Re: Blood and Iron

Capítulo 381

Re: Blood and Iron

Bruno estava sentado no pátio da fazenda, olhando para a nova piscina que tinha instalado nos fundos. A profundidade dela era mais do que suficiente para atender aos padrões olímpicos de uma piscina de mergulho da sua vida anterior, enquanto seu comprimento e largura correspondiam aos de uma piscina de nado de mesmo tamanho.

Porém, essa piscina era impressionante, decorada com grandes fontes de estilo barroco na borda e escorregadores que passavam por cima das bocas das fontes e mergulhavam na vasta piscina lá embaixo. Uma combinação aparentemente perfeita de diversão prática e artesanato, com a elegância e o requinte de um passado mais nobre.

A primavera havia chegado, derretendo as últimas neves, e, para Bruno, a temperatura estava mais do que adequada para sentar numa boia inflável, com uma cerveja na mão e apenas uma sunga.

Sua família brincava na piscina, curtindo um tipo de diversão moderna inspirada na vida passada de Bruno, enquanto ele relaxava, tentando deixar o peso e a carga de uma guerra que oprimiu seus ombros escorrerem e se afogarem na água abaixo.

Claro, Erwin estava um pouco nervoso. Era a maior quantidade de pele da namorada que ele já tinha visto. O traje de banho dela não era nem de longe tão revelador ou vulgar quanto o do mundo em que Bruno tinha vivido, era uma opção mais refinada e discreta, adequada a uma era mais sensata.

Mas, ainda assim, era suficiente para fazer um garoto de 14 anos, cheio de hormônios, corar de vergonha. Provocando uma reação do pai, que descansava por perto com uma lata de cerveja na mão. Bruno não conseguiu evitar franzir a testa e baixar seus óculos escuros enquanto encarava seu filho adolescente, antes de borrifar água na cara dele e condená-lo.

"Ei! Seu pervertido! Eu vou te ver! Não fique olhando para as meninas com esses olhares pervertidos! Ela é filha de alguém, sabia?"

Erwin se sentiu instantaneamente envergonhado ao ponto de querer se afogar na piscina, enquanto Alya e suas amigas olhavam para ele e riam do seu estado. Quanto a Heidi, ela imediatamente olhou com uma sobrancelha levantada para o marido, uma olhar de punição, fazendo Bruno virar de lado na boia e se afastar rapidamente do olhar ameaçador da esposa magoada.

Depois, ele se aproximou de seu filho e entregou-lhe a cerveja que estava na sua mão.

"Aí, garoto, bebe aí. Vai te ajudar a ficar mais tranquilo…"

Erwin nunca tinha recebido uma bebida alcoólica do pai antes e ficou chocado ao olhar para a garrafa e para as letras grandes na etiqueta. Era uma cerveja criada por Bruno, chamada "Eisen".

Na verdade, dizer que Bruno a havia fundado era uma forma de tirar o crédito, não. Ela foi fundada por um veterano incapacitado da Divisão de Ferro em 1906, após voltar da Guerra Civil Russa. A maioria dos voluntários que lutaram lá permaneceu no exército, virando sub-oficiais ou oficiais de patente, enquanto outros preenchiam posições de liderança na Feldgendarmerie.

Porém, aqueles que ficaram gravemente feridos, física ou mentalmente, e não podiam mais servir ativamente, muitas vezes fundavam seus próprios negócios, dos quais Bruno financiava pessoalmente cada um, como uma demonstração de respeito pelo sacrifício deles na voluntária guerra estrangeira.

A Cervejaria Eisen era uma dessas iniciativas e tinha o emblema da Divisão de Ferro como logotipo, que Bruno tinha autorizado naturalmente. Era um símbolo que, na visão dele, pertencia a todos os veteranos da Divisão de Ferro, e não a um de modo especial. Ainda mais a ele, que criou o design inspirado na sua vida passada.

Surpreendentemente, o veterano ferido tinha talento como cervejeiro, criando uma linha de cervejas tradicionais alemãs, consideradas melhores do que qualquer outra no mercado, na opinião de Bruno, e, com o tempo, tornou-se a marca exclusiva dele.

A Eisen também era extremamente popular entre os soldados, pois a empresa fazia doações caritativas massivas para organizações que ajudavam veteranos amputados ou feridos. E sim, isso incluía aqueles que sofriam de transtornos mentais causados pelo combate, como o "trauma de guerra", que se tornou mais comum após a Grande Guerra.[1]

Com tudo isso em mente, Erwin pode ter interpretado o presente repentino do pai como algo mais sério do que uma simples "oferta de paz", e sua obsessão pela garrafa levou Bruno a questionar a sanidade do filho.

"O que houve, garoto? Você nunca viu uma garrafa de cerveja antes?"

Erwin rapidamente voltou à realidade, balançou a cabeça e gaguejou, tentando superar a vergonha mais uma vez, e respondeu apressadamente: "Não… senhor! Eu só… nunca tomei uma cerveja antes…"

Bruno levantou uma sobrancelha ao ouvir isso. Considerando que o Império alemão não tinha uma idade mínima de ingestão, como na sua vida anterior, e que beber cerveja era bastante comum entre jovens, especialmente naqueles na academia ou no exército, Bruno achou estranho.

Ele ia questionar seu filho com firmeza, quando percebeu o olhar dele oscilando entre a cerveja e Alya mais uma vez. Não era mais um olhar de desejo, mas de profunda reflexão, como se tentasse resistir à tentação para provar a sua futura esposa que era um homem de disciplina e moderação.

Um sorriso sutil apareceu no canto dos lábios de Bruno ao perceber a batalha interna do filho. Ele já tinha visto isso muitas vezes, em jovens soldados na guerra. A luta interna entre querer se provar e fazer o que é certo. Mas isto não era uma guerra; era o primeiro passo de Erwin na maioridade, e Bruno não tinha pressa.

Como resultado, ele apenas sorriu, balançou a cabeça e deu um tapinha no ombro do garoto, mostrando que beber não era o fim do mundo, e que era permitido aproveitar a vida de forma sutil.

"Erwin, é só uma cerveja… Não quero te pressionar ou coisa do tipo, a decisão final é sua. Mas não é nada tão sério quanto você está achando. Mesmo casado, ainda há momentos em que você pode se divertir."

"Mas, como eu disse, a decisão é sua, garoto. Faça o que achar melhor. Agora, vou ajoelhar e implorar perdão à sua mãe, ou ela vai me dar uma bronca por causa da brincadeira que fiz com você mais tarde. Aproveite, porque a vida só acontece uma vez…"

Bruno então começou a nadar debaixo d’água, como um tubarão se aproximando de sua presa — que era sua esposa. Quanto a Erwin, ele olhou para a cerveja mais uma vez antes de decidir dar um gole silencioso. Vários pensamentos complicados passavam pela sua cabeça naquele momento.


O mais presente era a percepção de que, com o passar dos anos e ao ficar mais velho, seu pai se tornara uma figura muito menos assustadora e tirânica. Na verdade, agora que ele estava quase adultinho, parecia que eles eram quase iguais…

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