
Capítulo 265
Re: Blood and Iron
Logo após o fim da batalha, chegou a notícia pelo rádio de que, no auge do inverno, em meio a uma das tempestades mais violentas já registradas nos Alpes, o Exército Italiano tomou uma atitude desesperada. Uma estratégia que acabou compensando além do esperado.
As linhas de frente em Isonzo ruíram durante a noite, e as linhas secundárias caíram pouco tempo depois. Reforços chegaram no exato momento para segurar a linha na terceira zona de defesa. Mas o conflito continuava, mesmo agora, enquanto Bruno estava em seu escritório, tomando uma dose de vodka enquanto folheava os relatórios nas mãos.
Os austríaco-húngaros presumiam que ninguém atravessaria a terra de ninguém naquele clima tão gélido e implacável. E, com toda razão… Não era uma jogada inteligente. Mas homens desesperados raramente agem com sabedoria em mente.
Talvez pelo fato de ser uma manobra tão imprevisível ou, ao menos, de baixa probabilidade, a liderança sênior em Isonzo teria relaxado suas cautelas, enquanto seus soldados se escondiam em volta de fogueiras, com todos os mantos e mantas que conseguiam reunir.
Essa negligência em proteger as linhas defensivas acabou sendo sua ruína. E, na opinião de Bruno, ele jamais teria permitido que tal coisa acontecesse se estivesse no comando da operação.
Por que isso? Porque ele conhecia a natureza humana de forma excepcional e, por isso mesmo, era profundamente paranoico. Mesmo após a neve, Bruno garantiria que, pelo menos, os homens fizessem rodízios de vigilância.
Seus homens certamente o odiariam por isso, mas, no final das contas, enquanto alguém estivesse numa zona de guerra, conforto era secundário em comparação com a segurança operacional. Uma lição que a liderança austro-húngara aprendeu ao custo do sangue. E, pelo jeito, rios dele…
Depois de tomar a dose de vodka, Bruno se serviu de outra enquanto Heinrich se aproximava com mais informações nas mãos. E parecia ser uma notícia ainda pior, dado a expressão no rosto dele.
— Então… Seu pedido ao Alto Comando Naval para começar a utilização do Contratorpedeiro que você preparou foi aceito.
As palavras de Heinrich não correspondiam exatamente ao que refletia sua expressão ou o tom de voz. Isso fez Bruno responder com uma voz severa, questionando de forma direta com uma única palavra:
— E?
O modo como Bruno falou fez Heinrich rir e balançar a cabeça ao entregar os papéis para ele, antes de se virar com um gesto de despedida.
— Veja você mesmo. Preciso liderar minha brigada numa expedição punitiva contra os militantes no Kosovo... Quando eu voltar, você e eu precisamos conversar sério sobre essa pequena operação que você e sua esposa armou às minhas costas!
Bruno não se incomodou em responder a essa afirmação, concentrando-se totalmente na leitura do relatório. E as notícias não eram boas. De forma nenhuma. Embora o Alto Comando tivesse aprovado a adoção do Contratorpedeiro, assim como o Comitê do Bundesrat para Assuntos Navais.
Decidiram, mais ou menos, usá-los inteiramente para os próprios fins, destinando as embarcações para uma "futura invasão às Ilhas Britânicas, caso fosse necessário...".
Seus planos de invadir Gallipoli e libertar a Frota do Mar Negro de seu confinamento foram completamente frustrados antes mesmo de começarem, e, por isso, Bruno ficou furioso. Foi preciso toda sua força interior para não jogar a garrafa de vodka pela janela naquele momento.
Em vez disso, suspirou profundamente, balançou a cabeça e puxou um mapa da região do Mar Negro, com as ferrovias que a cruzavam. Era uma sorte Bruno acreditava em planos de contingência. Não era do tipo que apostava tudo em uma única jogada.
Se seu primeiro plano fracassasse por qualquer motivo, havia sempre o Plano B, ou o Plano C, se até mesmo esses falhassem. Para cada ação que decidia tomar, tinha pelo menos duas alternativas preparadas, na reserva, prontas para usar se necessário.
Para acabar com o Império Otomano, havia de fato três cenários que ele havia planejado. Com sua esquadra de Contratorpedeiros adotada e comandada pela Kaiserliche Marine para seus próprios tolos propósitos, Bruno agora tinha duas opções.
A primeira delas era deixar uma pequena força de Gendarmes Austro-Húngaros nos Bálcãs para continuar combatendo os militantes locais e manter a lei e a ordem, enquanto o restante de suas tropas se deslocava para Odessa de trem e estrada, levando suas armas e soldados.
De lá, eles embarcariam na Frota do Mar Negro e se posicionariam na Trácia Oriental, evitando totalmente o Estreito de Bósforo. Idealmente, poderiam tomar Constantinopla antes que a primavera chegasse ao Mediterrâneo e, assim, tirar o Império Otomano da guerra nos primeiros meses de 1915.
Para isso, precisariam da ajuda do Reino da Bulgária, pelo menos na forma de acesso militar que permitisse ao Exército Helênico interceptar as tropas otomanas em Trácia Oriental, enfrentando duas frentes de batalha.
E isso, claro, jamais ocorreria. Porque Bulgária e Grécia pareciam lutar pela supremacia na região toda. Por causa disso, havia, é claro, uma terceira alternativa: provocar a Bulgária a entrar na guerra em favor dos Aliados e marchar até a capital deles antes que recebessem ajuda do Ottomano, avançando para a Trácia Oriental.
De qualquer forma, a existência do Reino da Bulgária e sua recusa em negociar com a Grécia e, por extensão, com as Potências Centrais, foi o maior fator que impediu que qualquer um desses planos fosse mais viável do que invadir por Gallipoli. Por isso, Bruno os via como contingências, e não como seu plano principal de invasão.
Decisões, decisões…