
Capítulo 130
Re: Blood and Iron
As tensões realmente aumentavam em todo o mundo, especialmente no ocidente, à medida que a interferência de Bruno na linha do tempo alterava os acontecimentos. A Revolução Russa começou mais cedo nesta vida do que deveria, resultando na consolidação da Casa de Romanov como os governantes incontestáveis do Império Russo.
E embora o poder do czar sobre a sua nação não fosse mais autocrático de forma pura, mas sim limitado por convenções constitucionais, com a fundação da Duma de Estado, a industrialização e a modernização se tornaram prioridades urgentes.
Bruno aproveitou-se disso, investindo pesado em tudo que pudesse adquirir. Desde recursos naturais até infraestruturas críticas como ferrovias, portos, e afins. Qualquer coisa que tivesse algum valor dentro das fronteiras do Império Russo e estivesse disponível, Bruno, de alguma forma, colocava as mãos.
Honestamente, sua fortuna já estava chegando a um nível sem precedentes na história. Talvez, somente comparável ao que Mansa Musa possuía na Idade de Ouro do Império Mali, mas mesmo assim, era difícil saber, já que a história pouco registra sobre a real riqueza do rei africano.
Considerando a vida extremamente modesta que Bruno levava, mais dinheiro significava mais investimentos, o que, por sua vez, gerava ainda mais riqueza. Qualquer coisa de valor tangível ou até mesmo teórico ele buscava obter, seja parcialmente ou por completo.
Tal era o poder do conhecimento do futuro. Muito rapidamente, sua conta bancária começou a crescer tanto que a ideia de criar um banco para desafiar os Rothschilds e seu controle sobre o Império Alemão começou a surgir na mente de Bruno.
Afinal, se aprofundarmos na história, podemos conectar os Rothschilds à derrota do Reich alemão na Grande Guerra, embora muitas vezes isso seja considerado um mito propagado por populistas de direita, numa tentativa de dominar o Reichstag durante os dias da fracassada República de Weimar.
A ideia de que a Alemanha foi traída por banqueiros e capitalistas ricos não era inteiramente uma teoria conspiratória.
Como todo mito ou lenda, havia verdades escondidas entre as exagerações ou falsidades. E os Rothschilds, de fato, envolviam-se em muitas atividades sombrias nos bastidores.
Por isso, montar um banco com forte respaldo financeiro, especialmente no momento em que o mundo seguia o padrão ouro, era uma excelente estratégia para Bruno. Não planejava fazer isso da noite para o dia, pois criar um banco para o povo exigiria tempo e investimentos substanciais.
Mas já estava na lista de coisas que Bruno pretendia realizar nos próximos anos. Claro que havia uma crise mais imediata que exigia sua atenção, ocorrendo ao sul das fronteiras do Reich.
As tensões entre Sérvia e Áustria-Hungria estavam crescendo constantemente, talvez até mais do que na vida passada. E foi justamente por isso que a Guerra dos Porcos acabou explodindo. Você deve estar se perguntando: o que seria essa guerra? Bem, era uma guerra comercial travada entre o Império Austro-Húngaro e o Reino da Sérvia pelo exporte de carne suína.
Nos últimos cem anos, a Sérvia esteve sob forte influência da dinastia Habsburgo, sendo durante muito tempo um grande exportador de carne suína para a Áustria-Hungria. Mas, recentemente, a Sérvia decidiu romper com essa influência e estabelecer vínculos com outros países, como Bulgária, Alemanha e França.
Vendo isso como uma ameaça à sua autoridade, o governo húngaro impôs sanções econômicas ao Reino da Sérvia. Tarifas altas e severas. Como toda sanção econômica, elas dificilmente beneficiaram quem as aplicou.
Ao invés disso, a Sérvia buscou aliados na França para munitions, na Alemanha por bens comerciais, e criou uma zona de livre comércio com a Bulgária. Tudo isso culminou na decisão da Áustria-Hungria de fechar suas fronteiras ao porco sérvio.
Se a Sérvia não tivesse se unido a esses outros países, isso poderia ter funcionado, uma vez que a carne suína era atualmente seu maior produto de exportação. Mas… atualmente, os representantes do governo sérvio se preparavam para viajar à França, buscando investimentos para construir novas fábricas de processamento de carne para o comércio internacional.
Embora pareça um detalhe menor, essa era uma questão de grande importância internacional, que, de uma forma ou de outra, contribuiu para o assassinato do arquduque Francisco Ferdinando, da Áustria, pelo grupo conhecido como Legião Negra, evento que deu início à Grande Guerra.
Honestamente, tentar convencer os Habsburgos a suspenderem as sanções econômicas contra a Sérvia era uma batalha perdida. Bruno não queria se envolver nisso, mas estava determinado a tirar proveito do lucro obtido com as exportações de carne suína sérvia.
Qualquer oportunidade de prejudicar os franceses, Bruno aceitava. Principalmente se isso significasse literalmente roubar ouro de seus cofres. Afinal, a Sérvia compraria as matérias-primas para essas fábricas de processamento de carne do Império Alemão de qualquer forma, então por que não garantir que ele fosse o beneficiado máximo nesse conflito comercial?
Por isso, os funcionários sérvios, que se preparavam para partir à França, ficaram perplexos ao saber que um ajudante entrou no cômodo e lhes informou sobre uma situação inesperada.
"Senhores, há aqui um representante do Reich alemão para falar com vocês… Ele se chama Lorde Bruno von Zehntner. Devo dizer que estão ocupados?"
A reputação de Bruno já era bastante conhecida, e, na visão do governo sérvio, ele era um inimigo poderoso e amigo próximo dos odiados Habsburgos. A visita dele até Belgrado foi fenômeno inesperado e intimidante, no mínimo.
Por isso, o oficial sérvio rapidamente ordenou que seu ajudante fizesse exatamente o contrário.
"Não faça isso! Você provavelmente foi malcriado na infância? Não sabe quem é esse homem? Traga-o aqui imediatamente!"
O ajudante, após ser severamente repreendido por tentar respeitar o horário marcado para a audiência com os franceses, saiu cabisbaixo, convidando Bruno a entrar na sala do oficial.
Bruno, sem cerimônia, não esperou convite. Sentou-se imediatamente, enquanto o oficial permanecia de pé, de frente para ele.
"Deixe-me ser direto. Sei de seus planos de buscar investimento na França para driblar as sanções impostas pelos Habsburgos. Cancela essa audiência. Estou aqui para te entregar um cheque pessoalmente, pelo dinheiro que você precisa para um investimento particular…"
Se o oficial estivesse segurando uma xícara de chá, provavelmente a teria derrubado no ato, espalhando o líquido por toda a sala.
Por sorte, ele estava bem, e apenas se sentou, quase de modo teatral, enquanto perguntava a Bruno por que ele faria isso.
"Desculpe, acho que ouvi errado. Você quer investir na indústria de carne suína da Sérvia? Mas pensei que fosse aliado dos Habsburgos. Por que se interessaria por algo assim? Isso não colocaria sua relação com a Áustria em risco?"
Bruno não reagiu àquela afirmação, sua expressão permanecia tão impassível quanto a do antigo imperador Marco Aurélio, enquanto explicava seus motivos.
"Isso não tem relação com meus interesses na Áustria. Sou apenas um empresário, buscando aproveitar uma oportunidade de lucro que está diante de mim. Não sou político. A guerra comercial entre vocês e os Habsburgos não é da minha conta."
"Então, aceita meu investimento ou não? Se não, vá até a França e veja se eles querem ouvir você. Mas isso é uma longa jornada, só para correr o risco de ser rejeitado. Meu dinheiro, por outro lado, é tão certo quanto o número de homens que matei. Então, qual será?"
Essa era uma declaração honesta de Bruno. Ele sabia que não conseguiria isolar os franceses de Serbia antes do começo da guerra, talvez até para evitar que ela acontecesse. Mas o relacionamento entre eles já era demasiado distante para reverter esse quadro.
Na verdade, Bruno queria apenas roubar dos franceses o lucro que obtinham com essa guerra, lucro que mais tarde seria investido na máquina de guerra deles. E sua tentativa de fazer isso tinha tudo para dar certo. Suas palavras convenceram totalemente a Sérvia a permitir que Bruno fosse o único investidor em suas novas fábricas de processamento de carne e na exportação de carne suína.
Claro que isso também deu a Bruno uma desculpa para retornar a Viena, não apenas para cumprir sua promessa à jovem princesa austríaca.