Re: Blood and Iron

Capítulo 13

Re: Blood and Iron

Bruno foi rápido em enviar um mensageiro de volta ao seu comandante, informando que os russos já haviam atacado a aldeia. Em resposta, recebeu a ordem de se reunir com a companhia na cidade e ajudar a reforçar a posição russa.

Quando ele e seus homens conseguiram fazer isso, os russos já haviam reunido um grupo de civis, tanto homens quanto mulheres, de todas as idades. Onde amarraram suas mãos pelas costas, enquanto os alinhavam contra a parede para executá-los.

A situação na cidade era um verdadeiro campo de desastre. Uma coisa era bombardear uma posição inimiga entrincheirada entre civis, ignorando os civis e as vítimas que poderiam resultar na tentativa de destruir o inimigo. Mas era completamente diferente saquear, estuprar, incendiar e pilhar uma aldeia após a vitória já ter sido conquistada.

Para Bruno, por mais insensível que parecesse, essas ações eram simplesmente inaceitáveis e correspondiam exatamente à definição de "crimes de guerra". Por isso, ele não se aproximou imediatamente do comandante ao se reunir com suas tropas. Em vez disso, seguiu até o oficial russo responsável, reprimindo a vontade de lhe dar um soco na cara, e o enfrentou em russo, como se fosse um morador de Moscou.

— O que vocês e seus homens estão achando que estão fazendo?!

O capitão russo ficou surpreso ao ver que um oficial alemão falava russo com tamanha perfeição, e, após sair do desmaio, respondeu à pergunta de Bruno com um sorriso convencido no rosto.

— Esses selvagens atacaram meus homens enquanto entrávamos pacificamente na área com a intenção de estabelecer segurança nesta região devastada pela guerra. Estamos apenas executando aqueles responsáveis por crimes contra o Tsar e o Exército Real!

Bruno não acreditava na audácia dessas palavras. As pessoas que estavam na fila para serem executadas eram claramente civis afetados por essa retaliação brutal.

Ao mesmo tempo, mulheres e meninas jazeavam nas ruas, algumas sem vida, outras em choque pelos horrores que haviam sofrido. Bruno não sabia. Enquanto isso, crianças pareciam estar deitadas no chão, empoçadas de seu próprio sangue.

A própria cidade havia sido incendiada, e tudo o que tinha algum valor era recolhido no centro, onde soldados russos examinavam cuidadosamente para garantir que fosse algo que poderiam vender para lucrar. Aquilo não era retaliação, era um massacre total e completo.

Por isso, Bruno ficou completamente horrorizado com esse comportamento repugnante. Assim não era o jeito de um oficial ao serviço de um monarca, muito menos o de um nobre — que, pelo fato de a Rússia ter abolido a servidão há poucas décadas, provavelmente eram esses oficiais.

Com tudo isso em mente, Bruno mal conseguiu controlar sua raiva, agarrando a túnica do capitão russo e o repreendendo como se fosse seu superior direto.

— Você Está louco? São claramente civis! Mesmo que alguns tenham atacado suas tropas, isso justifica um massacre assim? E as mulheres e meninas que vejo na rua, desnudadas e mortas, presumivelmente pelas mãos de seus homens? Como você pode se justificar por isso?

— Você não passa de um bandido comum! Vou denunciar esses crimes ao seu comandante assim que voltar para a base. Espere só! Você e seus homens vão passar na frente de uma turma de fuzilamento antes do fim da semana!

O capitão russo, aparentemente furioso com a ameaça de Bruno, rapidamente sacou sua pistola e apontou para o alemão. Um ato claro de hostilidade contra o Império Alemão. Ele tentou intimidar Bruno enquanto seus homens continuavam a espancar os civis ao fundo.

— Tenente, você deve ser novato aqui. Então me permita dar um aviso justo. É assim que as coisas funcionam nesta terra atrasada. Agora que o Governo Qing se rendeu, somos livres para fazer o que quisermos!

Se você planeja causar problemas para mim e meus homens, não tenho reparos em enterrá-lo nesta terra selvagem!

O fato de o oficial russo ter puxado o revólver contra Bruno provocou uma resposta da companhia de atiradores alemães, que rapidamente levantaram suas armas, apontando para os soldados russos, que eram de número aproximadamente igual, embora estivessem focados demais em seus crimes para perceberem imediatamente o que tinha acontecido.

Bruno agiu por instinto, agarrando rapidamente o cano do revolver Nagant M1895 do capitão russo, desviando-o, e dando um chute na virilha do homem. Depois, arrancou o revólver de suas mãos, apontando a arma para a têmpora do oficial — que caiu de joelhos, vomitando após um golpe brutal que abriu um de seus testículos.

Com uma expressão serena, Bruno pronunciou as últimas palavras que o capitão russo ouviria antes de ser executado ali mesmo:

— Você puxou uma arma contra um oficial do Exército do Kaisers e o ameaçou na presença de seus homens. Não me culpe pela minha falta de misericórdia!

*Tchum*

O disparo ecoou ao ar enquanto Bruno puxava o gatilho, matando o oficial russo, que teve seu cérebro explodido na grama ao lado da estrada. O barulho do tiro finalmente chamou a atenção dos soldados russos, que estavam visivelmente embriagados — sem dúvidas, tinham bebido bastante das bebidas locais da vilareja.

Ao ver que um oficial sob seu comando tinha sido claramente ameaçado pela força russa, o capitão alemão não teve alternativa senão ordenar que seus homens prendessem os soldados russos envolvidos na pilhagem. Seus olhos faiscaram enquanto ele encarava Bruno com uma fúria explícita.

— Homens! Capturem esses ladrões, e se ousem resistir, atirem neles!

Os soldados russos, embriagados e distraídos com outros assuntos, rapidamente se viraram para encarar os alemães com suas armas em punho. Provocando uma resposta de Bruno, que ordenou que seus homens massacrassem os russos.

— Atirem!

Soldados alemães do pelotão de Bruno abriram fogo contra os russos, matando dezenas na hora. Enquanto isso, Heinrich, igualmente furioso — talvez ainda mais, devido à sua natureza mais empática —, deu ordem para que seus homens fizessem o mesmo.

Ao fim, o comandante da unidade tinha ordenado que os homens atirassem nos russos se eles resistissem, e claramente estavam fazendo isso.

— Vocês ouviram o tenente, atirem!

O capitão alemão sentiu como se tivesse assistido ao mundo ruir, enquanto a situação escorregava de suas mãos. Os soldados alemães, a mando de seus oficiais, abriram fogo nos russos, que conseguiram disparar alguns tiros aleatórios antes de serem completamente atingidos por balas.

O tiroteio durou pouco, mas foi suficiente para gerar uma crise internacional. Mesmo assim, assim que os corpos russos jaziam sangue nas ruas, Bruno se aproximou dos civis que estavam na fila de execução. Arrancou a baioneta de sua bainha e começou a cortar as cordas que prendiam suas mãos, falando em mandarim enquanto o fazia.

— Vão-se embora! Esta aldeia não é segura para vocês. Quando os russos souberem do que aconteceu aqui, vão retaliar ainda mais!

Bruno impressionou Heinrich com sua maestria em duas línguas estrangeiras, e logo foi elogiado pelo capitão, enquanto este limpava a cena ao fundo.

— Você fala russo e chinês? Desde quando?

Um sorriso amargo se formou no rosto de Bruno ao olhar para tudo que aconteceu nesta aldeia. Ele balançou a cabeça antes de responder às palavras de Heinrich, quase como se dominasse várias línguas fosse algo natural.

— Tive bastante tempo sobrando na infância, então aprendi algumas línguas. Não é grande coisa. Ainda assim, se você fala russo, deve saber o que aquele bastardo me disse. Que aqui as coisas funcionam assim... Então parece que soldados russos não são os únicos a cometer tais atos criminosos pelo norte da China… O Reich pode ser tão culpado quanto os russos…

Quando Bruno terminou de falar, o comandante da sua companhia se aproximou dele, quase rosnando de fúria enquanto lhe deu um tapa na face.

— Seu insolente! Você tem ideia do que fez aqui?! Se não fosse o fato de termos testemunhas que podem afirmar que o oficial russo te ameaçou, tudo isso poderia escalar para uma guerra entre o Reich e o Império Russo!

Por que você teve que abrir essa boca estúpida? Aqui é guerra, não um concurso de tricô! E essas coisas são inevitáveis! Bobo, ingênuo! É isso que você é! Vou relatar tudo ao tenente-coronel quando voltar para a base!

Prepara-se para as consequências, seu idiota!

Bruno já sabia, no momento em que decidiu confrontar o oficial russo, que tudo provavelmente se transformaria naquela bagunça. Mas, se tivesse que ficar parado, assistindo à execução e ao estupro de civis inocentes na sua frente, preferiria atirar na própria cabeça do que conviver com tamanha culpa.

Seja agir com brutalidade na busca pela vitória, ou retaliar violentamente contra partisans que tomam armas ilegalmente e atacam seus soldados, tudo bem. Agora, agir de maneira tão selvagem com civis indefesos, após vencer a batalha, era pura crueldade de um selvagem, independentemente do quanto ele alegasse ser civilizado.

Essa era uma convicção firme de Bruno, provavelmente inspirada pelos ideais do século XXI, que vivera na sua vida passada. E ele não abriria mão desses princípios, não importa o que lhe acontecesse.

Pelo contrário, estava plenamente disposto a aceitar quaisquer consequências dessa confusão entre soldados alemães e russos na China Qing que ele mesmo havia provocado, e que assim tinha alterado a linha do tempo de maneiras que jamais poderia imaginar.


Ao retornar à base, o incidente na aldeia chinesa foi informado à cadeia de comando. Bruno foi inicialmente detido e levado à prisão por suas ações.

Mas, ao reportar o ocorrido ao coronel responsável pela ocupação alemã no Norte da China, um militar chamado Alfred von Waldersee, o próprio comandante enviou o relatório ao Kaiser, uma situação internacional que ele preferia não assumir a responsabilidade de resolver.

O Kaiser Wilhelm II estava em casa, desfrutando tranquilamente de seu café da manhã em Berlim, quando soube do que tinha acontecido na China. E como as forças do Tsar se preparavam para uma retaliação contra a Expedição da Ásia Oriental alemã pelo massacre de seus soldados.

Normalmente, ele não se importaria com uma questão tão trivial — e mandaria executar o responsável para acalmar os russos. Mas, ao ouvir o nome Bruno von Zehntner, ficou interessado de imediato.

— Você disse que o responsável é o tenente Bruno von Zehntner? O nono filho do Lorde Bruno? Que coisa interessante. Conte-me exatamente o que aconteceu…

Assim que o Kaiser soube que os soldados russos estavam praticando atos de banditismo contra a população local, e que Bruno tinha enfrentado corajosamente os criminosos — apenas para ser ameaçado com uma pistola na testa por ousar dizer que iria denunciá-los às autoridades — ele não conseguiu disfarçar seu desdém.

— Meu Deus, isso realmente aconteceu? Então por que exatamente o tenente está preso na cela? Se o que você diz é verdade, ele enfrentou um grupo de ladrões e respondeu de maneira adequada. Não ordenou sua execução ali mesmo, apenas afirmou que iria reportar seus crimes às autoridades!

— E pensar que o oficial russo teve a insolência de puxar a arma contra um de meus oficiais? Bruno deveria ser elogiado por suas ações, não condenado. Libertem-no imediatamente. Enquanto isso, entrarei em contato com o Tsar para resolver essa disputa de uma vez por todas.

— Ah, e Chanceler… Quero uma investigação imediata para verificar se algum dos nossos soldados está participando de atos ilegais durante a ocupação. Se houver, que sejam despojos de seus ranks e títulos, antes de enfrentarem a fuzilamento!

O chanceler não ficou surpreso ao perceber que o Kaiser reagiria dessa maneira ao ouvir o que realmente aconteceu — ou, pelo menos, do ponto de vista dos soldados alemães presentes. Quanto à conversa entre o Tsar e o Kaiser, os efeitos daquele diálogo seriam de consequências graves para as futuras relações entre o Império Russo e o Reich Alemão.

Quando a ocupação alemã no Norte da China terminou, descobriu-se que mais de 100 soldados alemães haviam se envolvido em crimes semelhantes, resultando em sua execução, bem como na perda de seus postos e títulos de nobreza.

Assim, deu um exemplo claro de que as regras da guerra deveriam ser seguidas o tempo todo, mesmo durante uma ocupação de uma terra considerada selvagem por muitos.

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