Re: Blood and Iron

Capítulo 34

Re: Blood and Iron

A viagem para Manchúria levaria facilmente um mês e meio, talvez até mais. Por isso, Bruno passou seus dias se acostumando à tripulação do SMS, Hansa, e aos oficiais a bordo.

Quando não estava fumando no convés, conversando com os marinheiros ou contemplando os muitos mares e oceanos do mundo, ele se encontrava no interior do navio, jogando pôquer com Heinrich e Erich. Ou então conversando com o Capitão e seus subordinados.

A vida na Marinha era diferente da do exército. E, numa noite, ao jantar com o Capitão do navio, Bruno fez uma brincadeira bem-humorada sobre isso.

"Sinceramente, não sou o tipo de homem que passa a vida no mar. Prefiro não afogar no oceano caso o navio naufrague. Prefiro que me deem um tiro na cabeça, ou uma morte rápida por artilharia, qualquer dia da semana. A vida de marinheiro não é pra mim!"

Contrariando o tom sombrio da piada de Bruno, o Capitão Hermann von Humboldt riu antes de zombar do jovem general por suas palavras.

'Ah? Você talvez não confie na sua capacidade de nadar, General? Não se preocupe, há bastante colete salva-vidas e botes a bordo deste navio. Que Deus nos livre de algum imprevisto durante nossa viagem. Eu vou garantir que jogarei um pra você!"

Como o Capitão demonstrou ser uma pessoa de bom humor apesar de suas palavras um tanto brutais, Bruno respondeu a essa provocação com algumas próprias.

"Ah, eu tenho bastante confiança na minha habilidade de nadar. Mas sou só humano. As chances de eu conseguir chegar na costa se o navio afundar no meio do oceano são praticamente zero. Mas quem sabe, talvez as sereias realmente existam e salvem minha pobre alma afogada por eu ser tão bonito. Embora eu morra de medo do que minha esposa iria dizer depois disso…"

O Capitão riu das palavras de Bruno enquanto lhe servia outra bebida da garrafa de aguardente que havia tirado de seu estoque particular para aquela ocasião. Não pôde deixar de comentar também sobre como seu irmão vinha evitando o assunto casamento nos últimos tempos.

"Falando nisso, Erich já está na casa dos vinte e poucos anos e ainda não encontrou uma mulher. Todas as tentativas da família de arrumar uma noiva para ele foram rejeitadas. Estou começando a achar que ele talvez goste de meninos…"

Houve um silêncio por vários segundos enquanto Bruno bebia sua bebida. Ele queria parecer que sabia de algo a respeito dos últimos comentários de Hermann, mas preferiu não falar nada. E, ao fazer isso, deixou Hermann bastante ansioso, pois o homem logo passou a falar seus pensamentos em voz alta.

'Não me diga que esse garoto é… isso mesmo?"

Vendo a oportunidade de se vingar de Erich por algumas das brincadeiras que ele tinha feito com Bruno durante os anos na Academia, Bruno suspirou fundo, inclinou-se e sussurrou uma pequena mentira branca no ouvido do irmão do amigo.

"Você não ouviu de mim, mas, quando estivemos na China juntos, ouvi boatos… Agora, não posso confirmar se são verdade, mas… Pelo que soube, Erich tinha uma quedinha por uma certa local… Como posso dizer? Travestis…"

Os olhos de Hermann se arregalaram ao ouvir isso, claramente enfurecido com a revelação. Obviamente, Bruno tinha inventado essa história. Mas Hermann não tinha muito conhecimento sobre o que acontecia na China fora da colônia alemã de Tsingtao, onde seu navio frequentemente atracava.

Por isso, ele acreditou de fato nas palavras de Bruno, levantando-se de repente, ajeitando o uniforme e fazendo um último comentário ao convidado antes de sair apressado para procurar seu irmão mais novo.

"Com licença, acho que tenho alguns assuntos familiares para resolver."

Depois disso, Hermann saiu do quarto do capitão numa crise de mau humor, enquanto Bruno permanecia sentado, com um sorriso malicioso no rosto. Sem fazer barulho, bebeu um gole de sua bebida e, por fim, soltou um comentário quando tinha certeza de que só ele poderia ouvi-lo.

"Pois bem, isso deve garantir algumas boas risadas nos próximos dias…"

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Nem preciso dizer que a bronca que Erich levou de maneira repentina do irmão mais velho foi bastante confusa e irritante. Levaram apenas dois minutos para ele perceber que Bruno tinha inventado toda aquela lorota para colocar o irmão em maus lençóis com a família.

Por isso, o homem foi até o quartel de Bruno, com um sorriso convencido no rosto, rindo e admitindo que Bruno tinha sido realmente esperto dessa vez.

"Sabia que levou duas horas para convencer meu irmão de que eu não sou homossexual? Ele ameaçou procurar minha família e me cortar do testamento! No geral, tenho que dizer, deu um golpe de mestre… Mas não pense que vou deixar barato! Vou te dar o troco assim que chegarmos à Manchúria! Pode apostar!"

Bruno bufou, balançando a cabeça. Sabia que isso iria iniciar uma guerra de pegadinhas entre os dois, como tinham feito na época da Academia. Afinal, faz menos de uma semana que estavam no navio e Bruno já estava entediado de morrer.

Por que mais ele causaria toda essa confusão? Entreter-se é difícil quando se está preso numa embarcação por mais de um mês sem nenhuma diversão. E, por isso, respondeu a Erich com um tom de superioridade na voz.

"Desafio aceito. Mas vamos estabelecer algumas regras. Nada de pegadinhas que causem ferimentos graves à pessoa ou à reputação. Pelo menos não algo que possa ser facilmente resolvido, como a que acabei de fazer. Fora isso, vale tudo. Combinado?"

Erich assentiu rapidamente, concordando com essas condições com um tom tão confiante quanto o de Bruno.

"Fechado! Pode apostar, vou te fazer implorar pelo fim dessa brincadeira antes que a semana acabe!"

Depois de dizer isso, Erich saiu do quartel de Bruno, provavelmente planejando uma revanche pelo que acabou de acontecer. Quanto a Bruno, ele já estava no meio de criar sua própria surpresa.

Na mão de Bruno havia um dispositivo rudimentar, feito por ele durante as duas horas em que Erich foi repreendido. Parecia uma granada, mas não era uma granada de fragmentação nem de efeito contundente — ambas letais ao explodir.

Pelo contrário, era uma espécie de flashbang bem simples. Na verdade, não exatamente. Era mais parecido com aquelas "flashbangs" legais usadas por civis em partidas de airsoft no século XXI. Em essência, o dispositivo era um tubo de papelão com uma pequena carga de pólvora por dentro.

Bruno montou o artefato com materiais encontrados a bordo e o colocou dentro da mala de Erich. Assim, na próxima vez que ele abrisse para trocar de roupa, a coisa explodiria, causando uma disfunção temporária na visão e na audição do jovem.

O ruído não seria alto o bastante para causar danos permanentes ao ouvido, nem a luz do flash o bastante para cegá-lo por muito tempo. Mesmo assim, Bruno criou praticamente a primeira "flashbang" caseira, para trollar seu amigo e subordinado numa guerra de pegadinhas.

Na verdade, agora que Bruno pensava nisso, tinha esquecido de fazer granadas de impacto e de fragmentação para uso no exército. Algo que certamente precisaria fazer quando voltasse à Alemanha após essa guerra na Manchúria.

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Durante o resto da noite, Bruno decidiu passar seu tempo livre lendo um romance. Até ouvir um estrondo alto vindo do quarto ao lado, seguido pelos gritos de seu amigo, que sem dúvida tinha acabado de acionar a armadilha na mala.

O barulho da explosão da flashbang foi certamente forte o suficiente para fazer as pessoas correrem até lá. Onde encontraram Erich caído no chão, desorientado e xingando sem parar.

"Filho da puta! Que porra foi essa? Bruno! Seu filho da puta!"

Bruno entrou rapidamente no cômodo, enquanto a equipe de emergência já tinha entrado para verificar os danos e localizar a origem do barulho.

Obviamente, Bruno não iria admitir o que tinha acabado de fazer. Em vez disso, segurava seu romance numa mão e fingia uma expressão inocente ao perguntar a Erich o que diabos tinha acontecido com ele.

"O quê? O que fiz? Estava só lendo um romance quando ouvi um estrondo vindo do seu quarto. Como seu amigo, vim correndo verificar se você tava bem. Graças a Deus, você está bem!"

Até então, Erich tinha se recuperado do susto. Achava que tinha sido atingido por uma explosão e que tinha morrido ali por um instante. Então olhou para Bruno, cuja expressão de ingenuidade tinha se transformado numa expressão diabólica, e decidiu que revidar não valia a pena.

Por isso, ele se levantou e declarou que a guerra de pegadinhas tinha acabado menos de um dia após começar.

"É isso aí, seu louco! Não vou mais brincar do seu jogo doente! Isso acabou!"

Depois dessas palavras, Erich saiu, provavelmente pensando em uma forma de se vingar do que Bruno tinha feito. E Bruno, por sua vez, já estava preparando sua própria surpresa.

Na sua mão, havia um dispositivo rudimentar, feito na embarcação enquanto Erich era repreendido. Parecia uma granada, mas não era uma granada de fragmentação nem de impacto. Era uma espécie de "flashbang" caseira, feita com materiais simples, que Bruno tinha preparado para trollar o amigo.

Ele tinha montado o aparelho com uma simples haste de papelão, contendo uma pequena carga de pólvora e uma tampa de metal improvisada para criar o estalo de luz e som.

Era uma brincadeira de mau gosto, mas eficiente para fazer o colega se assustar e ficar perdido por alguns segundos, sem perigo de ferimentos sérios.

Na sua cabeça, Bruno pensava no que faria na próxima oportunidade para continuar a guerra de pegadinhas, sabendo que por mais que fosse divertida, tinha seus riscos — e que logo logo, precisaria aprender a fazer granadas melhores, de impacto ou fragmentação, para uso militar.


Nenhum detalhe adicional. Bruno gostava de se divertir às custas dos amigos, e sabia que essa diversão tinha que continuar até chegarem à Manchúria…

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