
Capítulo 335
Re: Blood and Iron
A morte prematura de Winston Churchill abalou o mundo todo, de maneiras completamente imprevisíveis. Mesmo com seu conhecimento dos eventos futuros e uma capacidade muito maior de identificar padrões e prever seus desfechos com antecedência, Bruno não conseguiu determinar com precisão o que exatamente resultaria do que se imaginava ser o assassinato do futuro Primeiro-Ministro britânico.
É verdade que suas próprias ações tinham mudado diretamente o curso da história de maneira semelhante, mas isso… Isso foi totalmente inesperado, e quando Bruno ouviu a notícia, bem, era fácil entender por que ele ficou chocado; ou seja, se você compreendesse a sua perspectiva.
O que ninguém além de sua esposa realmente compreendia. Na verdade, Heidi podia facilmente deduzir que aquilo não deveria ter acontecido, já que isso tomou os noticiários de assalto. Apesar de não ser uma genialidade incomparável, ela também não tinha formação universitária.
Porém, ela cresceu na biblioteca da família de Bruno junto com ele e recebeu uma educação adequada até o momento do casamento. Ela era mais do que capaz de entender a realidade de que aquilo não deveria acontecer.
Mesmo que Bruno não tivesse mencionado uma ou duas vezes o nome de Churchill no contexto de eventos futuros ainda por vir nesta vida, algo que Heidi conseguia recordar imediatamente, ela saberia que aquilo era um fato que não deveria ter ocorrido.
Ela queria desesperadamente tentar falar com o marido para entender o que estava acontecendo, mas o homem estava claramente bastante ocupado com a guerra na Itália e, mesmo com seus recursos, seria difícil tirá-lo de lá.
O que ela pôde fazer, enquanto ouvia a transmissão de rádio retratando o assassinato de forma macabra, foi torcer para que Bruno tivesse uma estratégia para se adaptar, improvisar e superar os desafios que essa situação, sem dúvida, lhe apresentaria enquanto a guerra continuasse.
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O Alto Comando alemão ficou bastante chocado ao saber que Churchill havia sido morto nas ruas de Londres. A arma usada teria sido calibre .303 britânico, e, segundo a ciência balística, teria disparado de um cano de 640mm.
Isso sugeriria que poderia ser um Lee Enfield SMLE, que até então estava em uso no campo de batalha. Ou… poderia ser uma das Mauser 98 reformuladas, com novo cartucho ajustado, cano refeito, nova coronha e sem marcas de fabricação ou provas que indicassem sua origem, para esconder sua procedência.
Se fosse esse o caso, o Reich alemão seria, em certa medida, responsável pela morte de Churchill. Mas… não havia como saber ao certo, pois os assassinos escaparam e dizia-se que estavam usando máscaras vermelhas e braçadeiras, simbolizando que eram membros da União Socialista Britânica.
Uma organização radical bolchevique inspirada pelo Exército Vermelho, que surgira na Grã-Bretanha como consequência da interferência de Bruno na linha do tempo. E, se isso fosse verdade, os alemães estariam sem culpa, já que nunca armariam revolucionários marxistas após o que fizeram com a Rússia uma década antes.
A verdade é que os comunistas acabaram levando a culpa, apesar de os homens que realizaram o ataque serem um grupo patriótico, porém isolacionista, que desejava o fim da guerra. Churchill, um dos mais belicistas do governo britânico, precisava morrer para que seus planos fossem concretizados.
Pois não havia nenhuma possibilidade de paz entre Alemanha e Grã-Bretanha sem que primeiro a Alemanha fosse completamente destruída, enquanto Churchill permanecesse vivo. E como isso se mostrava praticamente impossível de conseguir, a guerra continuaria até que os alemães decidissem parar de explorar seus homens por XP e marchassem até Paris.
Com lideranças que compreendiam bem essa realidade, esses patriotas britânicos marcaram Churchill para morte e incriminaram a União Socialista Britânica pelo atentado. E, pela primeira vez desde o início da guerra, o governo britânico começou a discutir consigo mesmo se valia a pena continuar lutando.
As perdas até então chegavam a quase um milhão de homens na Europa sozinha. Sem falar nas mortes nas colônias e nas várias rebeliões que precisavam ser sufocadas ao redor do mundo.
Sem mencionar os danos à Marinha Real, que levariam, pelo menos, uma década para se recuperar totalmente. A guerra durava muito mais do que eles imaginavam inicialmente. E a frente doméstica estava na beira de uma guerra civil completa.
Especialmente agora, que o Primeiro Lorde do Almirantado foi assassinado fora do Parlamento por revolucionários socialistas! Mas, se eles recuassem agora, os alemães facilmente se tornariam a potência máxima da Europa, ou até do mundo.
Se já não eram, ou seja. A influência britânica certamente diminuiria, e seus aliados seriam obliterados. Seria esse o preço que o governo britânico estava disposto a pagar por paz?
Esse era o debate que acontecia agora na Câmara dos Comuns e no Parlamento, enquanto o Rei George V permanecia sentado em seu trono, tentando decidir o que fazer perante aquela confusão.
Ele ficou quase em estado de choque ao ouvir que Churchill, enfim, tinha sido assassinado. Seus ministros, muitos dos quais com posições opostas ao assunto, tentaram aconselhá-lo.
George percebeu que o fator decisivo para decidir se continuariam na guerra estava, na verdade, do outro lado do Atlântico. Por isso, perguntou rapidamente qual era a opinião dos Estados Unidos sobre os acontecimentos recentes.
"E como estão as eleições americanas? O candidato pró-intervenção está vencendo ou perdendo?"
Primeiro, ninguém falou nada, até que, após alguns momentos de silêncio, um dos ministros do rei finalmente informou como as eleições nos Estados Unidos estavam se desenrolando.
"Parece que o provável indicado do Partido Democrata será Woodrow Wilson. Depois de passar os últimos quatro anos desmentindo sua reputação manchada e os rumores que o cercam.
Ele está ganhando popularidade ao prometer reabrir a economia mundial e intervir no conflito vendendo armas, munições e outros produtos manufaturados. Diria que, pelo estado atual, não há como saber quem vencerá a eleição geral…"
Ao ouvir isso, o rei George deixou escapar um suspiro pesado e permaneceu completamente em silêncio. Seus pensamentos estavam a mil, e não tinha uma resposta clara a dar naquele momento. De qualquer forma, o que a Grã-Bretanha decidisse agora teria implicações enormes para o futuro não só do seu império, mas do mundo inteiro.