a lâmina de suas palavras o atingiu — e, ao invés disso, ele explodiu numa risada alta. Sua gargalhada, por sua vez, quebrou suas defesas, derretendo anos de ansiedade social e a fachada gelada que ela mantivera por tanto tempo.
Elsa riu baixinho, com as mãos na boca, tão absorvida pelo momento que se esqueceu de que estava num ambiente semi-público. Todas as suas preocupações habituais evaporaram. Até mesmo o próprio czar ficou momentaneamente silenciado ao vê-la.
No entanto, Bruno sabia que o caminho entre as gerações mais velhas e mais novas precisava se separar ali mesmo. Sua visita não era por lazer — e certamente não era férias. Ele tinha vindo à Rússia para discutir o futuro do mundo com o czar.
Elsa, por outro lado, estava ali para se aproximar mais do futuro marido. E, por isso, Bruno se virou para Olga e deu sua orientação.
"Olga, espero que já tenha desenvolvido aquela qualidade rara que é a sabedoria — e que irá acompanhar minha filha e seu irmão mais novo com o máximo de profissionalismo e cortesia enquanto levo seu pai para tratar de assuntos que você, criança, acharia demasiado sem graça para se envolver, está certo?"
Olga imediatamente percebeu o olhar tanto do pai quanto de Bruno sobre ela. Era a mais velha — uma adulta por direito. Se algo desse errado nesse encontro, ela seria a única a ser responsabilizada.
E por causa disso, ela colocou uma condição que quase deu um infarto em Bruno.
"Claro, Vossa Alteza. Se acontecer alguma coisa com a sua filha que o senhor achar indesejável, serei obrigadada a pagar por isso com a única coisa de valor que tenho para oferecer."
Elsa e Alexei não entenderam nem metade do que ela quis dizer — mas Bruno entendeu perfeitamente. E, enquanto tentava manter a compostura, quase foi atingido por um impacto forte ali mesmo, quase desmaiando.
Só depois que Olga deu uma geral nos demais, afastando-os para um lugar aberto sob o olhar atento da família e dos funcionários, Bruno finalmente respirou fundo, colocou a mão sobre o coração e resolveu fazer uma confissão honesta.
"Se essa garota continuar me provocando dessa maneira, nem precisarei temer a próxima guerra — já estarei morto e enterrado bem antes dela chegar…"
Nicolau também tinha entendido a fala de Olga. Seria um escândalo se alguém fora da família tivesse escutado aquilo. Ainda assim, não pôde deixar de culpar Bruno.
No fim das contas — o homem tinha destruído as paixões adolescentes de Olga há anos, e agora ela tinha transformado seu ranço numa brincadeira de tormento público. O czar suspirou dramaticamente e falou com o mesmo espírito irônico:
"Ela claramente ainda gosta de você. Você tem certeza de que não quer uma amante? Ela poderia morar em Moscou. Minha família tem uma ou duas fazendas lá, acumulando poeira. Sua esposa nunca precisaria saber."
Bruno lançou a ele um olhar frio, cortante, bem claro de que já tinha acabado de brincar com esse jogo. Ele redirecionou a conversa para o motivo principal de sua visita.
"Já expressei minha opinião a respeito disso. Agora… após essa recepção tão grandiosa, percebi que estou com vontade de beber vodka. Vamos lá discutir os progressos desses últimos dois anos — e se devo renovar o contrato por mais dois."
Nicolau só conseguiu suspirar e balançar a cabeça enquanto Bruno caminhava em direção ao escritório particular. Pela segunda vez, o homem recusou-se a brincar com as lingerings paixões de Olga. O czar seguiu atrás, murmurando com uma derrota dramática:
"Sinto muito, Olga… mas parece que sou um pai fracassado, afinal. Este homem é demasiado honrado para se deixar atrair por essas coisas. E tenho medo de não ter influência ou carisma suficiente para convencê-lo a te amar. Era para ter sido diferente…"
Em silêncio, Nicolau jurou nunca mais tocar no assunto. Ele iria conversar com Olga — sobre sua forma de lamentar uma paixão que havia se tornado fumaça há tempos. E, logo, resolveu, precisaria procurar um marido decente para ela — alguém que a distraísse dessas ideias tolas.