Re: Blood and Iron

Capítulo 116

Re: Blood and Iron

Se passaram semanas enquanto Bruno continuava sua rotina diária no Império Alemão. Com seu trabalho na Divisão Central do Alto Comando do Exército Alemão, além de sua microgestão de várias grandes corporações de diversos setores, os números em sua conta bancária só aumentavam a cada dia.

Por isso, ele estava quase sempre ocupado, sem tempo de verdade a não ser nos finais de semana para si mesmo. Afinal, sua família era uma prioridade importante para ele, e, por isso, qualquer tempo livre fora do trabalho era dedicado a eles.

No entanto, Bruno conseguia, de alguma forma, encontrar tempo para começar sua rotina de treinos, mantendo seu físico, que começava a se desorganizar devido ao estilo de vida bastante acomodado, além de aumentar sua massa muscular, resistência e saúde cardiovascular.

Além disso, Bruno começou a praticar luta livre e boxe, com a formação dos Institutos Nacionais de Esportes em andamento, voltados a fomentar talentos de geração futura em diversos programas atléticos destinados às Olimpíadas. Bruno decidiu ampliar seu tempo livre, incorporando esses dois esportes de combate à sua rotina semanal.

Embora não treinasse como um profissional, a habilidade que Bruno demonstrava tanto na luta livre quanto no boxe mudava, de forma fundamental, a mentalidade dos poucos praticantes na Berlim daquela época, que haviam começado a treinar em ginásios temporários, os quais o Império Alemão agora patrocinava para formar instrutores capazes de preparar as futuras gerações de talentos dessas modalidades.

Depois de tudo, os esportes de boxe e luta livre evoluíram rapidamente nas décadas seguintes, e foi justamente na fase da vida passada de Bruno — especialmente na segunda metade do século XX e na primeira metade do século XXI — que ele aprendeu esses esportes.

Por isso, seu jeito de esquivar e contra-atacar socos era completamente incomum para a época. Mas aquele dia era especial. Bruno não era um homem pequeno; na verdade, pelos padrões do século XXI, ele seria considerado um Peso Pesado Leve se fosse lutar em Artes Marciais Mistas.

Porém, seu adversário era aquilo que se poderia chamar de um peso pesado de verdade. Enquanto o homem avançava em sua direção, Bruno se via encurralado, até que, frustrado, usou um movimento ilegal ao empurrar o oponente com uma chute forte, seguido de um jab, um cruzado e uma queda de perna.

A chute na perna foi tão devastadora que o homem caiu ao chão, enquanto Bruno ficava por cima, sorrindo de canto. No fim, foi o treinador do pequeno e recentemente criado clube de boxe quem interveio e interrompeu a luta.

Apesar de Bruno ter percebido que tinha errado, violando as regras na brincadeira de sparring com seu oponente, não foi ele quem levou bronca, mas sim o peso pesado que se levantou mancando, claramente sem costume de levar chutes na perna — sobretudo de um adversário tão forte.

"Que porra foi essa? Estava levando a sério ou tava dando mergulho? Sei que foi um golpe ilegal, mas você jura que um chute na perna é suficiente pra derrubar um estranho de comida de batata como você?"

Bruno sorriu ao ouvir aquilo, comentando com o treinador que ele mal sabia de kickboxing, esporte que nem era considerado uma modalidade oficial fora do Sudeste Asiático nesta época.

"Quer experimentar pra ver se é assim mesmo?"

O homem o encarou sério. Era um ex-boxeador dos Estados Unidos, atraído pela proposta do Império Alemão para boxeadores renomados de se transferirem temporariamente ao país, numa tentativa de criar associações nacionais de boxe de verdade, em preparação para os Jogos Olímpicos.

Ele era alguém que Bruno reconheceria de sua vida anterior, e que foi eleito postumamente para o Hall da Fama do Boxe Internacional na criação, em 1990. James J. Corbett, também conhecido como "Gentleman Jim", não era nenhum fraco, tendo sido campeão peso pesado do mundo numa época em que o boxe ainda era bastante mal visto.

Apesar da má reputação até hoje, que só começou a melhorar de verdade ao ser incluído nos Jogos Olímpicos dois anos antes de 1904, o esporte começava a ganhar reconhecimento internacional.

De qualquer forma, o homem não era alguém para ser subestimado. Bruno, no entanto, tinha sido um kickboxer bastante competente em sua vida anterior. Não era profissional, mas havia lutado como amador na juventude antes de entrar na Bundeswehr. E tinha técnica suficiente com mãos e pernas para perceber que tinha uma vantagem clara sobre o boxeador, cujo estilo já estava ultrapassado.

Naturalmente, as palavras de Bruno feriram o orgulho do homem. Afinal, no boxe não se usam chutes; como ele poderia saber o quão devastador um chute bem colocado na perna poderia ser? Muitos boxeadores aprenderam na própria pele, em suas vidas passadas, especialmente quando as artes marciais mistas começaram a ganhar popularidade no século XXI.

Por isso, ele sorriu e aceitou o desafio de Bruno, querendo fazer com que o desafiante percebesse o quanto suas regras eram frágeis, por ter ousado fazer algo tão sujo enquanto era treinador daquele clube de boxe.

"Beleza, deixa eu colocar meus equipamentos que vou te dar uma bronca de verdade!"

Depois, o homem rapidamente calçou as luvas e entrou no ringue contra Bruno. Sua postura estava bastante ultrapassada pelos padrões dele, que mantinha as mãos altas e adotava o estilo de guarda do kickboxing holandês.

Enquanto o técnico de boxe avançava com as mãos à frente, Bruno se esquivava com agilidade, desviando de cada soco, antes de responder com contragolpes limpos, ambos acertando em cheio o treinador.

Ele finalizou a combinação com um chute forte e exagerado na perna, aplicando toda a força possível, mesmo sabendo que, embora estivesse traindo seu ataque, o oponente não tinha defesa contra isso.

O resultado foi a perna do homem sendo derrubada enquanto ele caía de costas, com uma expressão de choque absoluto. Enquanto isso, Bruno sorriu e estendeu a mão para ajudar o treinador a se levantar, avisando que também tinha habilidade para chutá-lo na cabeça.

"Se acha que isso foi ruim, aguarde até eu te dar uma voadora na cabeça também..."

Bruno não percebia, mas suas ações naquele clube de boxe — que um dia viraria o Instituto Nacional de Performances do Boxe — não apenas mudariam o esporte, forçando sua evolução antes do tempo, como também criariam uma nova modalidade, bastante parecida com o kickboxing moderno.

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