Re: Blood and Iron

Capítulo 89

Re: Blood and Iron

Há algum tempo, Bruno vinha evitando visitar o Tsar. Mas, à medida que continuava a se provar em batalhas em nome do Tsar, o homem insistia cada vez mais em se encontrar com ele. Havia apenas uma razão para isso: o Tsar queria recompensar Bruno de forma adequada por seus esforços.

A guerra acontecia em vários frentes e tinha registrado vítimas severas, superior a meio milhão de mortos de ambos os lados.

Bruno foi responsável por vitórias em duas campanhas principais: a Campanha de Ingria, iniciada com o Cerco de São Petersburgo — uma vitória russa somente graças à chegada de Bruno com a Divisão de Ferro — e a Campanha do Volga, também atribuída a Bruno e sua Divisão de Ferro, primeiro com o Cerco de Tsaritsyn, depois com a eliminação das forças bolcheviques na região.

Sua contribuição para o esforço de guerra foi vasta, e, de todos os modos, ele havia conquistado várias condecorações — todas das quais o Tsar tentava desesperadamente pendurar em seu peito, só para parecer que realmente estava fazendo algo na mídia.

Contudo, essas questões poderiam esperar por um tempo de paz. Agora, era guerra, e, sinceramente, Bruno não queria desperdiçar seu tempo com assuntos secundários até eliminar os dois líderes remanescentes da revolução bolchevique, que estavam se escondendo dele no momento.

No entanto, o que Bruno queria era secundário em relação ao que o Tsar desejava. E por causa disso, Bruno se viu sendo repreendido pelo Kaiser, cujas palavras, na essência, resumiam-se a: "Para de besteira e aceita suas medalhas!"

Assim, Bruno se encontrava a bordo de um trem rumo à Sibéria, onde o Tsar estava, de modo não oficial, escondido até o fim da guerra. Bruno não tinha certeza de quais medalhas receberia, mas, considerando sua posição como general estrangeiro voluntário na luta pelo Tsar, ele tinha uma boa ideia de pelo menos uma delas.

Claro que nada poderia prepará-lo para o que receberia como reconhecimento por seus serviços ao Império Russo e à Casa de Romênov. Bruno entrou no palácio onde o Tsar estava refugiado, vestindo um uniforme militar recém-limpinho e passadinho.

Porém, não era o uniforme da Divisão de Ferro que ele usava. Surpreendentemente — ou, ao menos, do ponto de vista de Bruno — o Tsar havia preparado para ele um uniforme do Exército Imperial Russo. Em retrospectiva, isso deveria ter indicado a grandiosidade das medalhas que estava prestes a receber.

Mas Bruno pensou, honestamente, que aquilo era apenas uma jogada para a mídia. No entanto, aceitou o "pedido" do Tsar e vestiu o uniforme russo para a grande cerimônia em sua homenagem.

A Casa de Romênov, em sua totalidade, estava ali em pé, orgulhosa, diante de Bruno, que tinha ao seu redor uma guarda de honra ricamente uniformizada. Junto dela, havia vários generais e almirantes russos de destaque ao fundo, todos encarando Bruno com diversos olhares.

Alguns o viam como um herói do Império Russo e seu povo. Outros o consideravam um general estrangeiro que poderia se tornar um adversário poderoso no futuro. Mas, independentemente de suas opiniões, permaneceram totalmente calados quando um coronel russo avançou com uma caixa que entregou ao Tsar.

A caixa continha seis honrarias distintas de graus variados, todas reconhecidas por Bruno — um homem estudioso de história — que tinha uma obsessão antiga por monarquias, sobretudo europeias, antes do seu colapso ao final da Grande Guerra.[1]

Entre essas condecorações, muitas permitiam que Bruno possuísse terras no Império Russo, além de status nobre. Significava que Bruno seria nobre não apenas do Império Alemão, mas também do Russo. Ele olhou fixamente para o Tsar, tentando manter a expressão impassível e esconder sua surpresa.

Talvez o Tsar tivesse reconhecido as habilidades de Bruno e decidido conceder-lhe tais honras para mantê-lo próximo da Rússia e da Casa de Romênov, ao invés de arriscar que ele se tornasse um inimigo difícil de manejar.

Ou, quem sabe, era apenas um ato de ingenuidade por parte dele, sem compreender a real importância do que estava fazendo. Afinal, o próprio Tsar Nicolau II é citado na história dizendo que não se sentia preparado para ser monarca ao subir ao trono.

De qualquer forma, essas eram honrarias que Bruno não poderia recusar. Na ponta mais distante, estava a menos significativa: a Ordem de Santo Stanislaus, de 3ª classe.

A Ordem de Santo Stanislaus foi originalmente uma condecoração polonesa concedida pela Commonwealth Polaco-Lituana, posteriormente adotada pela Casa de Romênov como prêmio dinástico destinado a civis e militares destacados, como maneira de conceder nobreza.

A variante que Bruno recebeu era a mais simples: um medalhão preso ao peito, sem estrelas ou faixas. Contudo, tinha duas espadas cruzadas, indicando que fora concedida por motivos de combate.

A próxima distinção foi a Ordem de Santa Ana, também de 3ª classe. Assim como a anterior, tinha quatro classes, sendo a mais baixa um simples botão, não uma medalha. A variante de Bruno também tinha duas espadas cruzadas, simbolizando bravura militar em combate.

Depois veio a Ordem de Santo Vladimir. Semelhante às duas anteriores, essa condecoração conferia o título de nobreza, embora isso valesse somente antes de 1900. Após essa data, apenas a 1ª classe concedia nobreza pessoal, não hereditária, como as outras duas medalhas.

Para constar, Bruno não recebeu a 1ª classe da Ordem de Santo Vladimir, tornando esse detalhe insignificante. Em vez disso, recebeu a 4ª classe, outro medalhão que deveria usar no peito, ao lado das demais condecorações conquistadas por bravura militar em várias guerras e campanhas.

Assim como as duas medalhas anteriores, esta também tinha espadas adicionadas, símbolo de distinção militar na guerra. O próximo prêmio, no entanto, era o mais prestigiante em termos de grau, embora ainda assim ocupasse o segundo lugar em importância geral.

Bruno ficou boquiaberto ao ver o Tsar envolver seu corpo com uma faixa de veludo vermelho-escuro e prender uma estrela de peito abaixo da fileira de medalhas já recebidas. Essa era a primeira distinção desse tipo que Bruno recebia nesta vida. A faixa tinha uma medalha na ponta — Bruno reconheceu como a variante militar da Ordem Imperial de São Alexander Nevsky.

Essa ordem era geralmente reservada a oficiais superiores por distinção em combate e vitórias na defesa da Pátria russa. Também era concedida a políticos por feitos excepcionais em áreas similares.

Por isso, raramente era entregue a alguém abaixo do posto de general de brigada ou equivalente político, que, para registros, era o mesmo posto de Bruno no exército alemão.

Foi somente neste momento que Bruno começou a compreender plenamente o significado por trás do uniforme que vestia. Ele se tornara um dos poucos estrangeiros a receber o título honorífico de Marechal-de-Divisão.

Para colocar em perspectiva, o posto de Marechal-de-Divisão era o mais alto nas Forças Armadas russas. Mas não era uma exclusividade russa. Diversas grandes potências tinham rank similar — como o Generalfeldmarschall alemão e austro-húngaro, além do Field Marshal britânico.

Esse posto equivalia a um general de cinco estrelas na força militar americana. E tinha um peso e autoridade significativos. Claro que o Tsar russo também poderia conceder esse posto a estrangeiros, como Bruno neste caso.

Costumava-se concedê-lo a monarcas estrangeiros, como o Kaiser do Império Alemão ou o Arquiduque da Áustria. Contudo, há alguns nomes na história que o conquistaram sem sangue real nas veias — e Bruno era um desses poucos orgulhosos.

Essa distinção era tão única que só existia em uma graduação. Bruno ficou surpreso por ter recebido tal honraria. Mas mais ainda pelos outros dois prêmios, que repousavam confortavelmente em uma caixa de veludo.

Esses dois últimos reconhecimentos eram, na verdade, a mesma ordem, apenas de classes diferentes. Foram as honrarias mais elevadas concedidas pelo Império Russo por excelência militar: Bruno finalmente recebeu a Ordem de São Jorge, tanto na 4ª quanto na 2ª classes.

A Ordem de São Jorge era dada a oficiais superiores por desempenho excepcional no campo de batalha. Quanto maior a classe, maior a conquista. Por exemplo, a 1ª classe era concedida a reis ou generais que venciam guerras em defesa da Pátria russa.

A Segunda Classe, por outro lado, era destinada a generais que conquistaram campanhas importantes.

Considerando que Bruno venceu duas campanhas estratégicas pelo Império Russo — na Ingria e no Volga — regiões de importância crucial que, se perdidas, poderiam ter sido desastrosas para o Tsar e suas forças, era justo que ele recebesse a Ordem de São Jorge de Segunda Classe, além de uma classe inferior, como reconhecimento pelos seus esforços na preservação da Casa de Romênov e do Império Russo.

A classe de Segunda Classe da Ordem de São Jorge era concedida com uma estrela de peito, ao contrário da faixa do grau superior, e vinha na forma de um rótulo de pescoço. O motivo de o Tsar ter optado pelo grau de 4ª classe, ao invés da 3ª, foi apenas estético: a 3ª era semelhante à 2ª, porém menor e sem estrela de peito.

Para manter a apresentação, Nicolau II não quis que Bruno carregasse duas medalhas quase idênticas penduradas no pescoço, então deu-lhe a menor categoria, que consistia em uma medalha acima de todas as outras, incluindo as recebidas do Tsar, do Imperador do Japão e do exército alemão.

Bruno, honestamente, sentia-se desconfortável ao olhar para tantas honrarias militares; tinha agora um dos graus mais altos de comandos do mundo. Contudo, suas maiores condecorações tinham vindo de nações estrangeiras e seus monarcas.

A única medalha que o Império Alemão lhe entregara até então foi uma comemorativa da participação alemã na Campanha dos Boxer, entregue a todos os soldados que participaram do breve conflito.

Mas, para seu crédito, o Império Alemão não travava uma guerra significativa desde 1871 e não o faria novamente até 1914.

De qualquer modo, com oito medalhas no peito, duas estrelas de peito, uma faixa e uma fita ao redor do pescoço, Bruno não podia deixar de pensar que, ao final de sua carreira militar, poderia parecer um daqueles generais norte-coreanos que a internet zombava em sua vida passada por terem um número absurdo de medalhas — a maioria conquistada na paz.

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