Re: Blood and Iron

Capítulo 204

Re: Blood and Iron

August von Mackensen encontrou Bruno pouco tempo depois de o homem ter saído vitorioso contra duas das quatro forças terrestres da Sérvia. Convenhamos, o tamanho total delas era menor em comparação a um único Exército de Campanha alemão, que no início da guerra atingia o máximo de 300 mil homens, além de contar com equipamentos de última geração para o combate.

Mas derrotá-los ambos, e forçar sua rendição em poucas horas, sem dúvida foi uma manobra extraordinária. Por causa disso, August von Mackensen olhou para Bruno como se ele fosse a personificação viva de algum antigo Deus pagão da guerra, até que de repente comentou seus pensamentos em voz alta.

"Vou mandar meus homens comunicarem sua vitória e os detalhes dela ao Kaiser… Acho que já está na hora de você receber uma patente à altura do seu valor. E, se me permite dizer, pode ser o primeiro a receber uma Cruz de Ferro nesta guerra…"

Bruno também entregou uma lista de nomes ao seu superior atual, que ele suspeitava que não estaria mais no comando dele após essa vitória rápida e brutal. A lista continha nomes de homens que ele achava que tinham conquistado algum reconhecimento pelo desempenho na batalha.

Ele então se afastou como se a possibilidade de ser recompensado pelo serviço prestado não lhe interessasse nem um pouco, mas não antes de deixar algumas exigências no caminho.

"Diga ao Kaiser que, a menos que esses homens também sejam merecidamente condecorados pela coragem, não há necessidade de gastar o tempo dele vindo a Sarajevo para me entregar sozinho uma Cruz de Ferro…"

A lista era bastante extensa, mas Bruno havia escrito tudo o que esses homens tinham feito na batalha, afinal ele vinha acompanhando o conflito, mesmo que curto, e entrevistou oficiais e sargentos abaixo de seu comando, para saber nomes de soldados que eles achavam que tinham se destacado durante o combate.

August von Mackensen olhou a lista detalhada e as razões apresentadas para a recomendação, e a condecoração que Bruno considrou adequada para o grau de coragem e sacrifício deles diante do inimigo. Depois, voltou o olhar para o lugar onde Bruno tinha se afastado.

"Ele preparou tudo isso enquanto também garantia que mais de cem mil prisioneiros de guerra estavam sendo levados para o cativeiro? Que domínio magistral de tempo e recursos esse homem tem?"


Bruno foi convocado de volta a Sarajevo, o que foi bem simples, já que tinha homens nos setores de logística transportando muitos prisioneiros de guerra para contar, e poderia facilmente pegar carona nesses caminhões antes de embarcar na ferrovia e voltar para a capital da Bósnia em algumas horas.

A razão dessa convocação era simples demais. O Kaiser tinha acabado de encontrar a desculpa que precisava para promover Bruno de forma definitiva, além de conceder uma recompensa que ele achava que Bruno já merecia há muito tempo por seus anos de serviço. Uma honraria que, na opinião do Kaiser, seria a primeira de muitas conquistadas por Bruno nesta guerra.

Claro que o Kaiser precisava viajar de trem de Berlim a Sarajevo, o que levaria vários dias. Portanto, Bruno descansou após uma batalha curta, porém estressante, nas ruas de Sarajevo. Ele, é claro, quis verificar o pequeno café que tinha apreciado em sua última visita à cidade. Na esperança de que a jovem que atendia lá tivesse levado a sério seu aviso e usado a dica excelente que deu para que ela e a família saíssem da cidade.

Infelizmente, ao olhar as ruínas ardidas do restaurante da família e os grafites espalhados por ele, Bruno percebeu que ainda se lembrava da crueldade do mundo. As palavras "Morte aos Traidores" estavam escritas na língua sérvia sobre os destroços carbonizados do que fora um café decente.

Estava claro, pelos sinais de desgaste nas ruínas queimadas, que isso tinha acontecido há bastante tempo. Por isso, Bruno rapidamente pediu informações a alguns presentes sobre o que tinha acontecido na sua ausência.

E, após uma investigação mais aprofundada do que inicialmente achou necessária — provavelmente por causa de seu uniforme alemão —, alguém revelou que a família tinha sido atacada por nacionalistas sérvios um ano antes, logo depois que Bruno deixou a cidade.

Seus bens foram queimados até o chão, e eles foram assassinados à sangue frio por causa do modo como tratavam os soldados das Potências do Império, que frequentavam seu estabelecimento. Bruno se afastou daquela cena da tragédia decidido a descobrir quem eram os verdadeiros culpados.

Por sorte, ele e sua esposa tinham conexões com a inteligência alemã, que estavam apenas a um telefonema de distância de solicitar seu serviço.


Todo mundo sabe que Heidi ficou chocada ao receber uma ligação de Bruno poucos dias após seu embarque, sem dúvida. Mas Bruno deixou bem claro que aquilo não era uma conversa de cortesia, mas uma questão de negócios.

Heidi pegou logo uma caneta e um papel e anotou as informações que Bruno passou, deixando escapar umas palavras enigmáticas enquanto escrevia.

"Embora eu ache que seja provavelmente só uma violência aleatória cometida por marginalizados, temo que exista uma chance improvável, mas ainda assim possível, de que tenha sido algo bem mais sinistro. Você quer que eu investigue a fundo esse assunto? Se ficar claro que foi um ataque do Dragão Negro por causa dessa conexão fraca dessa família com você, o que você fará?"

Bruno, claro, respondeu com um tom duro e insensível, relembrando Heidi do que ela lhe tinha dito antes de ele partir para a guerra.

"Não pode haver hesitação na sua conduta, nem misericórdia com nossos inimigos... Você ainda se lembra dessas palavras, meu amor?"

Como Heidi poderia esquecer? Eram as palavras de conselho que ela dera a Bruno na preparação para o seu embarque ao exterior. Por isso, ela mordeu o lábio de angústia, balançando a cabeça em silêncio enquanto respondia ao homem que amava.

"Eu me lembro... Tudo bem, vou investigar tudo a fundo e te aviso antes de você retornar às linhas de frente. Se essas pessoas inocentes foram realmente mortas por agitadores ligados à Inteligência Sérvia ou, Deus queira, pela própria Família Real Sérvia, então façam o que for preciso para punir esses criminosos!"

Bruno deixou uma última frase, que não tinha relação direta e desligou o telefone, deixando Heidi refletindo. O destino da Família Real Sérvia, e de boa parte do governo, dependia se eles tinham ou não participação na morte dessas civis.

A morte de alguns civis acontecia todo dia — geralmente, não era questão do interesse de Bruno. Mas ele e Heidi ambos suspeitavam de que aquilo tinha sido uma ação hedionda, e ninguém mais poderia acreditar que fosse só coincidência.

Se essa família foi assassinada por ter alguma ligação fraca com Bruno, então era preciso fazer um exemplo, não só para a Mão Negra e a Família Real Sérvia que apoiava eles, mas para o mundo inteiro.

Porque, se seus inimigos estavam dispostos a cometer tamanha crueldade contra pessoas que mal conheciam, o que diriam de suas atitudes para prejudicar seus entes queridos? A intensidade da violência só iria aumentar.

Algo assim precisava servir de aviso, e deveria ser na escala de uma detonação nuclear. Se não, aqueles que quisessem destruir Bruno só iam continuar tentando e escalando a violência contra as pessoas relacionadas a ele.

Bruno só podia rezar para que ele e sua esposa estivessem achando tudo demais, e que tudo não passasse de uma série de atos aleatórios de violência étnica na Balkan, um fenômeno comum na história turbulenta da região.

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