Re: Blood and Iron

Capítulo 326

Re: Blood and Iron

Após a aposentadoria do pai de Bruno, tanto da política quanto do negócio da família, seus filhos o haviam substituído em ambos os aspectos. No palco da política, seu filho Ludwig havia assumido o papel de patriarca da casa.

Já no negócio familiar, o filho mais velho e presumível herdeiro tinha recebido essa prerrogativa. Franz, no entanto, era um homem conhecido por passar a maior parte do tempo no exterior, atuando como um vendedor bastante decorativo.

E, ao fazer isso, deixava o controle das operações do dia a dia da empresa para seu irmão mais novo, Christoph. Christoph, sendo o segundo mais velho entre os irmãos de Bruno, teve pouca interação com nosso protagonista quando era bem pequeno.

Por conta disso, o vínculo entre eles não era muito forte. Mas, enquanto o homem não nutria um verdadeiro carinho pelo irmão mais novo, também não tinha inimizade alguma. Bruno era uma coluna da família, e embora tenha havido alguma controvérsia inicial devido ao casamento morganático dele, essas questões já estavam resolvidas há bastante tempo.

Por iniciativa própria, Bruno fez de sua esposa uma princesa legítima e, recentemente, elevou seu status, concedendo-lhe o título de Grã-Princesa. Claro, eram títulos estrangeiros, e um deles literalmente uma herança de terra, mas, no mundo da nobreza, isso não tinha tanta importância.

O que realmente importava era o título em si, não de qual país ele vinha. Por isso, a nova posição de Heidi tinha que ser respeitada acima de tudo.

Ela agora era literalmente de uma casa nobre, e não apenas por ter se casado com alguém, mas por ter ajudado a fundar uma, com Heidi como esposa do cabeça dessa linhagem. Isso fazia parte da ramificação mais recente da família von Zehntner, fundada por Bruno na Transilvânia para distinguir sua linha de sucessão da do pai.

Claro que isso criou alguns pequenos transtornos para Christoph, que agora precisava tratar seu irmão mais novo como alguém superior. Algo com o qual ele não tinha problema algum, pois tinha autoconhecimento suficiente para reconhecer o quão extraordinários os feitos de Bruno tinham sido na vida, e o quanto ele era mais valioso para o Reich alemão do que ele próprio.

Por outro lado, a esposa de Christoph não gostava nada da ideia de abaixar a cabeça diante da "Bastarda Princesa da Transilvânia".

Um apelido que só se atreviam a pronunciar as rezingas mesquinhas e ciumentas que o criaram em segredo. Nem mesmo seus maridos sabiam do título que elas “concederam” a Heidi, por quem nutriram tanto desprezo — não apenas porque ela brilhava muito mais do que a própria mediocridade delas, apesar de ser de origem inferior.

Os humanos, afinal, são por natureza tribalistas. E, surpreendentemente, conseguem formar identidades tribalistas a partir de quase qualquer coisa. Seja pela família em que nasceram, pela nação, pela religião escolhida ou, às vezes, até pelo time de futebol favorito.

Observando o comportamento humano, seria possível se surpreender com toda a besteira que nasce daí, se basta se sentar e assistir por tempo suficiente. E, ao fazer isso, notar um fenômeno peculiar — o que é mais comum entre as tribos, ou "comunidades": muitas vezes, a pessoa mais medíocre de uma identidade tribal se declara superior na vida, não por suas realizações pessoais, mas pelos feitos coletivos do seu grupo, do qual ela se orgulha.

Isso era bem comum em quase todas as tribos ou “comunidades” que surgiam. Assim, fazia sentido que mulheres medíocres da nobreza europeia se achassem superiores à Heidi, não por mérito pessoal, mas por terem nascido na família certa — a própria casa nobre.

Obviamente, essas patéticas criaturas estavam fofocando na sala de estar da própria casa de Christoph, enquanto sua esposa era anfitriã dessas fofocas. E o assunto era as ameaças recentes de Alya às suas próprias galinhas.

"Você ouviu as últimas notícias daquela família? Coitada, ela decidiu casar seu filho mais velho, herdeiro do clã princípe, com uma órfã russa. Acho que, por ela mesma não ser bem criada, até deve sentir alguma pena dessas trastes."

"Não é surpresa nenhuma que a garota russa tenha explodido com as amigas por comentarem o quão estranha é o noivado dela com o príncipe!"

Essas velhas rezingas não estavam realmente preocupadas com a diferença de idade entre Alya e o futuro marido. Para elas, isso pouco importava, pois várias delas já tinham casos ilícitos com homens bem mais jovens do que elas mesmas.

O motivo de brigarem com Alya, na verdade, era o fato de uma órfã de origem baixa estar se casando com o herdeiro de uma linhagem de Grandes Príncipes. E, por mais que não fosse nada que as envolvesse, isso as deixava furiosas.

Embora a esposa de Christoph só tivesse ficado sabendo dessa notícia agora, pois sua família não tinha relação tão próxima com Bruno — apenas compartilhavam o mesmo sobrenome —, ela fez de conta que sabia, concordando com a cabeça e comentando a respeito.

"De fato, um escândalo e tanto! Considerando que ela ajudou a criar essa pequena russa, acho que é por isso que a chamamos de Bastarda Princesa da Transilvânia, não é?"

Ela então voltou a saborear seu chá, com os olhos arregalados de choque ao ver seu marido de pé atrás de uma amiga que ousou falar sobre o assunto. O homem olhava para sua própria esposa como se fosse matá-la. E o tom de voz dele ao falar condizia com esse sentimento.

"O que diabos foi que eu acabei de presenciar? Quando você fala na Bastarda Princesa da Transilvânia, você não está se referindo à minha cunhada, está?"

Todos os olhares se voltaram para Christoph, que, na maior parte do tempo, era considerado um homem muito mais honorable do que o irmão mais velho. E, ao ver a fúria estampada no rosto do homem, todas imediatamente ficaram pálidas e petrificadas.

Nem uma delas ousou falar enquanto Christoph se aproximava furioso, exigindo respostas.

"Fale agora! Ou então farei expulsar daqui todas essas bruxas patheticamente medíocres por esse insulto grave à minha família!"

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