Re: Blood and Iron

Capítulo 334

Re: Blood and Iron

Embora o front de guerra alemão estivesse muito mais estável do que na vida passada de Bruno, isso se devia principalmente ao fato de que suas perdas tinham sido mínimas em comparação com o que havia ocorrido na linha do tempo anterior. França e Grã-Bretanha, no entanto, estavam longe de estar bem.

Milhares de mortos de ambos os lados jazeram no campo. E a ofensiva atual estava aumentando esses números, dia após dia, em dezenas de milhares. A contagem de mortos entre as duas nações se aproximava rapidamente de 3 milhões, o que ultrapassava o número de vítimas na mesma guerra na sua antiga versão.

Os governos tentaram esconder essa realidade do público. Mas essa não era uma tarefa fácil. Claro, podiam mentir às famílias sobre os mortos no campo de batalha, para evitar que o aviso se espalhasse, já que cada vez mais entes queridos não retornavam do front.

Porém, como eles explicariam quando o soldado tivesse sua folga agendada? E ainda assim, ele não voltasse para casa? Consegue imaginar o caos que causaria se o governo mentisse dizendo que seu filho ou irmão morreu na guerra, e só revelassem a verdade quando ele fosse, temporariamente, voltar para descansar?

Essa era uma possibilidade que, felizmente, as Potências Aliadas entendiam ser suficiente para derrubar a guerra sozinhas. Por isso, esforçaram-se ao máximo para suprimir as estatísticas reais de mortos, controlando rígidamente a mídia.

Mas, obviamente, boatos se espalhavam como fogo. Se todo mundo que você conhecia tinha perdido um filho, irmão, tio ou primo na guerra, não era preciso ser um gênio para juntar as peças na cabeça.

Quer dizer, qual seria a probabilidade de todas as baixas acontecerem numa pequena cidade no interior do País de Gales? E aí está o problema: não se podia esconder completamente uma mortandade tão avassaladora.

E o pior eram os milhões de feridos que retornavam para casa com histórias de suas experiências nas trincheiras. Claro, também havia prisioneiros de guerra, capturados pelos alemães, que eram tratados humanamente.

No começo, os aliados tentaram culpar muitas dessas mortes pelo mau tratamento dos prisioneiros pelos alemães. Mas essa acusação foi rapidamente contrabalançada por equipes de reportagem da França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e outros países autorizados a visitar as prisões onde esses prisioneiros estavam.

O tratamento era muito superior ao que as Convenções de Haia exigiam, uma forma dos alemães evitarem essas acusações por completo.

E, como grande parte da mídia americana estava sob influência de Bruno, naturalmente publicariam em massa histórias de que os alemães tratavam bem seus prisioneiros de guerra, além de criticarem abertamente os governos britânico e francês por caluniar o Reich alemão com acusações tão infundadas.

Resumindo, à medida que mais homens não retornavam do front, a Inglaterra e a França sentiram essa dor profundamente. As fábricas ficavam com falta de pessoal, obrigando mulheres a trabalharem nelas. E, cada vez mais, as fazendas também eram afetadas.

De fato, a produção agrícola deste ano foi bem menor do que em anos anteriores. A guerra cobrava seu preço sobre a Inglaterra e França, e quanto mais os governos tentavam repressa essas perdas, mais as pessoas mais afetadas se rebelavam.

Com o comando alemão decidindo armar esses rebeldes, eles usavam armas capazes de causar vítimas às forças britânicas e francesas, mesmo de forma clandestina.

O objetivo era simples: a guerra precisava acabar. Não daqui a um ano, nem daqui a um mês.

Era preciso que terminasse hoje! E por isso, homens mascarados, vestindo roupas civis comuns, estacionaram um carro próximo ao prédio que abrigava o Parlamento Britânico e subiram numa torre próxima, abrindo suas maletas que continham vários rifles com mira telescópica.

Era um Mauser 98, que os alemães haviam fornecido, além de uma peça de óptica antiga, de origem obscura, junto ao cano, parecendo ter sido instalada num serviço de garagem.

Quando um dos homens colocou a mira na janela e olhou pelo visor de sua arma, rapidamente comentou, usando seu lenço vermelho, sobre o objetivo da missão.

"Você acha mesmo que, se matarmos esse cara, vão culpá-lo pelos vermelhos?"

O outro homem olhou para quem tinha feito essa pergunta como se fosse um idiota, e deixou claro que compartilhava do sentimento.

"Você é um idiota de verdade? Claro que vão! Nós, ou não, parecemos vermelhos agora? É só atirar nesse sujeito, e depois disparar uma enxurrada de tiros, chamando atenção pra gente. Depois, eles vão focar nos bolcheviques, e não em nós!"

Quando o homem que tinha sido ofendido na cara foi quase a argumentar, seu alvo apareceu saindo pela porta principal do palácio. Se alguém do passado de Bruno, com um pouco de conhecimento de história mundial, olhasse para aquele homem, logo reconheceria: era Winston Churchill.

Ele era o Primeiro Lorde do Almirantado Britânico, principal conselheiro civil da Marinha do Reino Unido. Tinha acabado de fazer um discurso no parlamento, assegurando que a Grã-Bretanha em breve retomaria o controle das ondas.

E agora, ele se aproximava de seu carro, pronto para retornar à segurança. Ou assim parecia. Infelizmente para ele, uma equipe de snipers tinha o alvo fixado em seu peito e na cabeça. E, ao sinal de três, todos apertaram o gatilho, disparando contra o primeiro-ministro britânico, atingindo-o três vezes.

Duas no peito e uma na cabeça. Depois, os homens, vestidos de revolucionários comunistas, fugiram do local, fazendo barulho e gritando slogans marxistas ao se retirarem.

Sem intervenção direta de Bruno, aquele que fora responsável pela resistência britânica em aceitar uma Paz Branca em 1940, após Dunkirk, além de culpado pelo fim do Império Britânico e pelo papel de Grã-Bretanha como potência mundial, foi morto nas ruas na primavera de 1916.

Isso provocou uma condenação maciça à União Soviética, ao socialismo, ao comunismo e a todas as formas de marxismo que pudessem surgir na sociedade civil, mudando para sempre os rumos da história. Ainda se desconhecia se isso seria a favor ou contra Bruno.

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