
Capítulo 150
Re: Blood and Iron
Leon Sinclair logo rapidamente que a vida de um general no exército, mesmo um tão baixo quanto um Brigadeiro General, era mais frequentemente uma ocupação repleta de papéis e de ficar sentado em uma cadeira. Os dias em que precisava fazer testes físicos ou até mesmo ir a campo testar suas habilidades em guerra já haviam ficado para trás.
Por outro lado, o homem só tinha lutado guerras em nome da Terceira República Francesa em territórios coloniais. Não estava exatamente lutando contra nações civilizadas ou, pelo menos, nações cujo poder militar estivesse aquém do país de onde ele vinha.
Seus aliados na resistência marxista haviam sido silenciados. O governo francês fazia o máximo para acabar com atividades políticas marxistas após seu antigo Chefe do Estado-Maior do Exército supostamente ter sido assassinado por eles.
Falando francamente, sua carreira tinha ficado estacionada naquela época. Ele fora nomeado Brigadeiro General ainda na casa dos trinta e poucos anos, como uma jogada política.
As ações dele em Madagascar lhe haviam rendido uma reputação assustadora, e com a ascensão do "Loup de Prusse", como os franceses chamavam Bruno, e suas histórias de infâmia no palco mundial, os franceses sentiram a necessidade de nomear uma figura ameaçadora própria para salvar um pouco da reputação do país.
E enquanto a máquina de propaganda francesa apoiava totalmente Leon, a realidade era que suas conquistas não chegavam aos pés das de Bruno, e os altos escalões do Estado-Maior francês tinham plena consciência disso.
Por isso, mesmo com o passar dos anos, ele permanecia na mais baixa patente de general que o exército francês conferia. Leon era um espetáculo para manter as massas se sentindo seguras. Era um símbolo de propaganda, nada mais, nada menos.
Com o assassinato do anterior Chefe do Estado-Maior do Exército francês e a ascensão de Bruno na reputação internacional, o povo francês começou a se sentir um pouco mais inseguro. Principalmente enquanto os alemães continuavam suas obras de fortificação nas fronteiras ocidentais.
Leon foi escolhido por várias razões para representar a "genialidade marcial" da França. Primeiro, suas ações em Madagascar tinham deixado uma impressão assustadora nele. Um homem que não poupava misericórdia àqueles que derramaram sangue de civis franceses. Algo semelhante à fama que Bruno conquistara como "Flagelo Vermelho" na Rússia.
Segundo, Leon tinha uma idade semelhante à de Bruno, embora um pouco mais velho, e, por extensão, tinha mais anos de experiência militar. Transmitindo uma sensação de segurança aos cidadãos franceses menos instruídos, por meio de uma lógica falaciosa.
Por fim, Leon e Bruno tinham uma breve história em comum no Oriente. Algo que a maioria das pessoas desconhecia, exceto os generais de mais alto escalão do Exército francês. Ou pelo menos era assim antes de a propaganda começar a exibir essa experiência compartilhada.
Tanto que, atualmente, Leon caminhava pelas ruas de Paris, quando um panfleto fixado na parede próxima chamou sua atenção. Havia uma série de cartazes propagandísticos espalhados pela parede, mas um deles incomodava especialmente o homem.
Do lado esquerdo do cartaz, havia uma imagem de Leon, posando diante de artilharia francesa e soldados sem rosto. Sua aparência foi exagerada, quase como se tentassem fazê-lo parecer um príncipe encantado de conto de fadas.
Leon segurava um rifle de mira e apontava na direção da parte direita do cartaz. Onde havia uma representação fictícia de quem seria Bruno? Ele vestia um uniforme alemão, mas tinha o rosto e a forma de um lobisomem raivoso, que parecia estar comendo uma bandeira francesa enquanto se ajoelhava, enquanto um exército de lobos vestidos com uniformes alemães se reunia ao redor, prontos para devorar os farelos.
A legenda estava escrita em francês, mas, ao ser traduzida, dizia basicamente "Mate os lobos alemães!". Essa propaganda estava se tornando cada vez mais comum na França, e havia várias outras que retratavam os alemães como assassinos, monstros e criaturas do demônio.
Por exemplo, havia uma que exibia o Kaiser como um homem obcecado por dominar o mundo. Uma ambição que Leon achava absurda, algo que só um idiota acreditaria que alguém faria da conquista mundial seu maior objetivo de vida.
Claro que era uma tática bastante comum retratar o inimigo como alguém que queria conquistar o mundo, e essa estratégia se repetiria muitas vezes na propaganda até pelo menos o século XXI. Como Bruno sabia demais, Leon nem sonhava que essa fosse uma ideia difundida na propaganda.
Leon só conseguiu arrancar o cartaz da parede com força. Um ato que, quem não entendesse sua verdadeira natureza, poderia parecer contraditório com seu caráter.
Ele odiava os alemães? Ah, sim! Mas retratá-los como monstros e megalomaníacos, obcecados por objetivos absurdos que ninguém na história da humanidade chegou a desejar de verdade, era algo que diminuiu a razão real pela qual ele acreditava que deveriam ser odiados. E apenas aumentava a mitificação de suas capacidades militares.
No fim, um exército de lobisomens era uma perspectiva aterrorizante. Segundo lendas, um lobisomem só poderia ser ferido por prata — um conceito assustador, considerando que não havia prata suficiente no mundo para transformar em armamento suficiente para matar o inimigo em quantidade suficiente para vencer uma guerra contra eles.
Os alemães eram homens comuns, e homens podiam ser mortos tão facilmente quanto qualquer outro, independentemente da sua origem. Por isso, Leon achava toda aquela propaganda simplesmente ofensiva. Arrancou-a na rua e jogou fora. Enquanto isso, um grupo de crianças jovens assistia a tudo.
Uma menina na rua puxou os pedaços e olhou para o "príncipe bonito" representado no cartaz, só para perceber que ele tinha uma estranha semelhança com o homem que estava ali na frente dela. Quando tentou se aproximar para perguntar por que ele tinha destruído o papel, ele simplesmente a encarou com um olhar ameaçador e a assustou em tom assustador:
"Dessa pra fora, sua vadia!"
A menina fugiu rapidamente, chorando, e embora Leon não percebesse, ela levaria aquele ocorrido para o coração. Contando para todas as colegas e familiares que o homem do cartaz não era um príncipe, mas sim um monstro, como os alemães eram retratados.
Infelizmente, ninguém acreditaria que ela tivesse mesmo encontrado o famoso Brigadeiro-General Leon Sinclair, e que suas palavras eram apenas invenções — coisa comum entre as crianças.
De qualquer forma, aquele panfleto era uma prova simples de que o sentimento do público na França estava se tornando cada vez mais vil e de que o ódio aos vizinhos do leste aumentava, enquanto os franceses se preparavam para uma possível guerra contra o Reich alemão.