Re: Blood and Iron

Capítulo 297

Re: Blood and Iron

Bruno aproveitaria uma noite agradável com os Habsburgos e as festas que eles organizavam para celebrar a vitória sobre os Aliados nos Balcãs, antes de retornar a Berlim, onde passaria o restante de seu tempo livre com sua família. E, ao fazer isso, conceberia mais um filho com Heidi.

Porém, finalmente chegou o momento da convenção oficial pela paz nos Balcãs começar. Tratados separados já tinham sido assinados e ratificados pelos sérvios, albaneses e búlgaros, restando apenas o Império Otomano para ceder.

E cederiam, mais especificamente, o território que os gregos estavam solicitando. Mas não antes de acontecerem negociações acirradas.

O que restava do Exército Otomano estava concentrado nas terras antes conhecidas como Frígia e Lídia, pois a Anatólia, Levante, Trácia Oriental, Iônia, Chipre e as ilhas Dodecaneso estavam atualmente ocupadas pelas Potências Centrais.

Por isso, à medida que o outono se transformava em inverno, os diversos chefes de estado se reuniram na cidade de Constantinopla, junto de seus principais generais.

Pelo menos aqueles que lutaram no teatro de guerra. Bruno permaneceu ali, povoando sua própria leitura, vestindo seu uniforme de gala alemão em toda sua glória, com todas as medalhas recentes concedidas pelo Kaiser alemão exibidas com orgulho.

Vários rostos se voltaram para notar tais condecorações, que eram de fato novidades na veste do homem, representando suas conquistas naquela própria zona de guerra de onde estavam negociando o fim dos combates.

Era um lembrete sutil ao Sultão Otomano, e ao seu representante militar que havia cedido Constantinopla a Bruno, de que eles tinham perdido. E não havia chance de resistir às exigências que lhes fossem impostas.

Por isso, tudo prosseguiu sem dificuldades, pois realmente nada os turcos poderiam fazer além de aceitar as demandas de seus conquistadores.

No final, o tratado estava prestes a ser assinado, e, ao fazê-lo, deveriam ceder todas as reivindicações que os gregos desejavam, quando Bruno colocou a mão à frente, encarando o Sultão, também atual Califa do mundo islâmico, enquanto o Marechal Otomano ao seu lado assistia.

Esse gesto surpreendeu o rei grego, que iria obter tudo o que queria, e quase o enfureceu a ponto de exigir uma explicação das ações questionáveis de Bruno, até que ele finalmente falou, olhando de frente a liderança adversária.

"Ainda não… Ainda há uma alteração que precisa ser feita antes que eu autorize a retirada das Forças Armadas alemãs da região…"

Vendo que ia conseguir mais do que desejava, Constantino rapidamente silenciou-se, abandonando qualquer objeção anterior às palavras de Bruno. E assistiu com satisfação enquanto o Sultão Otomano e seu maior general quase ficavam vermelhos de raiva, gritando com Bruno e exigindo que ele se explicasse.

"Vocês já conseguiram o que queriam! Esses termos não são satisfatórios? É um bom negócio!

Porém, Bruno sorria com um brilho malévolo, balançando a cabeça e batendo a língua, negando as palavras do Sultão.

"Ainda não… Vocês precisam tornar a oferta mais atraente… Para que as forças alemãs se retirem da região e aceitem formalmente sua rendição, deve ficar explícito que as terras cedidas pelo Império Otomano permanecerão sob domínio perpétuo do povo grego e da Cristandade como um todo.

A linha divisória entre o mundo cristão e o islâmico ficará marcada para sempre em Ílionia. Como extensão disso, todos os seus lugares sagrados atualmente situados a oeste dessas fronteiras deverão ser desmantelados, e seu povo retirado a leste de Ílionia às suas próprias custas."

Ao ouvir isso, Francisco José olhou para Bruno como se estivesse diante de um gênio. O homem tinha decidido sozinho a questão de três das regiões mais turbulentas dos Balcãs.

No momento, com o tratado sendo assinado, o Sultão Otomano também era o Califado, o que significava que tinha tanta autoridade secular sobre o Império Otomano quanto autoridade religiosa sobre o mundo islâmico.

Se ele emitisse tal decreto, então os muçulmanos na Albânia, Bósnia e Kosovo teriam que se realocar forceiramente, pelo menos do ponto de vista dos fundamentalislamistas entre eles. Ao mesmo tempo, essa cláusula previa a cessão perpétua dessas terras.

Foi um movimento brilhante, pois extremistas islâmicos frequentemente usavam a ideia de que terras outrora controladas pelo Islã eram, para sempre, de direito, sob o domínio do Islã para justificar a violência nessas regiões, às vezes por séculos após a perda do controle.

Com um simples gesto de caneta, Bruno assegurou que o mundo muçulmano permaneceria muçulmano, e as terras a oeste de Ílionia seriam cristãs, resolvendo assim qualquer disputa religiosa que perdurava há séculos nos Balcãs.

Pelo menos no que se referia à violência entre cristãos e muçulmanos. Infelizmente, a luta entre católicos e ortodoxos na região continuaria, pois essa era, enfim, a verdadeira natureza dos Balcãs.

Mesmo que se unissem sob uma das duas principais ramificações do cristianismo apostólico, Bruno tinha certeza de que as pessoas que habitavam a região encontrariam outro motivo para se guerrear. Isso simplesmente fazia parte do caráter deles.

Quando o Califa ia expressar seu descontentamento com esses termos, o representante da revolta árabe avançou e manifestou seu apoio.

"Posso assegurar aos reis e imperadores cristãos presentes que aqueles do meu lado não pretendem contestar esta cláusula. Afinal, foi exatamente o que combinamos com seus agentes antes mesmo de pegarmos em armas contra os turcos.

Se o Sultão e seu general não conseguirem reconhecer a derrota e aceitar esses termos, mesmo após levarem uma surra tão severa, que as consequências de suas ações fiquem somente por conta deles, pois não temos nada a ver com sua teimosia."

Ao ver que até mesmo outros líderes islâmicos na sala concordavam em render-se nesses termos, tanto o Sultão quanto seu conselheiro militar não tiveram escolha senão assinar relutantemente o documento.

Depois, começaram a sair apressados. Mas antes que Bruno impedisse Mustafa Kemal Atatürk, o rosto de Bruno apresentava uma expressão severa, com olhos ardentes, enquanto fazia duas perguntas ao famoso general turco.

"Isso é o fim? Ou preciso marchar meu exército para acabar de uma vez por todas com você e seus homens que ainda resistem?"

Bruno estava lhe lembrando do que tinha dito antes: que a queda de Constantinopla não seria o fim do Império Otomano, nem da reivindicação turca sobre a cidade.

Aqui e agora, Bruno se colocou acima dele, deixando bem claro que estaria disposto a matar o próprio general e todos os seus homens se ainda estivesse determinado a continuar essa guerra até o fim.

Ao perceber a disposição — e quase a vontade de marchar para o leste e exterminar seu exército até o último homem — o general turco rapidamente se rendeu, aceitando sua derrota de uma vez por todas.

"Terminou…"

Um sorriso breve cruzou o rosto de Bruno, que virou as costas e se afastou, mas sem deixar de dar sua última risada.

"Ótimo… Então volte para as terras que ainda restarem de seu domínio e viva uma vida longa e humilde, pois se eu descobrir que você tentou desafiar seu destino, estarei lá para acabar com isso de vez… Mesmo que precise ultrapassar minha autoridade, como, por exemplo, executar você na frente de todos, em uma cafeteria…"

Os olhos de Atatürk se arregalaram de medo ao assistir Bruno virar as costas. Ele soube imediatamente do que Bruno estava insinuando discretamente. Afinal, quem assassinou Vladimir Lênin em Genebra nunca foi identificado pelas autoridades nem revelado ao público.

Mas, se o que Bruno falou fosse verdade, ele era o assassino… E havia cometido uma execução extrajudicial contra um homem derrotado e exilado, só por ele não ser o tipo de pessoa que deixava ameaças à deriva até reaparecerem no futuro.

Ao ouvir isso, Atatürk prometeu fazer exatamente como Bruno dissera, retornando às terras que agora compunham a Turquia, a leste de Ílionia e a oeste da Armênia, onde viveria uma vida tranquila e humilde. Seu nome, por fim, seria apenas uma nota de rodapé, uma breve menção como degrau na ascensão de Bruno ao poder.

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