Re: Blood and Iron

Capítulo 245

Re: Blood and Iron

As previsões de Bruno mais ou menos se confirmaram… Especialmente em relação a Nikola Tesla. Com medo de deixar para trás a “terra das oportunidades”, ou seja, os Estados Unidos, especialmente nesta era de grande crescimento do empreendedorismo na região, o engenheiro gênio havia recusado inicialmente o convite de Bruno para se mudar para o Reich alemão e trabalhar para ele.

Embora Bruno tivesse conseguido atrair muitos dos maiores inventores da época, Tesla permaneceu firme em sua decisão. Mas, como Bruno também previa, ninguém mais tinha interesse real em investir nas ideias dele, consideradas simplesmente “não lucrativas” do ponto de vista empresarial, que não conseguiam entender a grandeza da genialidade de Tesla e o impacto que isso teria para o mundo, para a humanidade como um todo.

Os recursos começaram a se esgotar rapidamente e, quando a Guerra estourou, a situação se complicou ainda mais, já que empresas americanas começaram a infringir suas patentes ou, pelo menos, aquelas que ainda lhe geravam alguma compensação financeira.

Os Estados Unidos entraram em um estado de isolamento fervoroso, justificando a violação de patentes de grandes potências europeias envolvidas na guerra ao afirmar que “não tinham intenção de ajudar nenhum dos lados com compensações”.

Isso, é claro, gerou muitos problemas na sociedade, pois os EUA passaram a seguir uma política de autossuficiência, tanto econômica quanto militar. Reforçaram a Doutrina Monroe e mais ou menos se isolaram do comércio global, com medo de provocar as grandes alianças que se formaram na Guerra Mundial em andamento.

Com o tempo, esse desejo crescente de autarquia e a importância que o governo americano dava a ela trouxeram vários benefícios para a nação e seu povo. Mas, no curto prazo, também causaram problemas na economia como um todo.

E, infelizmente para Tesla, que já tinha dificuldades financeiras, ele foi vítima dessas consequências graves de forma a quase acabar com sua vida, deixando-o sem lar e à beira da bancarrota. Sem muitas opções, pois suas tentativas de obrigar legalmente as empresas a obedecer às regras internacionais de comércio, como pagamento por suas patentes registradas no exterior, fracassaram quase completamente.

O homem estava no meio de empacotar os poucos pertences que restavam, numa tentativa quase desesperada de escapar do quarto de hotel onde vinha morando na última semana — e que ainda não tinha pago. Logo, seria a hora de pagar, e ele não tinha como arcar com a despesa.

Enquanto Tesla fazia isso, aconteceu a coisa mais coincidencial do mundo. O cartão que Bruno lhe dera quase uma década atrás — aquele que possibilitava contato com o general alemão e titã da indústria — caiu de um de seus casacos velhos. Um casaco que ele não usava há anos, mas que era a única coisa que ainda o protegia do frio do inverno de Nova York.

Inicialmente, Tesla não percebeu que o cartão tinha caído, até que um barulho na porta o assustou, fazendo-o tropeçar em uma das camisas que havia deixado de lado e levando-o a cair de rosto no chão, bem diante do pequeno dispositivo.

O grito do gerente do hotel, que exigia o pagamento já atrasado, foi suficiente para tirar Tesla do estado de torpor em que havia entrado ao bater a mandíbula no piso.

Quando abriu os olhos, viu o nome no topo do cartão. Isso o forçou a lembrar da proposta que Bruno lhe fizera anos atrás, que ele dissera ser perpétua. Ele havia cometido um erro, perdido o prazo, e agora não conseguia sair do hotel sem pagar.

Pagamento que não podia fazer. Então, rapidamente, abriu a porta, com uma expressão frenética no rosto, e encarou o gerente nos olhos, desesperado, pedindo uma única coisa enquanto lhe garantia que pagaria tudo quando necessário, até mesmo uma gorjeta pela gentileza até ali...

"Preciso usar seu telefone… Se me permitir, prometo que lhe pago tudo, e até dou uma gorjeta pelo esforço de até agora."

Por mais que o gerente achasse Tesla um personagem meio suspeito, alguém que poderia tentar enganá-lo, ele acabou se deixando levar pela confiança nos olhos e no tom do homem, além do carisma natural de Tesla — ou seja lá o que ele conseguiu tirar de si naquele instante de necessidade.

No vida passada de Bruno, a primeira ligação transatlântica ocorreu em 1927, mais de uma década antes do ano atual. Contudo, devido ao período ser grandemente influenciado pelos investimentos de Bruno nas maiores mentes científicas do mundo, além do comércio e das comunicações globais, Tesla conseguiu fazer a ligação além do Atlântico, até a Alemanha.

Por acaso, Tesla ligou exatamente na hora de falar com uma mulher em Berlim que já estava quase no fim do seu turno de trabalho. Uma funcionária de Bruno, que ao ouvir quem era o chamado, abriu os olhos de choque, antes de surgir uma expressão de sorriso satisfeito no rosto dela.

"Senhor Tesla, meu empregador tem aguardado sua ligação há quase uma década… Por isso, ele deixou alguém aqui nesta linha durante todas as horas do dia, caso você decidisse nos chamar."

Embora o senhor von Zehntner estivesse atualmente fora, cumprindo suas funções como general na guerra, ele deu plenos poderes a ela para assegurar que a oferta de Bruno ainda estivesse válida, como foi feita anos atrás. E que quaisquer despesas necessárias para realizar sua transferência para Berlim seriam pagas integralmente pela empresa assim que você requisitasse. Posso entender que esta sua ligação é sua concordância em vir trabalhar para meu empregador?"

Por mais que Tesla relutasse em admitir, ele não tinha muito mais na história dos EUA que pudesse continuar lutando. A proposta de Bruno, ele sempre achou, parecia bom demais para ser verdade. Mas, se essa mulher realmente não estivesse mentindo, ele havia pago funcionários 24 horas por dia para ficar de olho no telefone, pronto para atender a qualquer hora.

E Bruno havia feito isso por mais de dez anos. Além de tudo, a oferta ainda valia, e Bruno estava disposto a pagar para que Tesla se mudasse para o Reich alemão. Mesmo que as coisas melhorassem por aqui, ele estava encurralado neste momento.

Receber uma chance de seguir em frente na hora do aperto, quando ninguém mais se dispôs a ajudar, foi mais do que suficiente para convencer o gênio a aceitar finalmente a proposta de Bruno. Depois disso, conseguiu negociar a transferência dos fundos necessários para pagar o hotel e garantir sua passagem segura para Berlim. Como conseguiu fazer isso, porém, se perdeu na história. Mas, no final, Nikola Tesla mudou-se para Berlim para trabalhar com Bruno, isso, ele tinha certeza.

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