Re: Blood and Iron

Capítulo 428

Re: Blood and Iron

Era difícil acreditar que havia passado pouco mais de um ano e meio desde o fim da Grande Guerra. Tanta coisa aconteceu em tão pouco tempo que Bruno frequentemente se sentia como se estivesse sendo levado pelas estações que mudavam—tão absorvido pela ação que não conseguia compreender totalmente o ritmo da história à medida que ela se desenrolava ao seu redor.

E ainda assim, aí estavam eles—os primeiros Jogos Olímpicos da era do pós-guerra, verdadeiramente prestes a começar.

Originalmente agendados para 1916, os Jogos de Verão foram adiados devido à guerra, e depois novamente durante o caos da crise de sucessão. Finalmente, concordou-se que seriam realizados em 1918, com os próximos adiados até 1922. Mas, mesmo antes da data ser confirmada, Bruno já havia começado a lançar as bases do que viria a acontecer. O palco era global. E a Alemanha seria seu centro.

Seja militarmente, economicamente ou—agora—atlética, Bruno trabalhou incansavelmente para posicionar o Reich como a potência preeminente do mundo moderno.

Os Jogos ainda estavam em sua infância, não sendo ainda o espetáculo mundial que se tornariam no século seguinte. Poucas nações participavam com verdadeira seriedade, e ainda menos compreendiam o potencial do que esses jogos representavam. Mas Bruno sim.

Ele se lembrava de um tempo diferente—de um mundo diferente—e sabia muito bem o que os Jogos poderiam se transformar.

Não apenas uma competição de força e velocidade, mas uma demonstração de poder brando, um cadinho onde nações revelavam sua disciplina, sua visão e sua vontade de triunfar através da excelência humana. Era um palco de prestígio—onde os campeões do amanhã não eram forjados no sangue, mas no fogo, no suor e no sacrifício silencioso.

Claro que, na maioria das vezes, eram os mais ricos e poderosos quem produziam os maiores atletas. Treinamento, equipamento, alimentação, instalações—esses detalhes importavam. Talvez mais do que ninguém admitisse.

Bruno compreendia isso e, ao contrário daqueles que buscavam atalhos com drogas ou ciência antiética, optou por algo mais difícil—mas infinitamente mais eficiente. Construíra um sistema. Um motor nacional para a perfeição atlética. Algo semelhante ao que os soviéticos criariam mais tarde em outra realidade, mas mais limpo, mais afiado e muito mais perigoso em sua eficiência.

Os campeões da Alemanha eram homens esculpidos em mármore—semi deuses naturais moldados pelo método de uma disciplina implacável, nutrição de ponta e acesso às técnicas de treinamento mais avançadas já criadas.

Eles não precisavam de drogas. Eles tinham ordem.

E agora, com os Jogos a serem realizados em Berlim, ali mesmo, Bruno e o Kaiser haviam passado anos silenciosamente orquestrando algo muito maior do que uma competição atlética.

Isso não seria uma celebração do esporte internacional. Seria uma revelação.

Uma mensagem gravada no próprio céu: o velho mundo está morto.

Em seu lugar—uma era de império e aço.


Nos últimos dois anos, foram feitas preparações meticulosas para essa convergência de nações. Apesar de a Grande Guerra ter chegado ao fim, grande parte do mundo ainda ardia em suas consequências—regiões abertas por revoluções, fome e tempestades ideológicas.

Em tempos tão incertos, a segurança do Reich alemão—e de muitos dignitários agora reunidos em Berlim—era de suma importância.

Durante o período dos Jogos, todos os ramos do poder estatal foram mobilizados: a polícia, os agentes federais, a Feldgendarmerie, a patrulha de fronteira, até mercenários contratados privadamente. Todos trabalhando em perfeita coordenação para garantir que nada—esperado ou não—perturbasse o espetáculo.

Era uma era perigosa.

A França já ardia, consumida pelas chamas do próprio radicalismo, e o Reich não podia permitir que fogo semelhante atravessasse as fronteiras. O mundo observava. Os Jogos Olímpicos não eram apenas uma celebração—eram uma declaração. E nenhum sangue poderia manchá-la.

Por isso, a segurança em Berlim estava sufocante. Talvez não na letra da lei, mas certamente em espírito. Muitos visitantes tiveram seus direitos e liberdades restringidos além do que era considerado tolerável. Reclameram, protestaram, fizeram apelos.

Porém, tais medidas eram necessárias. A inteligência alemã já tinha descoberto várias conspirações para destruir o centro dos Jogos—um esforço coordenado para manchar a imagem do Reich no palco mundial.

Foram interceptadas. Brutalmente interrogadas. E silenciosamente eliminadas. Seus colegas logo seguiram o mesmo destino. O alvo? A Arena da Glória. O coliseu de uma era nova. O templo ao aço e à civilização alemã. E, sob qualquer circunstância, ela não permitiria que caísse.

O novo Coliseu tinha surgido das ruínas do antigo Stadttheater de Berlim: a Arena da Glória.

Uma fusão de arquitetura historicista com infraestrutura de ponta. A estrutura era protegida dos elementos, mas viva com energia moderna—iluminação elétrica, ar-condicionado, aquecimento central e um sistema de ventilação tão avançado que rivalizava com qualquer coisa na Terra. Não era apenas um estádio. Era um testemunho—uma materialização física da riqueza, disciplina e superioridade industrial da Alemanha.

Capaz de acomodar quase cem mil espectadores, a Arena era um monumento à vontade. Cada coluna de mármore polido, cada estátua de bronze, cada eco do teto abobadado sussurrava não indulgência—mas determinação.

Seu projeto tinha propósito. As arquibancadas dividiam as massa em três castas: O Povo sentava-se mais perto do chão da arena. Enquanto os Estrangeiros ficavam no meio—oferecendo um lugar de respeito, mas não de reverência. E quanto ao Império e sua classe dominante? Estavam naturalmente na posição mais alta, sob águias douradas, onde o Kaiser e seus comandantes observavam o campo como deuses no topo do Olimpo.

Isto não era apenas um esporte. Desde o momento em que a tocha fosse acesa, a mensagem seria clara: esta era a Alemanha de Bruno. Um império ressurgido pelo fogo. Forjado no sangue. Impulsionado não por ideologia… mas por ordem.

Bruno estava ao lado do Kaiser, à frente, enquanto o portador da tocha começava o percurso ceremonial—uma tradição antiga de um mundo tão distante que parecia mais mito do que memória.

Sua família estava próxima, sentada na caixa imperial. À medida que os aplausos ensaiavam seu declínio, as luzes da arena começavam a se apagar uma a uma—engolhadas por uma escuridão crescente que envolvia toda a estrutura, como um cortina caindo antes de uma grande apresentação.

Restava apenas a tocha acesa. Um ponto de fogo tremeluzente em um oceano de trevas. Sussurros preenchiam o ar. Uma névoa de inquietação se instalava. Eva, sentada ao lado do noivo—neto do Kaiser—recostou-se para frente, a voz carregada de preocupação.

“O que está acontecendo?!”

Bruno calmamente colocou a mão no ombro da filha. Embora seu rosto não demonstrasse emoção, o entusiasmo na sua voz era inconfundível.

"Silêncio... Apenas assista. Você está prestes a testemunhar a história sendo feita."

E então começou.

Primeiro, os tambores—batidas profundas e retumbantes que ecoaram pelo estádio como fogo de artilharia. A orquestra ganhou vida, amplificada pela acústica perfeita do recinto—ainda maior que a lendária sala de concertos de Viena.

Mas não era uma sinfonia polida.

O som era moderno, violento, elétrico—Rei do Marte encontra Pride FC, um hino de batalha envolto em brutalidade sinfônica. Uma música que fazia a alma querer se erguer, lutar, conquistar. Crua, primal, implacável.

Com o primeiro passo triunfante do corredor, a arena se acendeu. Holofotes explodiram ao longo da passarela central—branco ofuscante, penetrando a escuridão como pilares divinos. Depois, vieram as luzes coloridas—vermelhas, brancas e pretas—que se fundiam no ar acima do porta-bandeira formando um estandarte flamejante do Reich alemão, estampado na cúpula.

O portador da tocha correu.

A música aumentou de volume.

A multidão conteve a respiração.

À medida que ele subia a zigurate e chegava ao braseiro, a orquestra atingiu seu auge. Com um movimento, a chama foi passada—e o fogo ganhou vida.

Uma parede de fogos de artifício explodiu ao redor do estádio—brilhante, ensurdecedora, avassaladora. Mas aquilo não foi o fim. Quando as chamas se acalmaram e a fumaça desapareceu, uma nova revelação aguardava.

Fileiras e mais fileiras da Guarda Imperial permaneciam imóveis abaixo, perfeitamente alinhadas. Seus condecorações brilhavam sob as luzes—medalhas de combates vencidos, honras conquistadas com aço e fogo.

Então, elas se moveram. Uma exibição sincronizada de pompa militar se desenrolou—impecável, temerosa, impossível de ignorar. Com cada movimento, a orquestra mudava o ritmo novamente—agora furioso, marcial, triunfante.

Não era apenas uma celebração dos Jogos. Era uma declaração: a Alemanha venceria. E faria isso de forma dominante. A exibição era impressionante. Dignitários estrangeiros assistiam em silêncio pasmo, olhos arregalados, bocas entreabertas.

Isto não era apenas coreografia. Era uma maravilha da engenharia. Coordenada ao segundo. Orquestrada com perfeição. E tecnologias desconhecidas—desenvolvidas pelas empresas de Bruno em segredo—haviam dado vida a tudo isso.

Mesmo enquanto a multidão comemorava, as delegações do mundo permaneciam amargas e caladas. Ninguém poderia rivalizar com isso. Nem agora. Nem por décadas. Bruno virou-se para sua filha. Ela olhava para ele com olhos abertos, sem piscar. A admiração em seu olhar dizia tudo.

"Pai… não me diga… tudo isso—foi sua criação?"

Ele sorriu levemente e passou a mão pelos fios dourados dela, sempre um pai carinhoso, apesar do palco de batalha que acabara de montar.

"Eu? Ah, não, minha querida. Eu só desempenhei um papel pequeno. Este é o esforço conjunto do nosso povo, da nossa nação. E agora o mundo deve testemunhar uma grandiosidade que dificilmente chegará perto de igualar por mais duas ou três décadas… Não é magnífico?"

Eva não respondeu.

Ela apenas observava enquanto a cerimônia se desvanecia. Os atletas começaram seu desfile sob a luz radiante do estádio, e o resto do mundo assistia—k.O. e incerto, completamente superado.

Somente os alemães caminhavam com a cabeça erguida. E a mensagem tinha sido enviada.

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