Re: Blood and Iron

Capítulo 302

Re: Blood and Iron

Ainda que tenham utilizado tanques na Frente Ocidental em uma investida audaciosa no dia de Natal na fronteira belga, o ataque foi, no fim das contas, repelido. Com várias dezenas de tanques aliados destruídos e algumas centenas de homens mortos, dava para perceber facilmente que aquilo não passara de uma tentativa de medir as fortificações na fronteira e avaliar sua capacidade de derrotar veículos blindados.

Mesmo assim, não era nada que empatizasse muito a alta direção alemã, que estava mais concentrada em mover tropas, suprimentos e, principalmente, seus próprios blindados do balcãs para os Alpes. Reabastecimento, reforço e reposição de perdas durante a operação tinham prioridade máxima.

Soldados russos, austro-húngaros e gregos avançariam todos para o oeste, com a frente mais ao leste fechada. Colocando milhões de homens em ação. A maior parte seria enviada para reforçar a Frente Ocidental, com o mesmo objetivo de sempre ao longo do último ano.

Manter a linha até que os outros teatros de guerra fossem fechados dentro do continente europeu. Ao mesmo tempo, a flotilha austro-húngara, helênica e russa começou a pressionar para cercar e bloquear a península italiana.

Talvez eles conseguissem cortar o auxílio material vindo da Itália pelo mar, mas a região estava conectada à França pelo oeste, podendo facilmente obter tropas e munições na fronteira. Diferente da Sérvia ou do Império Otomano, que só podiam confiar na ajuda de aliados por meio do comércio marítimo.

Por isso, era de se esperar uma troca livre de forças entre o teatro dos Alpes e a frente ocidental. E, se isso fosse o caso, essa seria a primeira verdadeira provação de Bruno contra uma potência maior. O Império Otomano não poderia, de fato, ser considerado uma das grandes potências do mundo em 1914, quando a guerra começou.

E, embora a Itália fosse a menor das grandes potências, Grã-Bretanha e França não poderiam ser facilmente superadas. Por mais impressionantes que fossem as conquistas militares de Bruno, um homem cínico ou um adversário ideológico poderia alegar que ele tinha jogado o peso do Exército alemão contra potências menores, e que, portanto, suas campanhas nada mais eram do que uma intimidação dos fracos com suas conquistas.

Porém, isso não poderia ser dito se Bruno avançasse implacavelmente contra os Aliados ocidentais, e era exatamente isso que o mundo observava e aguardava ver. Os tratados necessários para encerrar a guerra no leste já tinham sido assinados, e a temporada de festas estava chegando ao fim.


Por isso, Bruno desconfiava que, lá pelo meados de janeiro, ele e seus homens seriam enviados novamente para a guerra. Mas essa era uma preocupação para outro momento, pois hoje era Natal. Horas depois, o ataque na fronteira belga tinha sido concluído.

Bruno tinha sido brevemente atualizado sobre a situação antes de voltar para sua família. Vestido, talvez, com o suéter de Natal mais horrível que alguém pudesse imaginar, Bruno tinha se esforçado ao máximo para as festas.

Heidi entrou no quarto vestindo uma roupa igualmente horrenda, coberta de enfeites por toda parte, mas, por ser uma mulher linda, ela parecia bastante elegante, enquanto Bruno, um homem, parecia apenas bobo.

As crianças estavam reunidas perto da lareira, de olhos bem abertos e cheias de empolgação, esperando para abrir os presentes. Enquanto isso, Bruno e Heinrich sentados em suas cadeiras, se deliciavam com o Eierpunsch extra fortificado, que Bruno tinha preparado especialmente para a ocasião.

Considerando que ele tinha conseguido estar em casa a tempo do feriado, depois de passar o último ano na guerra, ele se sentia bastante satisfeito com seu destino. E a bebida forte, que lembrava o Egg Nog americano, não era a única responsável por essa sensação de calor.

Heinrich reparou que Bruno tinha ficado mais feliz recentemente, e não demorou a fazer um comentário, lembrando que o outro irmão de armas dele provavelmente estava aproveitando para fazer alguma traquinagem fora do clima natalino, naquele momento.

"Você parece uma pessoa quase diferente esses dias. Como se a sua vitória nos Balcãs tivesse tirado um peso enorme dos seus ombros. Quase não te reconheço… O Erich sente o mesmo, sabia?"

"Ainda acho que aquele filha da puta deve estar aí, estrangulando algum gato de rua agora… É assim que um safado desses celebra o Natal, né?"

As bochechas de Bruno ficavam levemente rosadas enquanto ele ignorava as insinuações grosseiras de Heinrich, que, na verdade, eram falsidades flagrantes sobre seu amigo em comum. Estava claro, ao observar seus olhos marejados e a tez, que Bruno tinha bebido um pouco demais.

Por isso, ele recostou na cadeira, olhando para sua mulher e seus filhos, que se divertiam abrindo seus presentes.

Presentes modestos, apesar da riqueza da família. Mas, mesmo assim, eram bem mais pessoais do que qualquer coisa comprada numa loja, pois tinham claramente sido feitos à mão. Para ser exato, feitos pelas mãos de Heidi.

Veja bem, Bruno não acreditava em mimar os filhos, apesar da extensa fortuna da família. Na verdade, odiava como o Natal, na sua vida passada, tinha sido transformado em mais uma festividade vazia, baseada na ganância humana, que era totalmente contrária ao seu verdadeiro propósito.

Por isso, ele nunca dera nada extravagante aos filhos como presente de feriado, seja de aniversário ou Natal. Além disso, Bruno também impusera entre eles uma ética de trabalho rigorosa.

Os mais velhos, por exemplo, já estavam bastante envolvidos no esforço de guerra, com Eva e Elsa ajudando a cuidar das obras de caridade da mãe, enquanto Erwin treinava ativamente em uma escola militar para cadetes juniores.

Mesmo assim, nenhum deles se atrevia a reclamar das meias de lã ou de qualquer outro item que a mãe havia feito à mão especialmente para eles. Na verdade, cada criança agradecia de coração aos pais, que há muito lhes ensinara o verdadeiro significado do Natal.

Quando Bruno viu sua família feliz desfrutando dos doces feitos por sua esposa e dos presentes que ela mesma costurara para o uso diário das crianças, percebeu o quanto sempre desejara comemorar essa data dessa maneira.

Uma forma que, no seu passado, nunca tinha acontecido. Natal nunca deveria ser uma festa de consumismo vazio ou de presentes luxuosos de familiares que mais pareciam estranhos, que só sabiam demonstrar "amor" comprando coisas caras e pequenas besteiras, porque alguma corporação dizia que você "precism" disso.

Não, o Natal era uma data fundamentalmente sobre fé e família. Um momento para celebrar o nascimento do salvador, mesmo que a data exata não fosse precisa. E para comemorar aquele dia em que a divindade nasceu na vida mortal, em forma humana, cercado pelas pessoas que amamos.

Enquanto pensava nisso tudo, Bruno não pôde deixar de expressar seus pensamentos em voz alta, sem pensar muito, algo que raramente fazia na vida.

"Claro que eu estaria feliz... Olhe ao seu redor, meu amigo… É tudo que eu sempre quis na vida..."

Ao dizer isso, Bruno colocou seu copo meio cheio de bebida e fez menção de se juntar à sua família na celebração. E Heinrich, talvez inspirado pela mudança de perspectiva de Bruno, foi logo fazer o mesmo, levando consigo a filha adotiva.

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