Re: Blood and Iron

Capítulo 182

Re: Blood and Iron

Manfred von Richthofen foi uma figura lendária da vida passada de Bruno. Ele foi um dos primeiros aviadores da história mundial e acumulou um número impressionante de vitórias, tornando-se também um dos maiores ases da aviação da humanidade.

Por ser descendente de uma nobreza menor e pelos prêmios que recebeu ao longo da vida por seus serviços ao Kaiser e à Pátria, alguns românticos entre os historiadores se referiam carinhosamente ao homem como o "Cavaleiro Final do Céu".

Porém, ainda passariam muitos anos até que Manfred conquistasse tal reputação prestigiosa. A Grande Guerra ainda estava a pelo menos três anos de distância, e levaria ainda mais tempo para que os rivais da Alemanha pudessem formar pilotos de caça e aviões adequados.

Naquele momento, contudo, Manfred tinha apenas dezenove anos. Ainda era quase um adulto pelos padrões modernos e, pelos critérios da época, sequer havia atingido a maioridade — que no Reich alemão era aos vinte e um anos.

Mesmo assim, já era um militar de carreira ativo no Exército alemão e um oficial de pleno direito ao serviço do Kaiser, como piloto de caça. Contudo, quando Bruno se aproximou dele, a atmosfera poderia ser descrita apenas como "estranha".

Ambos tiveram uma reação semelhante. Bruno, ele próprio, olhava para uma figura lendária de sua vida passada, que nunca tinha tido a oportunidade de conhecer pessoalmente, pois nasceu décadas após a morte de Manfred. O Barão Vermelho era uma figura que despertava respeito, quase reverência.

Porém, Manfred não tinha feito nada para merecer esse grau de respeito de Bruno. Assim, ele teve que forçar seu coração naturalmente ansioso a permanecer calmo, como uma floresta tranquila. E, embora Bruno não percebesse, Manfred sentia uma admiração parecida por ele.

Bruno já era uma figura bastante lendária e icônica no Reich alemão. Era o general mais jovem da história. Proveniente de uma família Junker, ele ascendera a uma posição de destaque não só na Alemanha, mas também no palco mundial. Sua imagem estava gravada na mente de jovens homens que desejavam provar seu valor na guerra.

Com pouco mais de trinta anos, Bruno detinha o terceiro posto mais alto na hierarquia do Exército alemão. Além disso, era um veterano de três guerras, desempenhando-se com distinção em cada uma delas — tanto que o tsar lhe concedeu o título nobre de príncipe dentro do Império Russo.

Seus feitos militares eram apenas superados por suas atividades nos negócios, acumulando uma fortuna expressiva que deixaria as arrecadações de vários reinos menores na sombra — tudo isso em apenas uma década. Bruno era considerado um filantropo, patrono das artes e grande apoiador da Igreja.

Para um jovem como Manfred, que começava sua carreira militar, era igualmente intimidante estar diante de Bruno, alguém que ele admirava tanto como um modelo a seguir. Bruno decidiu quebrar o silêncio constrangedor ao cumprimentar o rapaz, tentando manter a calma enquanto se encontrava com um dos homens que admirava desde a infância de sua vida passada.

"Tenente Manfred von Richthofen, tenho observado seu desempenho. Você demonstra pilotar com habilidade excepcional. Preciso perguntar: o que acha do He-51? Como ele se comporta no céu?"

Ter a surpresa de Bruno saber quem ele era certamente foi uma revelação para Manfred, mas, ao notar o sorriso de quem comandava a Luftstreitkräfte, ele não pôde deixar de deduzir que o próprio homem tinha informado Bruno sobre sua identidade.

Demorou um instante para o jovem piloto entender completamente a pergunta de Bruno antes de responder sobre a aeronave.

"Não vou mentir, senhor, o avião é muito manobrável e os controles são bastante intuitivos. Já vi fotos do que enfrentaremos se formos declarar guerra à Itália, e tenho que dizer que nossas aeronaves são de qualidade bastante superior aos nossos rivais no cenário global…”

Isso não tinha dúvida: Bruno foi quem colocou o He-51 no mundo muito antes do tempo, e o inimigo provavelmente estaria pilotando aviões feitos de madeira e lona — que Bruno chamaria de "armadilhas mortais".

Porém, seus pilotos estariam voando aviões construídos na era entre guerras, feitos de alumínio. Muito mais resistentes, seguros e rápidos do que seus oponentes. E, além disso, o inimigo demoraria anos até incorporar metralhadoras ao fuselagem, confiando inicialmente em um atirador fixo para atacar, antes de montar metralhadoras pesadas na parte superior do assento do atirador.

Somente ao fim da guerra as aeronaves começaram a usar metralhadoras integradas, capazes de serem disparadas pelos pilotos, e, nesse momento, as forças aéreas sob emergência já estariam completamente destruídas no céu há muito tempo.

Contudo, Bruno não podia deixar de concordar com a avaliação de Manfred. Ele fez um gesto amistoso, incomum para ele. Colocou a mão no ombro do jovem e sorriu com confiança, garantindo que esperava grandes realizações em sua carreira.

"De fato, mas mesmo sem essas vantagens, um homem da sua competência está destinado a alcançar a grandeza quando a guerra finalmente chegar. Acompanhei sua trajetória de perto, Tenente. Não me decepcione…”

Foi só isso que Bruno disse antes de partir rapidamente do campo de aviação. Sem perceber, ele deu a Manfred um enorme impulso de confiança. Naturalmente, ele começaria a monitorar várias figuras importantes da história, à medida que a guerra se aproximasse.

Pois, afinal, Manfred von Richthofen não seria a única lenda forjada nesta guerra. Muitos outros, que também fariam história durante a Grande Guerra, estavam destinados a alcançar um nível de fama ligado apenas aos maiores vilões da história.

Ou, pelo menos, isso se Bruno não falhasse em seus objetivos de impedir que um futuro assim acontecesse desde o começo. Quem sabe? Com sua interferência na linha do tempo, esses nomes poderiam ser celebrados como os maiores heróis da Alemanha. Ninguém sabia ao certo o que o futuro reservava para o mundo e seu povo.

Nem mesmo Bruno — embora ele mesmo tivesse vindo de uma era futura, em uma linha do tempo diferente. O efeito borboleta mal começara a moldar o mundo de maneiras sutis, e seu impacto duradouro na linha do tempo seria muito maior do que Bruno podia imaginar.

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