
Capítulo 380
Re: Blood and Iron
Os meses passaram num piscar de olhos, assim como as estações do ano. O outono veio e foi-se, seguido pelo inverno. Logo era primavera de 1917, e tanto o Reich Alemão quanto o Império Russo viviam um período de prosperidade excepcional.
A industrialização avançava a passos largos na Rússia, e a riqueza gerada pela guerra era monumental. Bruno sabia que era hora de agir — de consolidar de forma definitiva a aliança entre Alemanha e Rússia, usando sua família como a cola que uniria ambos os lados.
Eva tinha sido prometida ao príncipe Wilhelm de Prússia, neto do Kaiser Wilhelm II e futuro herdeiro do trono. Já Elsa, no início da adolescência, ainda não tinha um homem com quem pudesse se engajar.
Por uma feliz coincidência, o casamento de Erwin estava próximo, e convites começavam a ser enviados àqueles próximos à família von Zehntner. Nos últimos dez anos, Bruno trabalhara duro para fortalecer laços de amizade com figuras influentes, e agora que seus filhos estavam chegando à idade adulta, era hora de transformar essas amizades em alianças permanentes.
A base fora estabelecida, uma preocupação genuína do povo romano. Agora, era o momento de construir uma casa sobre ela. Por isso, não apenas a casa de Hohenzollern foi convidada para o casamento de Bruno, mas também as casas de Habsburgo e Romanov. Bruno queria casar sua filha com Alexei Nikolaievitch, tsarevich da Rússia. Alexei era o único filho de Nicolau II e tinha praticamente a mesma idade de Elsa.
Além do fato de os Romanov buscarem laços mais sólidos com Bruno e sua família, Bruno tinha uma afeição especial pelos Romanov — talvez porque, em sua vida passada, eles fossem elevados a santos na Igreja Ortodoxa devido ao seu martírio, ou talvez simplesmente por compaixão.
Sua decisão de casar sua segunda filha com o único filho da linhagem principal tinha tanto um motivo afetivo quanto uma estratégia. Assim, garantiu que os Romanov fossem, acima de tudo, os convidados mais importantes, exceto talvez pelo Kaiser e sua família.
Heidi observava Bruno dedicando atenção e grandiosidade à elaboração do convite, e sabia que aquilo que ele planejava tinha grande importância. Por isso, foi rápida ao perguntar o que ele tinha em mente.
"O que exatamente você está arquitetando agora com o Tsar da Rússia?"
Bruno, percebendo rapidamente a presença da esposa, levantou-se de uma vez, pegou-a pela cintura, puxando-a para seus braços afetuosos enquanto sussurrava seus pensamentos em seus ouvidos.
"Pretendo unir nossas casas pelo casamento. Elsa irá se casar com Alexei, e Eva com Wilhelm. Nossa família será a cola que unirá os Romanov e os Hohenzollern... Garantindo uma aliança com a Rússia que assegure a segurança, a riqueza e o poder de nossos impérios por gerações."
Heidi ficou realmente surpresa com a ousadia da estratégia, e rapidamente concordou — ela conhecia bem o caráter do jovem herdeiro russo.
"Ele é um ótimo partido, tanto politicamente quanto pessoalmente. O menino cresceu cercado de irmãs mais velhas, e Elsa é um ano mais velha que ele. Com certeza, ele saberá tratá-la com respeito, considerando sua criação."
"Ainda assim, casar nossas filhas com o futuro imperador e tsarina? Isso vai causar turbulência... Há quem não goste da rapidez com que nossa família está crescendo... Somos jovens, muito jovens, e já possuímos mais riqueza e força militar do que qualquer linhagem antiga — exceto pelos grandes imperadores da Europa."
"Unir nossa linha pela via do casamento a uma posição de realeza é um movimento audacioso e arriscado. Pode construir uma dinastia que dure mil anos, ou nos levar à ruína..."
Bruno enxugou a sobrancelha de Heidi, seus olhos brilhando de paixão e ferocidade. Logo, ele a lembrou de que controlava bem essas situações.
"Claro que sim... Mas nada grandioso foi conquistado sem riscos maiores e sacrifícios. Isto não é só sobre o nosso futuro ou o Reich, mas de toda a Europa. O que fizermos, aqui e agora, no início deste século grandioso, ecoará para sempre."
"Haverá contrários, até aqueles que tentarão nos ferir. Mas a época em que uma pessoa tinha seu destino definido pelo nascimento passou. Agora, o que vale é o mérito. E se esses tolos se atreverem a me declarar guerra, lembrarei o que acontece a quem invade meus limites."
"Se Belgrado não serve mais como uma lembrança permanente para quem vier depois da minha casa, talvez seja preciso destruir mais algumas cidades. E suas casas também."
Apesar da gravidade esmagadora das palavras de Bruno — carregadas de ameaça — Heidi não pôde deixar de sentir orgulho e entusiasmo. O futuro que eles estavam construindo juntos não era mais apenas sobre sua própria família e seu lugar na história.
Era sobre criar um mundo melhor. E, como Bruno prometeu infligir dor e sofrimento mil vezes maiores àqueles que ousassem provocar sua ira, ela permaneceu ali, aceita, diante da escolha que ele havia feito e do caminho que guiaria sua família.
"Assim seja... O que vier, enfrentaremos juntos, com sangue e ferro!"
Ao ouvir sua esposa pronunciar essas palavras e apoiar seu projeto nesta hora de divergência, Bruno não resistiu e agarrou o rosto dela, de formato de coração, e beijou seus lábios, confirmando que a sua esposa tinha toda razão em sua declaração.
"Não poderia ter dito melhor..."
Depois, os dois partiram para colocar seu plano em ação. O casamento do filho mais velho de Bruno, herdeiro do trono, com uma jovem órfã russa, seria o catalisador que uniria Alemanha e Rússia por gerações.