
Capítulo 212
Re: Blood and Iron
Se existiu um homem ao longo da história da humanidade que você gostaria que estivesse à frente de uma “linha de resistência”, esse foi ninguém mais do que Svetozar Boroević. As habilidades do homem em guerra defensiva eram bastante lendárias entre aqueles historiadores que conheciam seu nome.
Pelo menos entre os do século XXI de uma vida passada de Bruno. E havia uma razão para isso. Atualmente, ele tinha a missão de segurar a linha nos Alpes, e era exatamente isso que fazia. Enquanto Bruno devastou Belgrado e se posicionou esperando reforços chegarem, e para que o inimigo atacasse em força.
Svetozar estava nas altas montanhas alpinas, dentro de suas próprias fortalezas, observando o Exército Italiano lá embaixo, tentando desesperadamente, pela terceira vez naquele mês, romper as defesas que ele havia estabelecido na região.
No círculo mais íntimo de Bruno, havia apenas dois estrangeiros. E Svetozar era um deles. Ele já sabia há bastante tempo que a guerra iria estourar, e por isso usou seu tempo, contatos e recursos para ajudar na preparação.
Promovido a Kraftfeldmarschallleutnant em 1908, um posto exclusivo das Forças Armadas Austro-Húngaras, Svetozar usou sua influência para garantir uma posição de comando na região alpina.
Assim, passou os últimos anos construindo fortificações adequadas na área. Para, eventualmente, segurar a linha tempo suficiente para Bruno tirar os Bálcãs de cena. Quando isso acontecesse, Bruno marcharia com seu grupo de exército até os Alpes e destruiria os italianos junto com seu aliado e confiante.
Ou pelo menos, esse era o plano. E por isso Svetozar mantinha a linha, mesmo agora. Uma explosão de artilharia houve ao longe, mas perto o bastante para que estilhaços ricocheteassem no Stahlhelm de Svetozar. O homem nem sequer espantou-se, pois já estava tão acostumado com explosivos desse tipo que permaneceu praticamente imóvel, fumando seu cigarro com uma expressão estoica.
Como de costume, os bombardeios de artilharia antecediam um ataque. Quando as armas paravam de disparar e os assobios começavam a soar, os italianos corriam montanha acima, direto sob fogo de rifles e metralhadoras. Era só uma questão de tempo.
Assim, tudo o que as forças austro-húngaras e alemãs podiam fazer era esperar. Enquanto isso, o Generalfeldmarschall August von Mackensen, que até então controlava o Teatro do Isonzo, delegara em grande parte a defesa para seu aliado austro-húngaro, aproximou-se e falou com o infame General Croata, com uma carta na mão.
A carta não era direcionada ao Marechal de campo alemão, apesar da origem, mas sim ao General austro-húngaro, que só mexeu uma musculo ao notar o velhinho se aproximando.
“Recebi notícias de Belgrado. O Exército Sérvio chegou, e junto com ele estão 200 mil turcos. Bruno afirma que vai se segurar até a chegada de reforços, e que devemos fazer o mesmo…
Embora eu não saiba por que ele se dirigiu a você em vez de a mim com essa carta, será que ele sabe que estou confiando na sua expertise? Você o informou disso sem o meu conhecimento?”
Svetozar finalmente falou, e ao fazê-lo, quase pareceu que uma estátua tinha ganhado vida. Juntou seu cigarro, jogando-o fora, por cima da trincheira e, por extensão, do penhasco em que ela foi construída, antes de tirar a carta das mãos de August von Mackensen.
Lendo brevemente seu conteúdo antes de devolvê-la. O homem parecia completamente indiferente enquanto falava abertamente sobre os laços que tinha com Bruno.
“Não é exatamente um segredo que ele e eu somos conhecidos. Onde você acha que meus homens conseguiram as MP-05, que são vendidas exclusivamente ao Exército alemão? E, antes que você comente, recebemos permissão do seu Kaiser para isso após o assassinato do Arquduque.
Foi visto como uma preparação necessária para a guerra por ambos os nossos liderados. Se você quer saber, ele me disse no início de tudo que tomaria o controle dos Bálcãs e forçaria os sérvios a capitular até o fim do ano, e depois enviaria suas forças aqui para que pudéssemos eliminar o Exército Italiano juntos.
Ele apenas me dá uma atualização sobre sua situação, após certas circunstâncias imprevistas que surgiram naquela região infernal...”
August von Mackensen olhou para Svetozar com expressão estranha enquanto fazia a pergunta, o que o deixou perplexo.
“Região infernal? Você está se referindo aos Bálcãs? Você não é croata?”
Svetozar olhou para o Marechal de campo alemão como se fosse um idiota antes de explicar exatamente por que tinha dito aquilo.
“Claro que ninguém conhece o quão atrozes podem ser os Bálcãs melhor do que nós, que moramos lá. Agora, tem mais alguma pergunta? Porque, se você ainda não percebeu, há assobios ao longe. O que nos dá cerca de dois minutos antes de termos que lidar com uma horda de italianos urrando—”
August von Mackensen simplesmente balançou a cabeça, desembainhou sua MP-34 no ombro e se certificou de que uma munição estivesse carregada, pronta para disparar. Depois, segurou a arma ao lado, pensando no quão grande era a vantagem de uma arma assim na guerra de trincheiras.
Svetozar voltou seu olhar ao longe, onde viu uma multidão de uniformes cinzentos-esverdeados correndo montanha acima em direção às nossas defesas. Não pôde evitar zombar da absurdo que a situação toda representava.
“Sou só eu, ou todo mundo resolveu usar a mesma cor de uniforme nesta guerra? Juro por Deus, se não fosse o fato de os italianos terem optado pelas miseráveis capacetes franceses Adrian, eu teria muita dificuldade em distinguir quem é amigo ou inimigo...”
August von Mackensen olhou por seu binóculo para a força inimiga e percebeu que o general austro-húngaro tinha um ponto válido. Não era estranho que o Exército alemão e o austro-húngaro ambos adotassem o Feldgrau como cor principal de seus uniformes.
Os alemães foram entre os primeiros a adotar uma tonalidade terrosa como uniforme padrão, e, devido às estreitas relações com a Dupla Monarquia, fazia sentido que o Exército austro-húngaro seguisse o mesmo exemplo.
Porém, era muito estranho que o uniforme italiano não só compartilhasse uma cor quase idêntica, como também um design bastante similar ao do Exército Alemão baseado nos modelos usados pelo Reich Alemão durante os últimos anos da Grande Guerra, de Bruno
No final, não tinham muito tempo para refletir sobre a absurda situação em que se encontravam, pois logo o tiroteio entre as duas forças na linha de frente começou, e os dois generais estavam ocupados dando ordens aos homens lá estacionados.
Pela terceira vez desde o início da Grande Guerra, há menos de um mês, o Teatro do Isonzo permanecia intenso.