
Capítulo 215
Re: Blood and Iron
Já fazia mais de um mês desde o início da guerra até Bruno receber reforços em Belgrado, o que lhe deu tempo suficiente para organizar e preparar o próximo passo e subjugar os Bálcãs.
Enquanto isso, os franceses estavam sofrendo pesadas baixas em todos os campos de batalha em que lutavam. Seja nas tentativas de romper as linhas em Elsass-Lothringen ou em quaisquer outras regiões na fronteira que compartilhavam com a Alemanha.
Os alemães haviam preparado uma série de fortificações tão grandiosas que construíram uma ferrovia subterrânea levando tropas de uma seção da fronteira para outra, permitindo que reforços e suprimentos chegassem rapidamente ao local necessário para repelir os ataques franceses a qualquer momento.
Esses trens eram blindados e armados até o pescoço, de modo que não precisavam temer represálias francesas ao ultrapassar as seções mais fortificadas da fronteira, que os escondiam do fogo inimigo.
Isso, mais ou menos, permitia ao Exército Alemão enviar soldados e recursos onde fosse preciso, a qualquer hora, com total impunidade.
E isso estava deixando o Alto Comando francês cada vez mais irritado, pois haviam enviado mais de 200 mil homens para a morte ao longo de um só mês de guerra. E sem ganhar nem um centímetro de território.
Se isso não fosse ruim o bastante, as colônias francesas na Ásia também estavam sendo atacadas, especificamente aquelas na Indochina. Sabiam que os japoneses faziam parte das Potências Imperiais, mas foi completamente inesperado que o Exército Imperial Japonês lançasse uma invasão em grande escala contra as colônias aliadas na região.
Em 1912, o Imperador Meiji faleceu vítima de Uremia. Apesar dos investimentos pesados de Bruno na área da medicina, a diálise — a única forma conhecida de tratar tal doença — ainda estava anos longe de ser inventada na época da morte do lendário Imperador Japonês.
Por isso, seu filho Yoshihito, que após sua morte viria a ser conhecido como Imperador Taisho, assumiu o poder. E, ao fazer isso, trouxe toda a força do Exército e da Marinha Imperiais do Japão contra as potências aliadas que haviam colonizado grande parte do continente asiático.
Segundo os acordos alemães, austro-húngaros e russos com o quarto membro da aliança militar — o Japão — ele podia reter qualquer território conquistado durante a invasão das possessões coloniais das potências aliadas, desde que fosse capaz de manter seu controle sobre ele.
Depois de tudo, os outros três impérios dentro das Potências Imperiais eram todos centrados na Europa, com ativos limitados na Ásia, que na maior parte se dedicavam a controlar seus próprios territórios na região.
O Japão Imperial estava por conta própria na guerra contra as potências aliadas. E isso era suficiente. Mesmo com as forças estacionadas nas colônias asiáticas, as potências aliadas, juntas, não conseguiam resistir às invasões em múltiplos frentes pelo Império do Japão.
Alguém dizer que os franceses estavam sendo duramente atingidos em todos os frentes seria um understatement. E por causa disso, Leon estava cada vez mais pressionado a conquistar alguma vitória, nem que fosse só para ganhar o apoio da opinião pública — que já começava a diminuir bastante.
Leon destravou o kit de suprimentos médicos, onde encontrou uma ração de uma substância branca em pó— estou falando, é claro, de cocaína... Sim, era uma época curiosa, em que cocaína e anfetaminas eram distribuídas aos soldados de ambos os lados como estimulantes para manter a "preparação operacional".
Pelo menos, essa era a história na vida anterior de Bruno. Mas Bruno veio do futuro e conhecia os riscos desses medicamentos, além das verdadeiras desvantagens que representavam no campo de batalha, que muitas vezes superavam os benefícios.
Por isso, o Exército Alemão tinha uma política rígida contra o uso de drogas. O consumo de opiáceos, anfetaminas, cocaína e praticamente qualquer substância da época — exceto nicotina — era passível de tribunal marcial, se descobrissem que alguém estava usando.
Isso incluía álcool, permitido apenas fora de zonas de combate ativas e quando o soldado não estivesse em serviço. Mesmo assim, podiam consumir uma pequena quantidade. Se estivessem embriagados ou de ressaca na hora de cumprir suas funções, haveria consequências sérias.
Havia tratamentos médicos melhores no Reich alemão, usados em hospitais de campanha, que evitavam o uso de morfina — uma praga entre os feridos na vida anterior de Bruno.
Porém, essas regras rígidas valiam apenas para o Exército Alemão. Até seus aliados usavam essas substâncias como se fossem algo comum. Sem falar nas potências aliadas. Leon não era exceção: ele pegou a substância branquinha na mesa de seu acampamento e a inalou de uma só vez, buscando o efeito máximo.
Ele sentiu uma descarga de energia atravessando seu cérebro enquanto batia empolgado na mesa com o punho, pulando da cadeira com um humor bem melhor do que tinha antes, ao receber ordens de seu comandante para iniciar uma marcha pela Bélgica e Luxemburgo, atacando o território alemão ao norte.
A Bélgica era neutra na guerra, assim como Luxemburgo, que não tinham declarado apoio a nenhum lado nem compartilhado informações. Na verdade, os alemães foram generosos com esses dois países vizinhos, fazendo de tudo para que não relatassem as fortificações na fronteira.
Garantiram que era só para evitar uma invasão francesa direta, e que não era sinal de hostilidade a eles. Além disso, o Kaiser alemão assegurou que, se os franceses fizessem qualquer movimento agressivo contra Luxemburgo ou Bélgica, poderiam pedir ajuda ao Reich Alemão — e a Wehrmacht estaria pronta para agir.
Por isso, o Reich alemão cultivou relações melhores com seus vizinhos do que na vida anterior de Bruno. E Leon estava agora enfrentando as consequências disso. Como os franceses, que assim como os alemães com seu Plano Schlieffen, há muito planejavam usar a Bélgica e Luxemburgo como pontos de ataque.
Só que, inicialmente, essa estratégia não tinha sido colocada em prática, na esperança de avançar primeiro por Alsácia-Lorena. Mas, com as fortificações alemãs na fronteira, essa ideia foi por água abaixo e tiveram que seguir com o plano alternativo.
Assim, Leon se levantou de sua cadeira com uma energia anormal, procurando seu ajudante, e transmitiu as ordens do Estado-Maior francês.
"Transmita minhas ordens aos homens... Devem embalar seus equipamentos e seguir para o norte. Sob comando dos meus superiores, vamos marchar por Luxemburgo e atacar os alemães na fronteira lá... Alguma dúvida?"
O ajudante de Leon percebeu imediatamente que seu oficial estava sob efeito de alguma substância, pois suas pupilas estavam dilatadas ao extremo, e por isso rapidamente coçou o nariz, também viciado, antes de fazer a pergunta que veio à cabeça.
"Devo informar os homens para prepararem seus kits médicos e consumirem o restante do pó de marcha?"
Po de marcha — gíria da época para cocaína — ficou claro para Leon, que costumava usá-lo frequentemente, o que seu subordinado queria dizer. E, como ele já estava bem alterado, não via problema em aprovar.
"Por que não? Vamos marchar para a vitória, não é? Melhor estar em plena forma, concorda?"
Leon não percebia, nem o alto comando francês, mas, numa desesperada tentativa de conquistar alguma vitória contra os alemães — baseada em informações duvidosas — eles estavam prestes a empurrar Luxemburgo para as mãos do Reich Alemão.
Luxemburgo era uma nação com uma história complicada, devido à animosidade entre França e Alemanha desde a desintegração do Império Carolíngio, em 887 d.C. Ambos eram tão germânicos e franceses quanto Elsass-Lothringen ou a Suíça.
Porém, ao contrário de Elsass-Lothringen, Luxemburgo manteve sua independência como Grão-Ducado... Até agora, isso é. Na vida anterior de Bruno, Luxemburgo foi ocupado pelo Reich Alemão na Grande Guerra, recuperando sua independência após a derrota das Potências Centrais, em 1918.
Porém, com as mudanças feitas por Bruno nesta vida, ficou claro que a França, de repente, passou a ser a agressora, e, ao fazer isso, garantiria que Luxemburgo chamasse o exército do Reich para ajudar na sua defesa.
E assim, mudando para sempre a história dessa pequena e insignificante nação europeia.