
Capítulo 131
Re: Blood and Iron
Considerando que era um período de paz e que Bruno tinha uma posição de destaque na Divisão Central do alto comando do Exército Alemão, ele era um homem que mais do que podia tirar uma folga quando precisava.
Especialmente para receber visitas diplomáticas. Mesmo assim, ele não foi imediatamente visitar os Habsburgo, apesar de suas intenções de fazê-lo. Em vez disso, passou os meses seguintes desfrutando de seu tempo tranquilo com a família, enquanto sua nova propriedade era construída ao fundo e seus empreendimentos econômicos continuavam a prosperar. Graças, é claro, à sua incrível visão de futuro acerca do assunto.
Por isso, só no começo de 1907 Bruno levou sua família para uma férias de inverno em Viena. Primeiro, entrando em contato com o Kaiser Francisco José I da Áustria, e mantendo uma comunicação frequente ao longo do outono e do início do inverno, para garantir um convite adequado.
Finalmente, chegou o dia em que o trem passaria pela Alemanha, saindo de Berlim e chegando à ponta mais ao sul de suas fronteiras, na região do Allgäu, na Baviera. Sentado com conforto e ao calor de um trem que cruzava os Alpes no auge do inverno, Bruno testemunhou talvez a coisa mais bonita que já vira na vida. Ainda mais ao atravessar os Alpes Tiroleses, rumo a Viena.
Seus filhos não conseguiam parar de admirar ao olharem pelas janelas as altas montanhas cobertas de neve. Mas, apesar de toda essa beleza impressionante, Bruno tinha plena consciência dos perigos que esses picos escondiam — e, em sua vida passada, das milhares de corpos congelados ali, que jazia por mais de cem anos, talvez infinitamente mais.
Afinal, a Campanha do Isonzo, na Grande Guerra, foi travada na região alpina da Europa, onde muitos corpos nunca foram recuperados, enterrados sob uma camada de gelo e neve, após ataques de artilharia que provocaram avalanches e sepultaram ambos os exércitos.
Foi o que passou imediatamente por sua cabeça, enquanto se perguntava se, quando a guerra finalmente explodisse, seria enviado para regiões tão perigosas. Enquanto isso, seus filhos exclamavam, espantados, com a beleza da neve.
"Mamãe! Papai! Podemos sair e brincar na neve?!"
Eva, sendo a mais empolgada, era obviamente a mais barulhenta. E, enquanto Heidi apenas sorria, absorvendo a alegria dos filhos repletos de admiração infantil, Bruno olhava ao longe, ciente da dura realidade do que "brincar na neve" poderia significar.
Por isso, ele permaneceu em silêncio, somente saboreando seu chá. Enquanto Heidi balançava a cabeça e dizia às crianças que aquilo não era possível naquele momento.
"Quem sabe um dia, quando vocês estiverem maiores, possamos voltar e esquiar em família, mas isso vai ter que esperar… Afinal, essa não é o fim da nossa viagem. Nosso destino agora é Viena, para nos reunirmos com o Kaiser austríaco e a família dele.
Seu pai é uma pessoa muito importante, e foi solicitada sua visita à família real austríaca!"
As crianças já sabiam o motivo de irem a Viena, pois Heidi falara sobre isso diversas vezes nas últimas duas semanas, enquanto se preparavam para a viagem. E, agora, até Eva já revirava os olhos diante do entusiasmo da mãe.
Claro que Bruno percebeu um leve tom de hostilidade nos olhos azuis de Heidi, provavelmente devido à desconfiança dela quanto às razões de Bruno para visitar os Habsburgo. Afinal, ela soubera do compromisso dele de retornar à princesa austríaca e contar tudo sobre suas histórias de guerra.
Mesmo sem entender exatamente como ela soubesse disso. Por isso, Bruno ficou mais atento, cuidando para que o velho imperador não soltasse alguma piada bana, como tinha feito na última vez. Para acalmar a si mesmo, começou a recordar batalhas passadas de sua vida anterior e o peso brutal que elas tinham sobre os homens envolvidos.
Eventualmente, porém, Bruno e sua família chegaram a Viena, sendo conduzidos ao palácio por uma carreata. Assim que entraram, não se surpreendeu ao ver o Kaiser austríaco e sua família presentes para recebê-los, incluindo todos aqueles que tinha conhecido na última visita.
Como não era uma operação militar, os generais que tinham antipatia pela personalidade direta de Bruno e por suas habilidades excepcionais não estavam presentes. Porém, uma pessoa que ali estava foi muito rápida em cumprimentá-lo de uma maneira que despertou o lado mais possessivo de Heidi.
Após a apresentação adequada e na hora certa, Hedwig se aproximou de Bruno, segurando suas mãos com olhos largos e animados, agradecendo por ele ter cumprido a promessa.
"Você se lembrou! Não achei que viesse após todos esses meses, mas finalmente cumpriu sua promessa!"
Os olhos de Heidi se estreitaram tanto que pareceram quase uma navalha, enquanto ela olhava para Hedwig com um sorriso que mal escondia suas intenções mais sombrias — para quem não conhecia seu lado mais malévolo.
Seu tom de voz também se modificou enquanto ela ficava atrás de Bruno, fazendo uma pergunta que já sabia a resposta, causando-lhe calafrios na espinha ao dizer isso.
"Ah? E que promessa é essa que um homem casado faz a uma adolescente?"
Hedwig só agora reparou que Heidi estava o tempo todo ali, atrás de Bruno, e rapidamente soltou suas mãos, recuando de forma desajeitada, beijando a bochecha de Bruno com um enrubescimento, mantendo uma distância segura da esposa irritada — tudo enquanto tentava esclarecer sua intenção.
"Desculpe, não quis dizer assim. Seu marido prometeu que voltaria a Viena para me contar suas histórias de guerra um dia. Só que não esperava que ele realmente se lembrasse. Fiquei empolgada demais e acabei fazendo algo inadequado. Por favor, me perdoe."
Vendo que a menina tinha uma noção adequada de seu lugar e até conseguiu pedir desculpas com modos corretos, Heidi a perdoou com um sorriso orgulhoso e uma voz um pouco convencida, enquanto Bruno olhava para sua esposa, quase achando que ela tinha pirado por sentir necessidade de competir com uma criança literal.
"Bem, desde que saiba que o que fez foi errado, acho que não há o que não possa ser perdoado…"
De qualquer maneira, Bruno sentiu que aquela noite seria longa. Ainda mais após compartilhar uma refeição com a família Habsburgo, tendo que cumprir sua promessa de falar das batalhas e escaramuças pelas quais passara ao longo dos anos.
Algo que ele tinha escondido de Heidi e da família por respeito à paz deles. Mas Hedwig não permitiria que ele escapasse de contar essas histórias agora que tinha cumprido sua promessa de voltar a Viena.
Simultaneamente, Heidi não deixaria Bruno sair com a jovem princesa sem sua supervisão. Não por desconfiança em relação a ele, mas por causa daquela pequena atrevida que ousava segurar as mãos dele e encará-lo com tamanha empolgação, bem na frente da esposa. Isso era simplesmente intolerável.
No fim das contas, Heidi confiava a Bruno sua vida — mas todas as outras mulheres que ela achava que desejavam seu homem? Nem pensava em confiar, sob nenhuma circunstância, mesmo que a realidade fosse bem diferente do que ela poderia imaginar.