Re: Blood and Iron

Capítulo 379

Re: Blood and Iron

O retorno para casa após a guerra foi bastante diferente do que Bruno esperava. Em sua vida passada, o clima em Berlim era de derrota solene, sentimento revolucionário e a violência daqueles que tentavam aproveitar a crise.

Isso não podia ser dito nesta linha do tempo. A Alemanha saiu vitoriosa de forma esmagadora. As perdas foram mínimas e bem abaixo da taxa de reposição. A economia alemã foi fortalecida pela guerra, não destruída por ela.

Cidadãos do Reich podiam orgulho acenar suas bandeiras e celebrar o retorno de seus valentes heróis com as festas mais luxuosas. O futuro era promissor, embora nuvens de tempestade ainda pairassem além do horizonte.

Mas... A viagem de trem não foi particularmente festiva, pelo menos não para Bruno e Heinrich. Que viajaram sozinhos em seus próprios vagões, bebendo cerveja e olhando fotos de anos passados. A diferença entre as cenas nessas fotos e a que estavam presenciando agora era que, nas antigas imagens, havia três homens, e não apenas dois.

O rosto de Bruno era frio, mas dava pra perceber pelo tremor de seus olhos que havia uma tristeza profunda e um pesar guardado ali. Heinrich, sempre oposto ao amigo caído, estava, pela primeira vez, realmente demonstrando sua depressão de uma forma que há anos não fazia.

Os dois bebiam, e bebiam, com as garrafas de cerveja acumulando-se diante deles, quase como uma competição para ver quem consumia mais sua bebida favorita. Mesmo assim, suas expressões permaneciam inalteradas, a sensação de perda começava a aflorar agora que a guerra tinha sido vencida e o sacrifício de Erich, que possibilitou isso, era só conhecido por eles.

Foi Bruno quem finalmente quebrou o silêncio, seu rosto contraído, a voz quase se despedaçando sob o peso de emoções fortes, ao levantar sua garrafa e fazer um brinde.

"A Erich, o verdadeiro herói do Reich alemão... O Terror de Belgorod, um subordinado leal e um grande amigo..."

Heinrich, por sua vez, lutava para não se desmoronar em lágrimas diante da lembrança do apelido tolo que Erich havia ganhado, cujo significado quase destruiu sua amizade, e que Bruno, como uma homenagem, trouxe à tona, trazendo à tona antigas mágoas já irremediáveis.

E talvez, como sinal de que finalmente estava deixando de lado toda a animosidade que carregava contra o amigo por diferenças de jeito de fazer as coisas, Heinrich ergueu seu copo e repetiu o brinde de Bruno.

"Ao Terror de Belgorod, o herói que precisávamos, mas que nunca merecemos!"

Depois disso, os dois permaneceram em silêncio pelo resto da viagem de volta para casa. Descendo do trem junto com os demais soldados do Exército alemão, que também estavam bastante inconscientes, mas por motivos muito mais alegres.

Jovens eram abraçados por suas esposas e namoradas ao entrarem nas ruas de Berlim, que os aguardavam na estação, enquanto Bruno e Heinrich caminhavam até suas próprias famílias, que os esperavam ansiosas.

Alya parecia além de irritada com seu pai adotivo, mas ao perceber o estado dele, não disse uma palavra. Toda a ira que havia se preparado para despejar nele por se comportar de forma ostentosa durante a ausência desapareceu no instante em que entendeu por que Heinrich havia recaído em seus velhos hábitos degenerados.

Não era uma forma de celebrar, mas de lidar com as perdas sofridas na guerra. Por isso, Alya não o repreendeu com a fúria de uma mulher magoada, mas sim com o amor e o apoio de uma filha ao ver seu pai magoado regressando vivo, mesmo que não intacto.

"Pai! Estou tão feliz por você ter voltado pra mim!"

Heinrich, completamente bêbado, acariciou o cabelo da menina e garantiu que tudo ficaria bem... Mesmo que suas palavras não fossem exatamente reconfortantes.

"Isso mesmo! Estou em casa... em casa..."

Heidi olhou para Bruno, cujo nível de tolerância ao álcool era alto, fazendo com que ele rapidamente se despertasse ao parar de envenenar seu corpo com cerveja. Ela lançou um olhar inquisidor, ao que Bruno apenas balançou a cabeça e assegurou que seu amigo ficaria bem.

"Ele vai ficar... Ele só precisa dormir a bebida... Agora, que tal todos voltarem para casa... Estou morrendo de vontade de passar um tempo com minha família."

Bruno estava claramente no mesmo mau humor de Heinrich, mas recusava-se a simplesmente voltar para casa e dormir sem passar um tempo com as pessoas que amava. Eles precisavam saber que eram sua prioridade ao despertar de cada manhã e antes de dormir à noite.

Seu desejo mais ardente durante a guerra era voltar para casa e ficar com quem amava em paz. Claro que, naquele momento, mais do que tudo, queria se enfiar na cama, fazer uma concha com os lençóis e dormir por mil anos.

Mas não podia fazer isso. Como pai, sua família era prioridade, e sempre seria. Assim, Bruno voltou para casa, passou a noite com sua família, se recuperando da embriaguez com a deliciosa comida caseira feita por Heidi, e depois se deitou ao lado dela, dormindo o excesso de álcool consumido na viagem de trem para Berlim.

No dia seguinte, ele teria apenas uma leve ressaca, que sumiria com um café e o jornal matinal. Lerá sobre o afastamento quase completo da equipe de Woodrow Wilson, cuja saída parecia iminente, e a opinião pública que mudava de novo para o candidato republicano, agora que a Grande Guerra havia terminado e o caminho a seguir era focar naquilo que já tinha sido construído nos últimos quatro anos.

Ao perceber isso, Bruno entenderia que os Estados Unidos permaneceriam isolacionistas pelo menos até a próxima eleição, em quatro anos, dando-lhe tempo suficiente para lutar nas guerras menores do período entre guerras, enquanto se preparava para a próxima guerra mundial, que provavelmente seria consequência do estado deplorável em que a França se encontrava agora.

Mas essa era uma preocupação para outro momento. Por ora, Bruno queria aproveitar a paz que sua vitória lhe proporcionara.

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