
Capítulo 115
Re: Blood and Iron
Um dos principais problemas da Grande Guerra, e o motivo pelo qual ela acabou entrando em um impasse, com milhões de homens morrendo por um ganho de um único quilômetro em uma guerra de trincheiras estática e brutal, era que, simplificando, o armamento militar avançou muito além da capacidade de transporte.
Carros de guerra e veículos blindados ainda não eram uma realidade. Essas invenções surgiram só ao final da Grande Guerra e durante o período de entre-guerras. Pelo amor de Deus, toda a indústria petrolífera ainda não tinha se desenvolvido o suficiente para sustentar uma guerra motorizada em grande escala.
E, mesmo Bruno tendo começado a fazer investimentos substanciais nas indústrias de petróleo e gás natural, se fosse honesto, levariam anos para a Alemanha acumular combustível suficiente para utilizar adequadamente esses avanços na mobilidade militar.
Sinceramente, levaria décadas para que aviões e carros evoluíssem o bastante para sustentar uma rede logística eficiente. Na época, as principais formas de transporte eram ferrovias e carruagens puxadas por cavalos.
Mas Bruno queria mudar isso. A logística era uma parte fundamental para vencer uma guerra, e isso ficou claramente evidente na Segunda Guerra Mundial, quando, em várias batalhas críticas, os alemães ficaram sem munição e combustível, forçando sua retirada ou rendição.
Por isso, Bruno planejava garantir o fornecimento de petróleo de Camarões e da Romênia para sustentar não só a rede logística do exército alemão. Assim, ele começou a fazer investimentos nessas regiões. Porém, ao mesmo tempo, Bruno precisava criar um caminhão capaz de transportar suprimentos dos ferrovias até o campo de batalha.
Ele passou a usar um projeto de sua vida anterior. O caminhão GMC CCKW de 2,5 toneladas 6×6 era, sem dúvidas, o aspecto mais essencial da Segunda Guerra Mundial que a maioria das pessoas esquecia. Dado em doação significativa por parte dos Estados Unidos às Potências Aliadas, incluindo a União Soviética, esse caminhão foi a espinha dorsal de todos os exércitos aliados.
Sem esses caminhões, é bem provável que o front soviético tivesse colapsado muito antes de trocar o rumo da guerra. Em outras palavras, esse caminhão foi o herói desconhecido da Segunda Guerra Mundial.
Se produzidos em quantidade suficiente, eles poderiam não só transportar suprimentos até as linhas de frente, mas também levar soldados e remover feridos do campo de batalha até as ferrovias, onde poderiam ser levados a um hospital adequado.
Essa era uma lacuna na capacidade tecnológica que, se devidamente abastecida, garantiria que as linhas defensivas que Bruno estava construindo no Oeste fossem constantemente reabastecidas. Além disso, permitiriam assegurar as linhas de suprimento ofensivas quando chegasse o momento de avançar na França.
Uma operação liderada não só pelos novos tanques Panzer que Bruno havia desenvolvido, inspirados vagamente nos designs teóricos E-10 de sua vida anterior — embora com várias modificações —, mas também por carros blindados de apoio.
Sinceramente, os carros blindados começaram a ser substituídos na Guerra Fria, sendo usados principalmente como veículos de reconhecimento, em capacidade limitada. Ainda assim, alguns projetos poderiam servir de inspiração para Bruno, especialmente no que diz respeito ao casco. Por exemplo, a blindagem inclinada mostrou-se muito eficiente na Segunda Guerra Mundial, especialmente na utilização de tanques.
Bruno utilizou esse conceito em seus projetos de tanques atuais. Contudo, essa técnica não foi aplicada aos carros blindados, que logo passaram a exercer funções de reconhecimento durante a guerra. E, mesmo assim, esses veículos passaram a receber menor prioridade.
Porém, sem veículos de combate de infantaria e em uma época em que armas antitanque ainda eram escassas, os carros blindados não só eram mais rápidos do que os tanques, mas também possuíam fogo suficiente — com uma metralhadora de 20mm — para causar estragos nas linhas inimigas na ofensiva inicial.
E, se fossem bem projetados, com blindagem inclinada, por exemplo, podiam praticamente repelir qualquer arma usada contra eles na época. Assim, Bruno adaptou seus carros blindados, ou pelo menos seus cascos, ao veículo de reconhecimento Luchs 8x8 da era da Guerra Fria.
Em seu projeto, Bruno utilizou blindagem de aço homogêneo laminado, considerada a melhor forma de proteção possível antes da chegada de materiais compostos.[1]
Além disso, empregou um canhão automático principal de 20mm, modelo KwK 30 L/55, montado em uma torre estilo Panzer II Luchs. Também equipou o veículo com uma metralhadora MG 34 de 7,92mm como armamento secundário.
Resumindo, um autocanhão de 20mm era bastante eficaz contra infantaria, embora não tanto contra blindagens.
Enquanto o projeto de tanque que Bruno introduziu tinha um canhão de 50mm, feito para destruir blindagens e fortalezas — capaz de causar danos consideráveis às trincheiras inimigas —, o carro blindado tinha um armamento mais voltado a destruir a infantaria dessas trincheiras com munições explosivas de 20mm.
De modo geral, funcionava como o parceiro perfeito para o tanque da série E-10, conhecido nesta vida como Panzer, para atuar como veículo de apoio. Com o avanço na França, após o Exército francês ter sido vencido pelas fortificações de Bruno, esse combo de blindagens e armas daria uma muralha de aço para proteger seus soldados enquanto avançavam, além de oferecer um poder de fogo substancial.
Sinceramente, Bruno sentia uma pontinha de pena pelos soldados franceses e britânicos na guerra que se aproximava. Uma geração inteira de suas sociedades morreria tentando, e falhando, invadir as fronteiras do Reich alemão, só para os poucos sobreviventes enfrentarem uma tempestade de aço e fogo explosivo que o mundo jamais tinha visto até então.
Por outro lado, essa pena durou só um instante, pois Bruno se lembrou de que suas mortes seriam necessárias para forjar um novo século de hegemonia alemã, baseado nos valores tradicionais da Civilização Ocidental — e não nos falsos deuses do liberalismo e do progressismo que se proclamam o Oeste, vindo do mundo do qual Bruno originalmente veio.