
Capítulo 2
Re: Blood and Iron
Cinco anos haviam se passado desde o renascimento de Bruno neste novo mundo. E ficou imediatamente claro para ele que ele não estava mais no século XXI, no qual havia perecido antes de reencarnar.
Curiosamente, ele havia nascido antes da loucura e da ira de uma era já passada. Uma época que mudaria de maneira permanente o destino da Alemanha, transformando-a de um império poderoso em mais um Estado subordinado ao globalismo.
O ano de seu nascimento foi 1879, exatamente oito anos após a unificação do Império Alemão. Embora o povo alemão estivesse finalmente unido, era uma época de crise econômica. Uma crise que duraria até os anos 1890.
No entanto, Bruno teve a sorte de ter nascido como o nono filho de uma casa nobre menor dentro do Reino da Prússia, que possuía considerável riqueza devido ao seu papel como industrial de guerra.
Essa família, embora formada há menos de um século, durante as Guerras de Napoleão, havia prosperado bastante por seu talento em fabricar máquinas de destruição, que eram compradas e utilizadas pelo Exército alemão.
O pai de Bruno era um homem rico e ocupado. Tinha ligações com o exército, por ter sido oficial anteriormente, além de contatos na política, no Reichstag. Isso o tornava bastante importante na sociedade em que Bruno crescia. O que significava que ele raramente estava em casa ou podia passar tempo com seu filho mais novo.
Quanto aos irmãos de Bruno, o mais velho já estava na metade do ensino médio, prestes a ingressar na Academia Militar Prussiana nos próximos anos, como era tradição na família von Zehntner. Afinal, ela tinha sido fundada no calor do combate, e seus filhos também seguiríam esse caminho.
Já o mais novo dos irmãos mais velhos de Bruno tinha apenas dois anos a mais que ele. Não tinha irmãs, e por isso, se desejasse um dia se tornar o cabeça da casa, enfrentaria uma longa e difícil batalha.
Porém, Bruno tinha ambições muito maiores. Em vez de ser o chefe de uma pequena família nobre alemã, seus objetivos eram impedir a queda do Reich alemão em 1918 e garantir sua supremacia no século seguinte.
Por isso, decidiu viver os primeiros anos da infância ao máximo, dedicando-se aos estudos na biblioteca do casarão, buscando aprender tudo o que fosse possível.
Desde cedo, Bruno demonstrou ser capaz de andar, falar, ler, escrever e fazer operações matemáticas básicas muito antes do que uma criança normal normalmente consegue.
Isso não se devia a uma inteligência superior por natureza, mas sim ao fato de ele manter as memórias de sua vida anterior.
Para a família, porém, foi uma surpresa. Para eles, nasceu um gênio incomparável na casa. E essa impressão só se confirmou quando, a cada ano, Bruno demonstrava mais conhecimentos, especialmente ao começar a ler todos os livros da biblioteca familiar.
Porém, tais feitos excepcionais tão cedo também tinham suas desvantagens. Sua mãe, por exemplo, costumava falar constantemente e de forma orgulhosa sobre os talentos de seu filho mais novo, que eram multifacetados e só aumentavam com o passar do tempo.
Embora isso gerasse muitas expectativas para seu futuro entre as figuras mais influentes da sociedade alemã, também criava inimigos para o menino. Não apenas entre os descendentes de outras famílias nobres de sua faixa etária, mas especialmente entre seus irmãos.
Apesar de ter apenas cinco anos, Bruno frequentemente sofria bullying e assédio, sendo o mais comum o próprio irmão mais novo, Ludwig.
Ludwig era uma criança normal, totalmente mediana, exceto pelo fato de sua posição social. Sentia uma profunda inveja pela atenção e elogios que Bruno recebia dos pais e de seus tutores, o que muitas vezes se manifestava em birras.
Hoje não foi diferente. Ludwig empurrou Bruno enquanto ele saía da biblioteca do casarão, carregando uma pilha de livros, que continha conhecimentos considerados avançados para a idade dele, espalhando tudo pelo chão.
Enquanto isso, Bruno levou arranhões no topo dos joelhos. A dor era suave para ele, que em sua vida passada já tinha sido baleado várias vezes mesmo antes de morrer. Mas o que o incomodou mesmo foi a falta de respeito. Então, limpou a poeira, olhou com uma expressão fria em seus olhos azul-claro e seguiu em frente.
Esse ato de total indiferença só deixou Ludwig ainda mais furioso. Não era apenas por Bruno ser melhor do que ele em tudo, mas pela maneira como o garoto ignorava cada tentativa do irmão mais novo de expressar sua ira.
Por isso, Ludwig empurrou Bruno novamente, fazendo-o cair no chão de forma violenta. Mas Bruno se levantou imediatamente, sem se importar, limpando-se mais uma vez e tentando passar por Ludwig para acalmar a situação.
Esse desprezo pelas tentativas frustradas de Ludwig de machucá-lo poderia ser visto como maturidade — algo que sua mãe certamente elogiaria. Mas para Ludwig, era apenas uma demonstração de desprezo, e ele agarrou o colarinho de Bruno, começando a gritar com ele e levantando o punho.
"Seu idiota! Achou que é tudo isso? Deixa eu te mostrar!"
Antes que Ludwig pudesse golpear o irmão mais novo, uma criada veio correndo pelo corredor até eles. Ela não tinha visto os dois brigando, mas tinha outra missão.
Assim que entrou na sala, Ludwig recuou, sem vontade de ser pego intimidando o filho predileto. Finjou estar amigável com Bruno o tempo todo, correndo até ela e pedindo um abraço como se fosse uma criança inocente.
"Helga!"
No entanto, a mulher chamada Helga ignorou Ludwig, passando por ele e se ajoelhando na frente de Bruno. Ela tinha uma expressão séria no rosto. Não era algo grave ou preocupante, mas Bruno já havia decorado há muito o rosto que ela fazia quando o Mestre da Casa lhe chamava para buscá-lo. E, de fato, essas eram as palavras que ela diria.
"Jovem senhor Bruno, seu pai pediu que eu viesse buscá-lo. Tem uma notícia importante para você. Venha por aqui, rápido!"
Ludwig fez cara de irritado ao ver que Helga mais uma vez ignorava-o pelo bem do irmão menor. Ela percebeu isso e, enquanto segurava a mão de Bruno e o guiava adiante, garantiu que voltaria a dar atenção a Ludwig mais tarde.
"Sinto muito, jovem mestre Ludwig, mas as ordens do seu pai são claras. Vamos brincar juntos em outra ocasião!"
E com isso, as tentativas de Ludwig de intimidar seu irmão mais novo foram definitivamente frustradas, pelo menos por enquanto.
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Bruno entrou no escritório do pai e ficou surpreso ao ver que ele não estava sozinho. Sua mãe também estava lá, além de outra pessoa da família na sala oposta.
Ao seu lado, estava um homem de meia-idade, trajando um uniforme militar ricamente ornamentado. Com ele, uma mulher bonita, provavelmente na casa dos vinte anos, vestia um vestido luxuoso. Entre eles, uma menina mais nova, aparentando um ou dois anos a menos que Bruno.
Como alguém criado com etiqueta nobre, Bruno imediatamente fez uma reverência perante seu pai e o general prussiano, anunciando sua presença.
"Nobre pai, General, vim atendendo ao seu chamado. Se me permitem, gostaria de saber do que se trata."
O homem de meia-idade, vestido com o uniforme de general prussiano, ajeitou seu bigode bem cuidado e encerado, enquanto observava Bruno e suas maneiras. Ele deu uma aprovação silenciosa com o olhar.
Parecia surpresa com a postura adequada do menino. Bruno, por sua vez, manteve a cabeça baixa até receber permissão para se levantar. Mas antes que pudesse, o general voltou sua atenção ao pai de Bruno e falou com alguém que também tinha o nome do menino mais novo:
"Senhor Bruno, este é o menino? O jovem prodígio de quem tanto ouvi falar?"
A família de Bruno era considerada, em geral, de origem Junker — nobreza tradicional da Prússia. No entanto, o olhar que o general lançou ao pai de Bruno era repleto de desprezo.
Certamente, esse homem vinha de uma linhagem antiga, e, se Bruno tivesse que apostar, era de uma família que conquistou seu status na Idade Média, com terras dadas em troca de responsabilidades feudais.
Ao contrário da família de Bruno, que ganhou o título de nobreza há menos de cem anos por mérito em combate, para uma antiga linhagem nobre, como a do general, a família de Bruno era uma ascensão recente, uma forasteira em sua herança e poder dentro do Reich.
Quanto à menina, ela era uma criatura tímida e nervosa. Assim que Bruno entrou na sala, ela se escondeu atrás da mãe, olhando de relance, como se tivesse visto algo assustador.
Ela possuía cabelos dourados finos e olhos azul-claro, assim como Bruno. Seus longos cabelos sedosos estavam presos em dois trançados. Se Bruno, apesar de sua idade mental e física, fosse uma criança de cinco anos, poderia achar aquela garota encantadora à primeira vista.
Porém, Bruno mal reparou na menina ou em seu comportamento estranho. Não tinha interesse nesse tipo de coisa. Afinal, embora seu corpo fosse de uma criança de cinco anos, suas memórias pertenciam a um homem com mais de cinquenta. Como poderia ele se importar com uma garota tão jovem?
Por isso, Bruno jamais teria previsto as próximas palavras do general.
"A educação desse garoto é exemplar, considerando sua origem, e não vejo imperfeições. Você criou esse menino muito bem. Decidi que ele irá se casar com minha filha mais nova."