Re: Blood and Iron

Capítulo 108

Re: Blood and Iron

Alguns dias se passaram até que tudo o que precisava ser preparado fosse devidamente reunido e enviado para os Alpes. Uma região desolada da cadeia montanhosa próxima às fronteiras da Itália. Embora não exatamente na fronteira com a Itália, pois isso poderia ser visto como um ato de agressão.

Embora tenham sido convidados a participar do exercício militar, os italianos optaram por não fazê-lo. Isso levou o Kaiser Wilhelm II a acreditar que talvez Bruno estivesse certo ao duvidar da fidelidade deles à aliança quando chegasse o momento.

Apesar de não ser uma questão tão grave a ponto de exigir a imediata expulsão dos austríacos dos Poderes Centrais, servia como um exemplo de advertência. Quanto a Bruno, ele vestia seu uniforme de campanha. Que, simplificando, era um uniforme padrão, como o emitido aos soldados do exército, embora com o insígnia no colarinho de General der Infanterie.

Além disso, ele não ostentava medalhas, fitas ou, Deus me livre, faixas. Bruno também usava o equipamento padrão de transporte de carga da nova linha do exército alemão, que dispersava bem o peso pelo corpo.

Ele também carregava bolsas de carga com pouches de carregadores para o Gewehr 98 que estava usando no momento. Na guerra que se aproximava, esse rifle seria substituído pelo Gewehr 43, ou Gewehr 05, como era conhecido nesta vida. Que era a nova espingarda semi-automática, recentemente aprovada nos testes militares e agora sendo distribuída aos soldados de infantaria alemães.

Porém, por enquanto, isso era um segredo de Estado, e não deveria ser revelado ao mundo, nem mesmo aos aliados durante um exercício militar conjunto. Por isso, Bruno carregava um rifle. Embora incomum para alguém de seu posto, Bruno gostava de estar mais bem equipado em tempos de guerra.

Os generais austríacos que estavam na retaguarda com Bruno vestiam uniformes muito mais elaborados, como se quisessem ostentar seu status. Também nem se importavam em usar capacetes, já que, nesta região mais afastada, não havia necessidade de se preocupar com artilharia.

Aliás, Bruno também não usava capacete. Mesmo assim, sua vestimenta era muito mais parecida com a dos soldados que participavam do exercício. Simplificando, tratava-se de uma simulação de guerra de trincheiras.

Seriam disparadas munições de treino para simular balas, e um sistema complexo foi montado para registrar as baixas durante o exercício. Atualmente, os austríacos apostavam que os homens de Bruno não durariam muito tempo.

— Bem, general, estou disposto a apostar que seus homens serão alvo fácil até o almoço. Quer apostar comigo?

Havia uma razão para os generais austríacos estarem tão convencidos. Os alemães haviam enviado, na verdade, uma divisão inteira de tropas para o exercício. Enquanto os austro-húngaros tinham mobilizado o dobro de homens. Um único problema: os homens enviados pelos alemães à Áustria eram, em sua maioria, veteranos da Divisão de Ferro.

A guerra de trincheiras era algo em que tinham ampla experiência durante a Guerra Civil Russa. E, ao contrário dos austríacos, os soldados alemães falavam todos a mesma língua. Assim, a comunicação deles era rápida e eficiente.

Um dos principais problemas do exército austro-húngaro era a severa falta de comunicação em campo. Seu corpo de oficiais era composto principalmente por alemães. Enquanto seus sargentos eram em grande parte húngaros, e os soldados poderiam ser alemães, húngaros ou de diversas etnias dos Bálcãs, todos falando seus idiomas distintos.

Bruno queria expor essa grande falha na organização do exército deles, por isso aceitou a aposta rapidamente, mesmo sem os valores serem explicitamente definidos ainda. E, por isso, não hesitou.

— Tudo bem, general. Aceito sua aposta. Vou ainda dizer que será seu exército derrotado até o meio-dia. Se eu ganhar, vocês vão ouvir minhas recomendações para a organização das suas tropas. Se eu perder, seguirei as condições que estabelecerem.

Essa era uma oportunidade irresistível para Bruno. Contudo, sua arrogância fez com que todos os generais austríacos rirem à vontade. Ainda assim, eles concordaram, todos com sorrisos de desprezo no rosto.

Sem dúvida, carregavam ressentimentos pelos comentários que Bruno fez sobre eles na noite anterior. Ou melhor, pelos comentários que a Arquiduquesa fez? Bruno simplesmente concordou com eles. Mas, como não podiam descontar a frustração por esses insultos à sua honra na neta do Kaiser, estavam mais do que dispostos a descontar tudo em Bruno, agora que ele lhes dera uma oportunidade.

Ou assim pensaram, mas a artilharia logo começou a atirar, com projéteis de fumaça sendo lançados em vez de munições explosivas. Se alguém estivesse na área de efeito dessas cargas, seriam considerados "mortos" para fins do exercício, caso estivesse na zona de impacto.

A artilharia alemã disparava com velocidade e precisão. Os homens sob comando de Bruno claramente tinham muita experiência nisso. Os projéteis criaram uma densa cortina de fumaça sobre as linhas austríacas, enquanto as metralhadoras nas posições de trincheira começavam a repelir a carga.

Considerando que eram cargas de treino, e estavam a uma distância segura, os observadores apenas contaram os ecos do fogo como baixas baseados na taxa de feridos observada em outros conflitos.

Os austríacos sofreram tantas "baixas" nos primeiros dez minutos ao tentarem avançar contra as trincheiras alemãs que recuaram, esperando uma contra-ofensiva alemã enquanto cuidavam de suas feridas.

Já os generais austríacos ficaram completamente atônitos com a rapidez com que suas tropas se desintegraram. Não entenderam o que havia acontecido até que Bruno apontou a situação para eles. Afinal, embora o comando de recuar tivesse sido dado, levou tempo para ser traduzido corretamente para as diversas línguas faladas pelos soldados no campo.

E assim, muitos deles continuaram a avançar na "linha de fogo" inimiga, sendo considerados mortos ou feridos, o que reduzia drasticamente o número de tropas austríacas.

Bruno apenas acendeu um cigarro e observou com um olhar frio, dando sua opinião sobre o que tinha acontecido quando os generais austríacos ficaram ali, parados, como se tivessem perdido a capacidade de pensar após presenciar sua enorme perda.

— É... Vocês veem isso? Isso aí é o resultado de ninguém na sua guerra falando a mesma puta língua. Talvez fosse bom vocês arrumarem isso... Antes que tenham que realmente lutar uma guerra... Porque, se fosse uma batalha de verdade... Bem, posso acabar ganhando um apelido novo agora...

Não havia arrogância na voz de Bruno. Mais parecia que um homem assistindo um bando de galinhas correndo sem cabeça. Na verdade, havia mais diversão do que desprezo em sua expressão.

Depois de apagar o cigarro no chão, Bruno o chutou e pisou, antes de se virar para os generais austríacos que cochichavam entre si sobre os erros da operação que tinham acabado de testemunhar.

Só então, Bruno trocou sua expressão de indiferença por uma sobrancelha arqueada e um sorriso malicioso, que combinava com a mudança de tom em sua voz.

— Bem, acho que agora é minha vez, né? Observem e aprendam, general, é assim que se invadem trincheiras corretamente…

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