Re: Blood and Iron

Capítulo 327

Re: Blood and Iron

Christoph não era um tolo; sabia que a rápida ascensão de Bruno tanto no Exército Imperial Alemão quanto na aristocracia tinha criado muitos inimigos. Era uma inevitabilidade óbvia, uma que ele já suspeitava que Bruno tinha plena consciência.

Afinal, os humanos são criaturas mesquinhas e vaidosas. E aqueles que sobem ao topo por mérito próprio sempre serão criticados e cuspidos pelos incompetentes, pelos medíocres e, Deus ajude, pelos que alcançam a posição por nepotismo.

Mas Bruno conquistara a preferência do Kaiser e, por isso, ninguém tinha coragem de falar abertamente contra ele. Apenas sussurravam entre pessoas cuja amizade acreditavam que fosse confiável, e, mesmo assim, olhavam ao redor forçando para ver se não havia olhos espreitando na esquina.

Quanto mais Bruno subia na hierarquia, mais os membros da antiga aristocracia passariam a desprezá-lo, especialmente quando desafiava certas normas sociais. Em sua maior parte, Bruno era um tradicionalista convicto, grande defensor da monarquia e, de modo geral, da instituição da nobreza.

No entanto, havia questões que ele considerava pouco práticas e que precisavam evoluir com o tempo. Por exemplo, a ideia de que famílias nobres só deviam se casar dentro de sua própria classe social. Isso havia causado defeitos genéticos de longo prazo em muitos lares nobres, especialmente os mais antigos.

As ricas linhagens daqueles cujos antepassados ascenderam em tempos de conflito e sangue derramado inicialmente faziam dos cavaleiros, senhores e reis famílias geneticamente mais dotadas. Pois os excepcionais subiam ao topo e geravam filhos excepcionais.

Porém, com o passar do tempo, sem sangue novo circulando por essas linhagens antigas, elas acabariam definhando e apodrecendo por conta do endogamia. Essa era uma das várias razões pelas quais Bruno não hesitava em casar seu filho mais velho com uma plebéia russa.

No entanto, isso também era algo mal visto por muitos, especialmente porque a família de Bruno tinha sido recentemente elevada à nobreza; casar seu herdeiro com uma plebéia significava negar esse mesmo privilégio a outra casa nobre, e isso gerava ressentimento entre figuras de poder.

No fim das contas, Christoph não via esse assunto como uma questão que precisasse ser resolvida por ele. Afinal, ele não estava na posição do irmão mais novo, nem tinha uma ligação estreita com ele; na verdade, só se pronunciaria se testemunhasse algo pessoalmente ou ouvisse algo que pudesse ser considerado uma ameaça.

Infelizmente, ao interromper sua esposa e suas amigas enquanto conversavam, naquele momento em que falavam mal da família de Bruno, Christoph agora se via numa posição delicada, precisando confrontar a calúnia que estavam espalhando contra sua própria linhagem.

Depois de tudo, a ascensão de Bruno tinha elevado sua própria família — e todos que carregavam seu sobrenome — a um reconhecimento muito maior do que já tinham. Seja pelo número de missões militares que recebiam, ou pelos convites para eventos sociais importantes.

A família von Zehntner tornou-se uma referência no Reich alemão, e Bruno até premiara alguns membros com cotas em várias de suas corporações.

Christoph detinha uma cota de 5% no banco pessoal de Bruno, usado para equilibrar os interesses daqueles que tentavam desestabilizar o Reich alemão — embora ninguém soubesse exatamente para que servia essa instituição, além do próprio dono.

Recentemente, discutia-se oficialmente reconhecer a linhagem principal da família von Zehntner como condes, pelos serviços prestados ao Reino da Prússia e ao Reich alemão ao longo dos anos.

Isso os elevaria à nobreza máxima, reforçando sua posição, considerando que o mais jovem da família principal agora era príncipe na Rússia e grão-príncipe da Transilvânia.

Com tudo isso em mente, Christoph se via obrigado a repreender as mulheres que o olhavam com medo e a repreender sua esposa duramente na frente delas. Afinal, elas tinham a audácia de se associar a essas fúteis e a espalhar calúnias contra a própria família dela.

O tempo que Christoph deu para que essas "senhoras" de alta linhagem revissem seus comentários estava se esgotando, enquanto ele as encarava com olhos vermelhos de fúria e punhos cerrados. Sua face quase ficara vermelha de raiva.

Não por causa do que tinham dito, mas por ousarem falar disso em sua casa — e sua própria esposa ter facilitado a coisa, ao invés de interrompê-las. Isso ferira profundamente a reputação de sua família imediata, e, se a notícia se espalhasse para seus irmãos, seu prestígio na casa despencaria drasticamente.

Talvez, por uma dessas mulheres ser condessa, ela achou que tinha direito de agir como quisesse naquela humilde casa de um filho de sapateiro. E logo partiu para o ataque, reagindo ao que Christoph tinha acabado de dizer.

"Minha nossa, acho que nunca conheci um homem com um ego tão grande a ponto de me dizer, uma condessa, que vai me expulsar da própria casa! Se mexer comigo, veja só!"

*el combate*

O som do tapa que Christoph meteu na face da "senhorita" ressoou na sala como um relâmpago bem próximo, fazendo todos estremecerem com a força do impacto. A surpresa causada pela ação foi ainda mais chocante.

Nem a esposa de Christoph, nem as outras amigas podiam acreditar que aquele homem tinha acabado de agredir a esposa de um conde. E a própria condessa, com a face vermelha de dor, sentiu o ardor do golpe. Logo, lágrimas começaram a escorrer, lavando a maquiagem pesada que cobria seu rosto envelhecido.

Revelando as rugas que ela tentava disfarçar a qualquer custo, ela encarou Christoph com os olhos carregados de ódio, enquanto o homem projetava sua voz em um grito. Foi a mensagem mais selvagem que qualquer um já ouvira na vida.

"Você ousa me bater? Seu patife! Vou comunicar ao meu marido essa afronta!"

Christoph não recuou; ao ouvir aquilo, gritou de volta, com bravura, enquanto ela saía em fúria da casa.

"Vá contar ao seu marido cornudo o que fiz. Duvido que tenha coragem! Em duas semanas, se ele tiver coragem de desafiar minha honra, terá um corpo sem vida no quintal. Vá, vadia!"

Depois de dizer isso, Christoph voltou seu olhar para as outras mulheres — que assistiam à cena como se fosse uma peça teatral — só percebendo que elas tinham feito uma grande burrada ao renovarem sua raiva nos olhos azuis do homem. Rapidamente, espalharam-se antes que Christoph pudesse fazer o mesmo com elas.

Só após todas as amigas da esposa terem saído, Christoph resolveu dar uma bronca na própria mulher, dizendo exatamente o que pensava dela.

"Você está tão desesperada pela aprovação dessas vadias que está disposto a manchar a reputação da sua própria família?!? Deixe-me esclarecer uma coisa, mulher, já que parece não entender."

"Não sou tão passivo quanto você pensa. E, se descobrir que está envolvida nas mesmas atividades noturnas dessas vadias, farei com que seu corpo nunca seja encontrado. Entendeu?"

Nada que a esposa de Christoph dissesse conseguiria acalmar a fúria do marido. Ela permaneceu silenciosa até ele começar a subir a escada. E, quando o fez, ela o chamou.

"E o que você vai fazer a respeito da Claudia? Você sabe que o marido dela é um homem muito poderoso e rico! Se você bater nela, pode ser facilmente preso!"

Christoph inicialmente não respondeu, apenas continuou subindo as escadas. Foi só quando voltou ao topo com uma caixa de madeira que falou pela primeira vez.

"Como já te disse àquela vagabunda que você diz ser sua amiga, se o marido dela tiver coragem de exigir satisfação, vamos resolver do jeito antigo. Que as leis que se dane, quero ele morto e enterrado no meu quintal em até duas semanas..."

Após dizer isso, Christoph abriu a caixa de madeira e revelou dois pistolas de duelo — completamente únicas. Uma

que era um conjunto de uma de uma peça, feita especialmente para seu próprio entretenimento, carregada com munições do calibre americano .45-70 gov.

Essas pistolas tinham canos de rifle, acabamento em aço blued, detalhes em damasco de ouro, e grips de marfim. Eram tão belas quanto letais. Quando Christoph as viu, ela quase teve um ataque.

Porém, o homem simplesmente carregou uma rodada de .45-70 na culatra e a fechou. O ato, por si só, deixou a mulher completamente silenciada de medo. E, ao virar o rosto para olhá-la, Christoph não exibia nenhuma emoção, dizendo as palavras que fizeram a espinha de sua esposa gelar:

"O que você estava dizendo?"

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