
Capítulo 457
Re: Blood and Iron
Embora Bruno estivesse sentado em frente a Nicolau na mesa do czar como mero convidado, foi ele quem abriu a garrafa de vodka colocada sobre a mesa e serviu as doses, fazendo um brinde em russo.
Os dois permaneceram em silêncio, saboreando a bebida. Não era um uísque de safra refinada, que valeria uma boa parte de sua vida, mas era uma bebida limpa e gelada, especialmente quando combinada com gelo.
A tolerância de Bruno ao álcool já atingira o ponto em que a vodka podia ser bebida como se fosse água. E, mesmo Nicolau, impressionado, não pôde deixar de notar a maneira confiante com que Bruno manejava suas bebidas russas, fazendo um comentário leve com um tom brincalhão na voz.
"Tem certeza que você não nasceu em Tsaritsyn, e não em Berlim? A sua forma de lidar com a vodka me lembra os bons rapazes que trabalham nas fábricas..."
Bruno apenas sorrisou de canto enquanto colocava o copo sobre a mesa e enchia novamente com o líquido mais transparente do que o cristal que o continha.
"Claro que eu nasci em Berlim. Sou 100% prussiano, cultural e etnicamente, mas espiritualmente? Pode dizer que meu coração sangra pelo frio cortante da mãe Rússia..."
Mesmo sendo uma resposta leviana, Nicolau não pôde deixar de interpretá-la com uma postura confiante e orgulhosa. Para ele, aquilo significava muito mais do que suas palavras sugeriam. Mesmo assim, com as boas maneiras já cumpridas — e as pequenas conversas já tendo ultrapassado limites, Bruno preferiu não revisitar o assunto — ele foi direto ao ponto.
"Agora que as formalidades foram dispensadas — vamos falar de progresso. Espero que os números justifiquem o investimento considerável do Reich."
O czar já tinha se preparado há tempos para essa reunião e deslizou uma pasta pelo escritório com um orgulho silencioso. Bruno assentiu em silêncio enquanto analisava os números — exatamente o que tinha previsto, mas ficou satisfeito ao deixar Nicolau falar.
"Com os programas de investimento e desenvolvimento conjunto que vocês implantaram — licenciamento, tooling, suporte técnico — estamos produzindo mais de 700 veículos blindados baseados nos seus designs E-10 por mês. Além disso, estamos produzindo entre 130 e 150 veículos blindados com base na plataforma E-25.
"Quanto à nossa produção aérea, graças à sua ajuda no avanço do entendimento em aviação e fabricação de fuselagens, estamos fabricando cerca de 100 a 120 variantes do Bf-109, 20 a 30 bombardeiros leves com base no seu projeto Do 17, e entre 15 e 20 aviões de transporte Ju-52.
"Nossos estaleiros navais são mais limitados, mas estamos conseguindo produzir um submarino Tipo XXI a cada três a quatro meses, e um contratorpedeiro a cada dois a três. As embarcações de apoio logístico seguem um prazo semelhante.
"Pode ficar tranquilo, estamos fazendo o possível para atender às demandas da nossa aliança. A menos que tenha algo a acrescentar, creio que esses números são satisfatórios."
Na verdade, os números estavam apenas um pouco abaixo dos da Alemanha — uma previsão de Bruno, que ficou contente ao ver confirmada. A Rússia tinha um potencial enorme para a fabricação em massa, muito maior que a da Alemanha, e Bruno mal começara a despertar esse gigante. Era só uma questão de tempo até que a Rússia ultrapassasse todos eles. Por isso, era uma aliada de extrema importância — e por isso Bruno faria de tudo para mantê-la assim.
A política dinástica tinha uma vantagem incomparável: laços de sangue unem países mais fortemente do que tratados jamais poderiam. Democracias e autocracias formam alianças baseadas em interesses mutáveis. Bruno preferia lealdade — ou melhor, família.
Já quase no final de sua vida passada, a União Europeia e a OTAN estavam escandalizadas com os Estados Unidos exigindo relevância de alianças que já haviam cumprido seu propósito original. Mas Bruno tinha visto esses mesmos países na OTAN reduzir seus próprios militares e depender da proteção americana como crianças mimadas.
Ele sabia que alianças devem se fundamentar em compartilhamento de sacrifícios — não em sonhos burocráticos. Então, conduziu a conversa de forma suave, mas firme.
"E então, como está seu filho? O Alexei parece bastante interessado na minha filha — e eu não o culpo. Ela também gosta dele. Você acha que nosso plano vai acontecer sem problemas ou o destino vai arrumar uma maneira de dar uma travada na engrenagem?"
Nicolau deu uma risada, sacudindo a cabeça ao tomar um gole da vodka que Bruno havia servido.
"Interessado nela? É tudo o que ele fala nos últimos tempos. Está completamente apaixonado. E se ela sentir o mesmo, essa nossa aliança vai durar muito tempo. Tenho outras filhas, sabia? E você tem mais filhos, né? Já pensou em colocar uma redundância aí?"
Bruno fez uma cara de quem não se importava e balançou a cabeça de leve.
"Josef vai se casar com a rebelde dos Habsburgo — sabe, aquela órfã que ficou quando o Arquiduque e a esposa foram assassinados em Sarajevo. É o mínimo que posso fazer pela garota, considerando tudo."
"Ainda não falei com Franz Joseph sobre isso. Na verdade, estou esperando o velho morrer. O herdeiro dele, Charles, gosta mais de mim hoje em dia."
Nicolau quase engasgou com a vodka.
"Você realmente está pensando em um noivado entre Josef e a Arquiduquesa Sophie? A menina é quase da mesma idade da Anastásia — quase uma década mais velha que seu filho, não é? Eu até brinquei quando sugeri isso."
Bruno deu de ombros, sem se preocupar.
"Não impediu o Erwin. A noiva dele também é mais velha. A idade importa menos do que o alinhamento político. Desde que casem na idade mínima permitida — como fez Erwin — não há problema. Além disso, considerei sua mais nova como reserva. Mas os Habsburgo são a peça final nesse pacto."
"Mesmo tendo perdido sua soberania nos Balcãs, o valor simbólico deles vai além do que a maioria percebe."
Nicolau sabia que questionar a grande visão de Bruno seria inútil. Em vez disso, serviu mais uma dose e mudou de assunto. Ainda tinham várias horas antes do encontro de Elsa e Alexei terminar — e vodka suficiente para aguentar a noite toda.