
Capítulo 488
Re: Blood and Iron
O tempo tinha uma maneira de passar rapidamente, sem que alguém percebesse de fato a extensão de seu avanço. Já fazia quase três anos desde que Bruno conseguiu alterar o curso da história e pôr fim à Grande Guerra.
Além disso, sua habilidade em manobras políticas após as consequências do conflito, especialmente nos Bálcãs, também começava a envelhecer como um bom vinho. Os Habsburgos haviam se integrado perfeitamente ao Reich Alemão e, ao fazerem isso, tornaram-se a segunda maior força não oficial da nação.
Por isso, Bruno tinha os olhos voltados para a Casa de Habsburgo, em particular uma de suas filhas, no mínimo em sangue, como noiva para seu segundo filho, Josef. Embora o menino ainda nem tivesse dez anos, a mulher que Bruno pensava para ele estava chegando à idade adulta rapidamente, e ele precisava selar esse acordo logo.
Seus filhos tinham uma diferença de idade evidente. Logo no começo do casamento de Bruno com Heidi, antes que as exigências da carreira militar o consumissem completamente, tiveram três filhos em rápida sucessão: Eva, Erwin e Elsa.
Foi só por volta de 1910 que uma segunda leva de filhos começou a chegar, mais estrategicamente planejada entre deslocamentos e turbulências políticas. Josef, Heinrich e Wilhelm eram os mais velhos desse grupo mais jovem, três irmãos que seguiram Erwin na linha de sucessão.
Finalmente, durante os anos que antecederam e atravessaram a Grande Guerra, vieram mais duas filhas: Anna e Erika. A mais nova de todas, Erika, tinha apenas cerca de quatro anos de idade.
Foi por causa dessa família grande e bem posicionada que o próximo plano de Bruno era tão audacioso. Francamente, ele esperava que Franz Joseph morresse antes de propor isso. Só agora, após dar tempo suficiente para que a Casa de Habsburgo chorasse a perda, Bruno marcou uma reunião discreta com seu novo chefe, o Arquduque Carlos.
Por primeira vez, desde o funeral, Bruno viajou de Innsbruck a Viena — uma viagem de trem muito menos cansativa do que a de Berlim. E, ao chegar, encontrou-se com o novo Arquduque da Áustria no Hofburg.
Particularmente no mesmo escritório onde Bruno havia fechado, um tempo atrás, o acordo que selaria o destino de sua família. Porém, Carlos já mostrava ser muito mais receptivo do que seu tio falecido. E por uma razão válida.
Ele compreendia o que Franz Joseph não conseguiu entender: que a oferta de Bruno, por mais direta que fosse, salvou a Áustria da ruína total. O Arquduque havia sido incorporado ao Reich, e os Habsburgos perderam seu status imperial soberano. Mas, comparado ao caos que engolia a Hungria e os Bálcãs, foi uma aterrissagem suave.
Assim, diferente de outros membros da sua família, Carlos não olhou com desprezo para Bruno como o seu predecessor. Pelo contrário, ele parecia... aliviado.
"Preciso dizer," começou Carlos, servindo chá, "que não esperava que você entrasse em contato após tudo que aconteceu entre você e minha casa. Mas estou feliz que tenha feito. Tenho uma proposta a te fazer, e... Pode parecer irracional à primeira vista. Mas espero que sua reputação de pragmatismo signifique que você vai me ouvir."
Bruno ergueu uma sobrancelha. Isso foi inesperado. Ele tinha uma proposta própria, mas, se Carlos tinha um assunto prioritário, iria permitir. Com um sorriso sutil, fez um gesto para que o Arquduque continuasse.
"Muito interessante," disse Bruno. "Por favor. Estou curioso."
Ele tomou um gole de chá, esperando, talvez, um pedido por direitos minerais no Tirol ou concessões territoriais. Mas nada poderia prepará-lo para o que Carlos disse em seguida.
"Gostaria de propor um noivado," afirmou Carlos calmamente. "Entre seu segundo filho, Josef... e minha prima, Sophie von Hohenberg."
Bruno quase engasgou com a bebida.
Depois de se esforçar para não vomitar numa tosse, lentamente se recomposibly. Carlos continuou, talvez apavorado de Bruno rejeitar a proposta de pronto.
"Sei que há uma diferença de idade," acrescentou rapidamente Carlos. "Mas não é tão diferente da que existe entre seu filho mais velho, Erwin, e sua noiva russa. E você precisa entender: Sophie é órfã agora, depois daquela... situação desagradável em Sarajevo."
Bruno assentiu silenciosamente.
"Nossa família fez o que pôde," prosseguiu Carlos. "Mas há facções na Áustria e na Alemanha que viriam atrás dela e dos irmãos, seja para mandar um recado ou explorar o nome deles. Ela precisa de proteção forte. E você... Você é temido, Bruno. Ninguém ousa tocar no que é seu."
Carlos fez uma pausa, escolhendo bem as palavras seguintes.
"Ela não é da linha principal, eu sei. Os pais dela não tiveram um casamento dinástico. Mas o sangue ainda corre ali. Se esse noivado for aceito, garantiria o futuro dela e uniria nossas casas para a próxima geração."
Bruno ficou ali, em silêncio, fingindo uma reflexão profunda. Na verdade, esse sempre foi seu plano. Mas o fato de Carlos ter sido o primeiro a propô-lo era ao mesmo tempo divertido... e conveniente.
Depois de uma pausa longa o suficiente para parecer educada, apenas o suficiente para criar tensão, ele assentiu.
"Aceito sua proposta, Carlos. Quando Josef atingir a idade apropriada, casará com Sophie von Hohenberg. Ela estará protegida sob meu nome e, com isso, a união que você busca. Você quer em papel? Ou uma palavra de homem basta?"
Carlos piscou surpreso. Esperava resistência. Mas recebeu, ao invés disso, um acordo rápido, decidido — o tipo que só levanta mais perguntas.
Por que Bruno von Zehntner, agora um dos homens mais poderosos da Europa, se casaria tão facilmente com uma menina nascida de uma união morganática? Uma garota legalmente impedida de sucessão?
A resposta, Carlos percebeu, era a mesma razão pela qual ele tinha medo dele. Bruno sempre sabia o que estava fazendo. E nunca agia sem um propósito.
E assim, o acordo foi selado. Discreto. Estratégico. A Casa de Habsburgo e a Casa de Zehntner estavam agora ligadas, exatamente como Bruno tinha planejado com os Romanov... e os Hohenzollern.
Uma nova era estava chegando. E tinha as pegadas de Bruno por toda parte.