Re: Blood and Iron

Capítulo 257

Re: Blood and Iron

A invasão da Albânia foi rápida de mais, tanto que dá para dizer que os guerrilheiros não tiveram tempo de se preparar para o ataque alemão. Tanques avançaram por todas as cidades do pequeno país dos Bálcãs com precisão, e soldados alemães abatiam os diversos combatentes que se colocavam à sua frente com habilidade de atirador de elite.

Ou pelo menos aqueles que não eram dilacerados por canhões automáticos de 20mm e metralhadoras de munição belt-fed de 7,92x57mm. Dizer que o medo e o terror haviam sido provocados nos primeiros momentos da chamada "Operação Militar Especial" era um eufemismo.

Assim como na Guerra do Iraque em 91 e 2003, assim que os guerrilheiros albaneses cruzaram com os tanques alemães, eles largaram suas armas e se renderam, ficando evidente na primeira hora de combate que eles não tinham qualquer capacidade ofensiva contra veículos blindados.

Honestamente, os guerrilheiros albaneses não sabiam o que era pior: a onda implacável e rápida de aço que se abatia sobre eles de todos os lados, ou as bombas que caíam do céu sobre a artilharia antes mesmo de os tanques chegarem.

Em apenas doze horas, a capital da Albânia havia caído, marcando talvez uma das conquistas mais rápidas de uma nação na história da humanidade até então. As costas bloqueadas pelas marinhas helênica e austro-húngara, além do avanço dos alemães por todos os lados, fizeram com que o país fosse total e rapidamente subjugado.

Qualquer líder rebelde ou chefe das diversas facções que até então lutavam pelo controle da nação foram ou mortos ou capturados, e Bruno fez um exemplo ao executá-los publicamente por pelotão de fuzilamento.

Depois, perdoou todos os guerrilheiros que sobreviveram à invasão rápida, sob uma condição: que entregassem os responsáveis por fomentar divisões dentro dos territórios balcânicos sob domínio austro-húngaro.

Como animais famintos consumidos pela própria fome, e com uma oportunidade de finalmente saciar sua sede de destruição, os rebeldes não hesitaram e denunciaram uns aos outros, sendo que os culpados também foram executados.

Após isso, Bruno anunciou que a chamada "República Albanesa" e o estado anarquista que ela representava estavam plenamente extintos, pois foram uma "entidade ilegítima desde o princípio".

Ele também afirmou que atuaria como Governador Provisório até que o legítimo Príncipe da Albânia retornasse para restabelecer a lei e a ordem na região, embora com a ajuda das guardas austro-húngaras, que atuariam como força de ocupação.

No geral, as baixas alemãs na Albânia foram mínimas, nenhum morto e, no máximo, dez feridos em combate. Bruno ficava temporariamente no comando do pequeno país dos Bálcãs, ao menos pelas próximas semanas, até que o Príncipe Wilhelm Friedrich Heinrich fosse capturado – no comando de alguma unidade do exército alemão – e enviado de volta à Albânia para restabelecer seu governo.

Primeiramente, Bruno não queria nada com a ideia de governar uma nação. Afinal, ele era um soldado, e seu foco principal era reprimir qualquer sentimento de insurreição entre a população albanesa pacificada, e não administrar os assuntos do país.

Porém, conforme as pilhas de papeladas chegavam à sua mesa, exigindo sua aprovação e assinatura para serem implementadas, Bruno encarava tudo com a mesma determinação com que começava qualquer tarefa na vida. E isso significava dedicar toda sua força e dedicação ao trabalho.

Sentado em seu escritório, revisando documentos enviados por um Estado quase totalmente militarizado que ele havia organizado durante esse período de transição, Bruno começou a perceber o quão mal gerida era a Albânia antes de sua tomada de poder.

Honestamente, não era exatamente culpa do príncipe. O país existia como uma nação independente há dois anos, antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial e de seu exílio. Antes disso, era governado pelos Otomanos, que estavam em declínio acelerado.

Apesar disso, encontrar alguém que realmente tivesse competência para administrar os assuntos provinciais era uma tarefa extremamente difícil. Por isso, Bruno passou as duas semanas seguintes queimando a vela das duas pontas, dia e noite, garantindo que todo o país fosse reformado para se tornar mais eficiente.

Seja simplificando a constituição, codificando leis, reformando o sistema parlamentar ou introduzindo mudanças agrícolas compatíveis com o relevo do país, Bruno elaborou uma extensa lista de melhorias necessárias para aprimorar a nação e o bem-estar de seu povo — todas que ultrapassariam sua própria administração temporária.

Quando o príncipe legítimo finalmente voltou à Albânia, Bruno já carregava olheiras profundas, parecendo um homem que saíra de um caixão. E pior: quando Wilhelm Friedrich Heinrich o encontrou, Bruno estava na sala de escritório, com um cigarro na boca, cinzeiro cheio de bitucas, uma lixeira cheia de garrafas de bebida forte e caixas de cigarro ao redor.

Ao perceber a chegada do seu substituto, Bruno apagou cuidadosamente o cigarro — que era o último que tinha — e jogou no lixo, então se aproximou do príncipe alemão e entregou um monte de papéis tão volumoso que poderia ser uma enciclopédia.

O príncipe tentou protestar, mas Bruno apontou com o polegar para as cerca de trinta pilhas do mesmo tamanho que estavam na mesa atrás dele. Todas digitadas à máquina, revisadas várias vezes para alcançar a perfeição.

A voz de Bruno estava esganiçada, tão cansada quanto sua aparência, e ele soltou uma única frase:

"Siga o trabalho que eu preparei para você, ou contrate pessoas capazes de fazê-lo. Assim, seu reino estará preparado para o próximo século. Fiz o meu melhor como governador provisório; o restante será com você…"

Depois, Bruno se virou e saiu sem dizer mais uma palavra ao príncipe. Quando Wilhelm Friedrich Heinrich olhou a primeira pilha de papéis e folheou rapidamente umas dez páginas do volume enorme, percebeu que Bruno tinha feito mais do que qualquer um pudesse imaginar, em apenas um mês como ditador temporário da Albânia.

A história lembrará que, pelo menos uma vez, houve um Ditador Benevolente na Terra, que renunciou ao cargo assim que seu monarca legítimo retornou. Assim, ele provou ser o governante mais eficiente que a história já conheceu, mesmo que por apenas um mês.

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