Re: Blood and Iron

Capítulo 156

Re: Blood and Iron

A Romênia era uma nação cujas contribuições para a Grande Guerra, na vida passada de Bruno, foram pouco significativas. Na verdade, o que ela era mais conhecida era por ter perdido cerca de um décimo de sua população durante todo o conflito.

Quando entrou na guerra em 1916, a Romênia tinha aproximadamente 7 milhões de habitantes e, cerca de um ano depois, ao assinarem o Armistício de Focșani, mais de 700 mil soldados e civis já haviam morrido por causas relacionadas à guerra.

Foi um desastre completo para os romenos, que entraram na guerra ao lado das Potências Aliadas com o objetivo de adquirir várias terras que pertenciam ao Reino da Hungria, em sua ambição de unificar a "Romênia Maior".

Lógico que a vitória das Potências Centrais sobre o Reino da Romênia em 1917, assim como a vitória obtida sobre o Império Russo no mesmo ano, foi invalidada quando a guerra acabou, um ano depois, nas mãos das Potências Aliadas.

Falando francamente, se o Reino da Romênia não fosse atualmente um dos maiores produtores de petróleo do mundo, e se não estivesse na fronteira oriental do Império Austro-Húngaro, Bruno não teria interesse algum na região.

Porém… Bruno já tinha feito investimentos relevantes na infraestrutura petrolífera da Romênia desde 1901, quando voltou da guerra no Extremo Oriente e se viu com uma grande fortuna, paga por sua família pelos patentes de suas armas mais modernas.

Ele, claro, não era o único: investidores ricos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Holanda também disputavam esses ativos. E Bruno acabou ficando com a menor quantidade de ações, comparado a seus concorrentes, porque sua riqueza na época ainda não era tão vasta quanto a de hoje.

No entanto, atualmente, o Império alemão, o Império austro-húngaro e o Império russo estavam investindo pesado em suas infraestruturas nacionais, e as corporações de construção de Bruno, que ele dirigia ou possuía participação significativa indiretamente, estavam colhendo os frutos desses projetos.

Por isso, Bruno queria conectar os campos de petróleo romenos nos quais investira àquela rede de transporte que estava sendo estabelecida. Mas havia vários problemas nisso.

Primeiro, a influência de Bruno sobre o Reino era apenas como investidor estrangeiro na indústria petrolífera local. Ele não tinha laços próximos com a Família Real romena, como tinha com as três grandes potências.

Enquanto a família que governava a Romênia como reis era, de fato, uma ramificação distante da Casa de Hohenzollern, da qual o Kaiser alemão era membro, Bruno só podia pedir a Wilhelm uma apresentação. Confiar nele para algo relacionado às suas ambições era completamente fora de questão.

Além disso, as disputas entre Romênia e Hungria eram irreconciliáveis, ao contrário dos conflitos entre o Império Russo e o Império Austro-Húngaro, que giravam em torno de possíveis colônias nos Bálcãs. A disputa entre Hungria e Romênia era de sangue e terra.

Ambos alegavam ter laços históricos e étnicos com as regiões reivindicadas, atualmente sob o comando da Casa de Habsburgo, e essas disputas raramente eram resolvidas de forma diplomática. Ainda mais quando a possibilidade de conquistá-las via guerra pairava no horizonte.

Convencer o rei da Romênia a se unir aos austro-húngaros contra as Potências Aliadas, quando seu objetivo principal ao lutar numa guerra dessas era ganhar territórios disputados do Império Habsburgo, era uma manobra diplomática que Bruno sequer conseguia imaginar realizando.

Na verdade, Bruno duvidava que alguém pudesse convencer os dois monarcas a concordar com isso, pois exigiria concessões pesadas. E para quê? Para garantir acesso ao petróleo? Isso era particularmente absurdo, levando em conta que a Rússia e o Império Austro-Húngaro já tinham duas das três maiores capacidades de produção de petróleo do mundo, além da Romênia.

Por que o Império Austro-Húngaro abriria mão de suas terras na Romênia em troca de acesso ao petróleo, se já produziam mais petróleo do que a Romênia? Não fazia sentido lógico, e Bruno sequer concordava que fosse necessário tal concessão para resolver as diferenças entre as duas nações.

Mesmo assim, era sempre melhor ter menos inimigos do que mais, e, com a expectativa de que as Potências Aliadas inicialmente seriam compostas por Grã-Bretanha, França, Itália e Sérvia, incluir a Romênia, mesmo com seus pouco mais de 700 mil homens, era algo indesejável.

Seria possível conquistar a Romênia logo no início da guerra? E apoderar-se de seus recursos petrolíferos através de um tratado altamente punitivo, para que fossem confiscados pela Áustria-Hungria?

Com certeza. Na verdade, se eles entrassem na guerra imediatamente nesta linha do tempo, em vez de esperar dois anos, Bruno estimava que levaria menos de um ano para varrer tanto a Sérvia quanto a Romênia, assumindo, é claro, que ele tivesse comando daquele teatro de operações.

Porém, afinal, tratados excessivamente punitivos foram o que acabou levando à Segunda Guerra Mundial na vida passada de Bruno. O resultado, na opinião dele, foi a destruição de toda a civilização ocidental.

Com tudo isso em mente, Bruno solicitou uma semana de licença de suas funções na Divisão Central do Estado-Maior do Exército Alemão para visitar a Romênia. Também fez um pedido pessoal ao Kaiser para que entrasse em contato com seus parentes distantes e negociasse por ele uma apresentação formal.

Surpreendentemente, o Kaiser concordou. Ele já confiava há algum tempo no julgamento de Bruno, especialmente na preparação para uma eventual Grande Guerra Europeia, que, a cada dia, parecia se tornar mais concreta.

E, como Bruno demonstrava interesse nas áreas petrolíferas da Romênia e já possuía investimentos relevantes lá, foi natural que Wilhelm desse ao menos o passo inicial de organizar uma reunião entre o rei romeno e Bruno.

Por isso, Bruno agora estava a bordo de um trem com destino a Bucareste. Para ser honesto, ele nunca tinha passado pela parte da Hungria do Império Austro-Húngaro. Em suas visitas anteriores, só atravessara as terras da coroa austríaca.

Mas, fosse nesta vida ou na passada, muito tempo depois do Império ter se dissolvido na história, Bruno nunca pisara na Hungria.

Embora a Áustria fosse um estado alemão que, por motivos políticos, nunca se unificou ao Reich alemão, a Hungria e outras regiões do Império eram claramente diferentes. Tanto na cultura quanto na herança, o que se refletia na arquitetura exibida na região.

Para quem não estava familiarizado com a beleza e diversidade da arquitetura europeia, os belos templos, palácios e grandiosos edifícios que se destacavam na paisagem húngara pareciam similares aos austríacos, e poderiam ser confundidos à primeira vista.

Mas estariam enganados. Havia estilos semelhantes devido à proximidade com a Alemanha, mas também diferenças sutis e evidentes até mesmo em estilos que pareciam similares aos austríacos.

Algumas construções tinham traços do estilo otomano, espalhadas pelo sudoeste da Hungria e Transilvânia, construídas durante uma breve era de ocupação turca. Nesse aspecto, a Hungria era talvez uma das poucas nações na Europa onde ainda se podiam ver vestígios da antiga arquitetura islâmica.

Principalmente considerando que, após conquistarem sua independência, a maioria das nações europeias que viveram sob um passado tão sombrio demoliram essas construções dos invasores. Como era comum em territórios ocupados por invasores estrangeiros.

De qualquer forma, Bruno nunca se sentiu entediado enquanto viajava pela Europa. Muitas dessas construções, belas e magníficas, não sobreviveram ao século XX — ou pelo menos não em sua vida passada.

Algumas foram reconstruídas, mas havia uma certa tristeza em assistir a essas restaurações, pois nunca se tinha certeza se eram fiéis ao original. E muitas outras se perderam na história, restando apenas em fotos e pinturas feitas na época anterior à sua ruína.

Talvez por isso Bruno tinha o prazer de admirar a glória da Europa pré-guerra, mesmo aquelas nações fora do território nacional. E, ao finalmente colocar os pés em Bucareste, ele acabou ficando numa disposição excepcional, logo destacando-se como um estranho na multidão.

Felizmente para Bruno, ele tinha domínio de várias línguas. Desde criança, estudara para alcançar uma proficiência que apenas um falante nativo conseguiria. Como a língua era uma ferramenta valiosa, especialmente em tempo de guerra — que era o que Bruno se preparava desde a sua primeira reencarnação nesta vida.

Portanto, apesar de sua aparência claramente estrangeira, Bruno conseguiu se comunicar relativamente bem com os locais enquanto se preparava para sua estadia em Bucareste. Onde, depois, foi levado ao Palácio Real para ser recebido pelo rei Carlos I e sua esposa.

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