
Capítulo 292
Re: Blood and Iron
O 8º Exército Alemão foi enviado de volta para casa, junto com o marechal de campo para se recuperar da vitória arduamente conquistada. Ao mesmo tempo, o departamento de logística do Exército Alemão estaria transportando seus equipamentos para o Teatro de Guerra Italiano.
Para onde Bruno seria enviado a seguir, juntamente com as forças Austro-Húngaras e Russas que lutavam nos Balcãs e no Cáucaso.
Quanto ao Exército Helênico, a maior parte de suas tropas seria enviada para a Península do Sinai para colaborar com os rebeldes árabes na manutenção do domínio sobre o Canal de Suez até que a guerra chegasse ao fim. Junto com o recém-reformado Corpo de Fuzileiros Alemão, que na primavera de 1916 estaria bem preparado para a expedição.
Algumas divisões das forças Austro-Húngaras permaneceriam nos Balcãs, acompanhadas de uma brigada de gregos para continuar as operações contra partisans, na tentativa de estabilizar a região, que recém começava a se recuperar do caos semeado ali nos últimos anos.
Enquanto isso, Heidi se dedicou ao máximo para preparar o retorno do marido a Berlim, o que provavelmente duraria até o inverno. A data marcada para a conferência sobre a partilha do Império Otomano era em dezembro.
Sabendo dos gostos modestos do marido, ela estava vestida com conforto, assim como as crianças, ao chegarem na Estação de Berlim para buscar o homem na insolente automóvel da família.
Aquele, é claro, era o primeiro modelo de produção do Volkswagen Tipo I, que Bruno foi grande responsável por fazer surgir nesta vida bem antes de aparecer na linha do tempo anterior, que ele havia suportado.
Bruno aproveitou o tempo no trem para trocar por uma roupa civil adequada. E, como certamente preferia as roupas confortáveis da classe trabalhadora, ao invés dos trajes impecáveis da nobreza civil, especialmente após usar o uniforme de campo no último ano, Bruno chegou vestido de forma que a maioria nem sequer olharia duas vezes.
Quem poderia imaginar que aquele homem de camisa de lã, calças jeans, botas de couro, suspensórios e boné de trabalhador fosse na verdade um príncipe na Rússia, o futuro Grão-Príncipe de Transilvânia, e o marechal de campo que venceu a guerra nos Balcãs pelos Poderes Centrais?
E, ao pensar na mesma hipótese, quem acreditaria que a mulher tão modestamente vestida, cuja idade parecia quase dez anos mais jovem do que a chamada "Anjo de Berlim", seria sua esposa?
Por conta disso, a família de Bruno se reencontrou em uma demonstração pública de afeto, que passou despercebida por ninguém. Talvez alguns tenham lançado olhares questionando por que aquele trabalhador aparentemente normal tinha acabado de voltar das linhas de frente após estar longe da família por quanto tempo Deus sabe.
Mas ninguém ousou pensar mais nisso. Bruno riu ao perceber que aqueles que o ignoravam, como se fosse só mais um homem na rua, não tinham ideia de quem ele realmente era: o Lobo da Prússia, a Pesta Vermelha e o Butcher de Belgrado.
Seu rosto, enfim, se abriu em um sorriso — algo que talvez não visse desde que seus filhos mais novos o conheceram — Heidi não pôde deixar de comentar, reconhecendo o momento:
“Vejo que você voltou a encontrar sua alegria… Sentia tanta falta da gente assim?”
Bruno não conseguia parar de sorrir desde o instante em que viu sua família acenando para ele. Foi preciso toda a sua força para soltá-los do abraço, beijando sua esposa na bochecha incessantemente até que a própria morte do universo o impedisse.
Apesar do tom brincalhão de Heidi, Bruno admitiu sua vulnerabilidade, confirmando que, de fato, sentia tanta falta dela e dos filhos quanto ela exagerava para parecer que ele era um estranho por sua súbita demonstração de emoção.
“Você não faz ideia… Eu poderia recitar versos intermináveis, do fundo do coração, sobre o quanto pensei em vocês enquanto estive longe — tanto que, na hora de jantar, vocês poderiam querer enfiar o garfo no meu olho…
Mas, infelizmente, não vou fazer isso. Estou simplesmente feliz por estar em casa, aqui com vocês. Vamos, vamos para casa e aproveitar esse tempo que temos juntos, antes que os assuntos de segurança nacional me arranquem de seus braços novamente…”
O que quer que tivesse acontecido desde a última vez que Heidi viu Bruno, algo nele havia mudado, por uma sutileza que só ela notaria. O peso que carregava no coração há anos parecia ter sido levantado.
Talvez fosse a bênção de Deus no céu pela libertação de Istambul. Ou talvez ele tivesse passado por tantas coisas recentemente que aprendesse a deixar de lado aquilo que o atormentava há anos.
Porém, havia um traço de alegria genuína nos olhos de Bruno e em seus sorrisos — algo raro no passado, que ele só demonstrava junto da família. E, diferente daquele tempo, esse sorriso parecia duradouro, sem a sombra de desânimo ou pressentimentos de desastre vindo no horizonte.
Ao contrário, ele parecia livre do peso do amanhã, de um jeito que Heidi nunca havia visto antes. E, por isso, ela não insistiu mais. Deixou que ele fosse feliz, mesmo que ao ponto de excessos. Silenciosamente, torceu no coração para que essa mudança sutil e tão desejada permanecesse, independentemente dos horrores futuros que o aguardassem.
Heidi nunca compreenderia de verdade os horrores da guerra — e nem desejaria entender. Afinal, guerra é coisa de homem, e o seu mundo, por menor que fosse, devia ser protegido por homens como seu marido.
Ela própria estava ali para apoiá-lo ao voltar, e faria exatamente isso — enquanto Bruno se recuperava de tudo que viu e viveu longe de casa, longe dela, longe da paz que tanto desejava.