Re: Blood and Iron

Capítulo 480

Re: Blood and Iron

Logo que Bruno começou a ensinar Eva sobre as estratégias de geopolitica, ele se encontrou face a face—em sua própria casa—with os reis da Grécia e da Bulgária. Dois homens que foram inimigos há apenas meia década agora buscavam seu conselho.

Honestamente, ambos estavam profundamente impressionados pelas habilidades estratégicas de Bruno. O fato de ele ainda não ter se aposentado e de, agora, ser chefe do Estado-Maior do Exército alemão, significava uma coisa somente: eles precisavam de sua opinião antes de se comprometerem com alguma aliança fora da órbita da Alemanha.

O problema era que era difícil saber exatamente o que Bruno pensava. Afinal, ele tinha uma parcela de responsabilidade pelo estado atual dos Balcãs.

No entanto, Bulgária e Grécia tinham duas opções viáveis. Romenia e Hungria pareciam prestes a reacender conflitos por territórios que Bruno havia apenas temporariamente pacificado. Os dois reis esperavam evitar apoiar o lado errado em uma possível nova guerra.

Eles não se reuniram em algum grande salão de trono ou na sala diplomática, mas sim no escritório particular de Bruno—bebendo chá e café durante o brunch. E nenhum deles conseguiu resistir ao charme desarmante do homem enquanto ele iniciava a conversa não com estratégias, mas com algo muito mais íntimo.

— Então, Ferdinand — Bruno perguntou com um sorriso — você já foi rezar na Hagia Sophia? Quando meus homens e eu tomamos a cidade, a primeira coisa que fiz foi ajoelhar entre os bancos e dar culto adequado ao nosso Senhor—ao Pai no céu, ao Filho e ao Espírito Santo, que todos sabemos serem verdadeiramente um só.

Aquela frase caiu como uma bomba. Bruno acabara de ecoar a doutrina ortodoxa sobre a Trindade—de forma aberta—apesar de governar um reino católico e ser de origem protestante. O silêncio que se seguiu foi quase tangível até que Constantine finalmente quebrou o silêncio.

— Desculpe... mas, se não me engano, você é de origem prussiana, não é? Sua família é tão prussiana quanto as terras são alemãs, pelo que entendo. Isso não faz de você um protestante?

Bruno bufou e rolou os olhos, respondendo como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— Nominalmente? Durante a maior parte da minha vida, sim. Porém, me converti ao catolicismo recentemente como um gesto de boa vontade para com o povo que agora governo. Espiritualmente? Bem... Provavelmente sou ortodoxo desde o dia em que li a Bíblia e a história da fé. Quem conhece minhas ideias sabe disso. Não é nenhum grande segredo.

Apesar do tom casual, ambos os reis ficaram impressionados. Aqui estava Bruno, possivelmente do lado deles, pelo menos em questões onde a religião ainda alimentava violência. Isso mudou o clima—ao menos o suficiente para Ferdinand responder à pergunta original com um pouco menos de cautela.

— Na verdade, sim. Pisar na Hagia Sophia, ver as profanações dos últimos séculos desfeitas e sua glória restaurada—foi um espetáculo de se ver.

Preciso confessar... na minha última visita, senti uma dor no estômago ao sair. Você também sentiu algo assim ao deixar a cidade?

Bruno não respondeu imediatamente. Em vez disso, mudou de assunto. Talvez como uma manobra tática, ou simplesmente porque não queria pensar naquele pôr-do-sol sobre Istambul e o que sentiu naquele momento.

— Acho que já chega de gentilezas. Vamos ao que interessa, certo? Vocês vieram longe para me visitar aqui, afinal. Isso tudo é sobre Sérvia, e a desintegração do Império Austro-Húngaro, não é?

Querem saber com quem vou me alinhar—pelo menos por enquanto, sim? Acreditem ou não, a resposta é simples. Desde que o novo rei autoproclamado deles não se encoste demais para provocar minha ira, apoiarei os húngaros.

Isso deixou ambos os reis surpresos. Eles tinham assumido—quase apostado—que ele preferiria a Romênia. Na verdade, consideraram-se sortudos por terem vindo perguntar. Ainda assim, Ferdinand não pôde deixar de insistir, embora respeitosamente.

— Se me permite perguntar... por que Hungria? O rei deles atualmente tem... problemas com você?

Bruno rolou os olhos e fez uma explicação rápida e pontual. Quase como se estivesse orientando seu próprio filho sobre a natureza de rancores pessoais em comparação com os interesses do reino.

— Claro que tem. Ele me culpa por os Habsburgos terem desistido dele e pelo destino atual da Hungria—andaria parcialmente certo. Áustria era o prêmio que eu queria, não a confusão com a qual ele agora lida.

Ele também não é fã de como administrei Transilvânia. Mas, na verdade, foi o melhor que poderia fazer. Previ a crise e dei tempo a ele para se preparar antes que explodisse.

E, embora ele possa não perceber isso ainda, o fato de ele não ter envenenado a fonte—não ter me demonizado na opinião pública—mostra que ainda é possível cooperação.

Romênia, por outro lado, oferece pouco. Nenhum recurso, nenhuma influência regional. A Hungria tem maior potencial se conseguir consolidar seu poder e pressionar suas reivindicações nas próximas duas décadas.

Então, se vocês estão decididos a encontrar um parceiro regional para garantir sua segurança, recomendo que aguardem—até que a névoa se dissipe—ou apoiem a Hungria.

Bruno fez uma pausa só para terminar seu café antes de dar seu conselho final:

— Deixo uma dica antes de me despedir: o futuro não está escrito em pedra. Os aliados de hoje podem facilmente se tornar inimigos amanhã, se vocês não tiverem vínculos dinásticos que sustentem a relação.

Escolham seus aliados com sabedoria. E, se escolherem mal? Não lamentem. Jogem a mão que o destino lhes deu. Até nos encontrarmos novamente, senhores.

Com isso, Bruno apertou as mãos dos reis da Grécia e da Bulgária e os despediu.

Romenia ficou de lado. Agora, os dois monarcas tinham uma decisão: seguir o aviso de Bruno e ficar neutros—ou arriscar apoiar a Hungria, na esperança de que os ganhos valessem o risco. Mas isso era uma conversa que cabia somente a eles.

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