
Capítulo 25
Re: Blood and Iron
A vida de Bruno durante a semana seguinte foi bastante tranquila. Ele passava todos os dias em casa com sua esposa. Livre de quaisquer preocupações reais que poderiam ter chamado sua atenção. Felizmente para ele, não estava sendo enviado para algum canto remoto do mundo.
E, ao invés disso, quando chegou a hora de retomar o serviço ativo, ainda conseguia voltar para casa toda noite. Como a antiga mansão deles ficava próxima o suficiente da base militar para ser considerada dentro do raio aceitável de moradia fora da base para os soldados já casados.
Quanto à nova unidade de Bruno, ele foi designado a outra Companhia de Infantaria. Tinha um novo comandante e novos subordinados. Com Heinrich e Erich sendo enviados para outras unidades pelo resto da Prússia, Bruno se viu em um ambiente novo e desconhecido.
Seu trabalho diurno em tempos de paz era bem simples. Aquelas tarefas rotineiras que a infantaria precisava fazer quando não havia guerra: manter os padrões físicos, e de vez em quando treinar tiro. Além disso, os soldados passavam o tempo no quartel com pouca atividade, normalmente recorrendo à bebida e às apostas para passar o tempo.
Bruno, como comandante da Companhia, ficava restrito a um trabalho de escritório durante as horas em que não treinava ativamente sua equipe de franco-atiradores. E, por isso, achava seu tempo de paz na nova unidade bastante monótono.
No entanto, foram só algumas semanas de rotina banal até que Bruno recebesse uma carta da Divisão Central. Não foi enviada para sua casa, mas entregue pessoalmente pelo seu novo comandante de batalhão, um homem que observava a medalha no peito de Bruno com respeito.
Ele mesmo era veterano da Guerra Franco-Prussiana, tendo conquistado uma Cruz de Ferro durante o conflito. Além disso, usava a Medalha do Centenário, uma condecoração criada pelo Kaiser Guilherme II para homenagear o centésimo aniversário do nascimento do seu avô.
Essa medalha foi concedida aos soldados dois anos antes da formatura de Bruno na Academia. E, por isso, ele ainda não tinha uma para ostentar. Ainda assim, o coronel parecia respeitar o fato de Bruno ter se voluntariado para lutar na Rebelião dos Boxers, algo que a maior parte do Exército, inclusive ele, costumava negligenciar.
Por causa disso, seu tom ficou mais gentil ao entregar a carta a Bruno do que o habitual com seus demais subordinados.
"Esta é uma carta da Divisão Central do Alto Comando, endereçada a você pessoalmente. Não li o conteúdo, nem ninguém mais, na verdade. Seja qual for o motivo, suspeito que seja de grande importância. Então pare o que estiver fazendo e concentre-se nisso."
Após dizer isso, o coronel saiu com uma breve reverência. Bruno então abriu a carta e se deparou com uma notícia surpreendente. Ao que parecia, sua inscrição na Escola de Guerra Prussiana tinha sido aceita. Havia uma data específica para ele fazer o teste de admissão.
Parece que a recomendação do seu coronel foi suficiente para convencer o Alto Comando do Exército a fazer uma exceção para Bruno e dispensar o requisito mínimo de cinco anos de serviço que todos os outros candidatos precisariam cumprir para ingressar na academia.
Por isso, Bruno ficou bastante convencido de que deveria começar a estudar para o exame imediatamente. Ou seja, após concluir a pilha de documentos na sua mesa.
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O tempo passou rápido, e as semanas se transformaram em meses. No final, veio o outono, e Bruno passou na primeira fase dos testes necessários para ingressar na Escola de Guerra Prussiana, com distinção.
Como instrutor na equivalente moderna da antiga Escola de Guerra da Prússia, Bruno tinha plena consciência do que seria preciso para passar na prova. Já havia memorizado todo o conteúdo há bastante tempo.
Na verdade, como oficial de infantaria do século XXI, Bruno possuía uma compreensão muito mais ampla de estratégias modernas, táticas e logística do que seus instrutores poderiam imaginar.
No entanto, se ele queria se tornar o general mais jovem da história militar alemã, precisaria dedicar os próximos três anos de sua vida a estudar intensamente, fazendo parte do grupo de poucos corajosos que se formariam nessa instituição militar única.
A primeira coisa que Bruno percebeu ao se sentar na primeira aula foi que estava cercado por homens de patente superior e bem mais velhos que ele. Aos 22 anos, com menos de um ano de serviço militar, Bruno já ultrapassara a média ao receber uma promoção no campo de batalha a capitão.
Além disso, diferente de todos ao seu redor, ele tinha o privilégio exclusivo de frequentar a Escola de Guerra Prussiana sem cumprir o requisito mínimo de cinco anos de serviço. Por isso, recebia olhares estranhos dos outros estudantes.
O primeiro ponto que eles notariam seria o rosto jovial de Bruno. O segundo seria a medalha de bronze no peito, que sinalizava sua participação na Rebelião dos Boxer, algo que só ele parecia ostentar nesta turma.
O terceiro seriam os galões no ombro, indicando seu posto de capitão. Com isso, quem entendia do assunto logo colocava as peças no lugar, e um deles, inconscientemente, falou alto seus pensamentos.
"Será que ele é o Lobo da Prússia?"
Quando isso foi dito, todos os olhares se voltaram para Bruno. Afinal, com os rumores de que era um novato perigoso, eles imaginavam que ele fosse uma figura mais ameaçadora. Mas Bruno era um jovem bastante refinado. Seus traços eram nobres, sua face bonita, praticamente clássica. Até a cicatriz do duelo ele carregava com certa dignidade, longe de parecer ameaçadora.
Sim, ele era alto, atlético, mas não de uma forma imponente. Surpreendia a todos a ideia de que alguém conhecido por caçar os Remanescentes dos Boxer até acabar com eles fosse uma pessoa tão normal.
Bruno apenas olhou para toda atenção que tinha recebido no seu primeiro dia e suspirou. Não disse nada, nem precisou, pois no instante seguinte, o instrutor entrou na sala. Estava vestido com um uniforme de oficial bastante prestigioso, provavelmente de cavaleria.
Além disso, usava várias medalhas no peito, evidência de sua participação nos conflitos que levaram ao surgimento do Império Alemão. Havia mais de cinquenta anos de condecorações nesse peito.
E isso fazia sentido, já que o homem parecia bem avançado em idade — cabeça calva, barba imperial branca como a neve. Tinha uma aparência surpreendentemente similar ao atual Kaiser Franz Josef I da Áustria. Apesar dos anos de serviço, seu posto nunca havia chegado ao de general, o que explicava por que ele era apenas um instrutor.
Em vez disso, ostentava a insígnia de coronel nos ombros ao começar a gritar com os cadetes à sua frente, que pulavam de suas cadeiras ao receber suas ordens.
"Atenção!"
Bruno já estava acostumado a isso, considerando que vivia sua segunda vida na carreira militar. O veterano envelhecido observou rapidamente os novos cadetes e fez um comentário geral.
"Vocês estão aqui porque são os melhores oficiais que o Reich oferece. Olhem para o lado esquerdo e depois para o lado direito. Provavelmente, só cinco de vocês vão se formar nesta academia nos próximos três anos.
Os que estiverem ao seu lado não irão suportar a dureza desta escola e os altos padrões que ela exige. Mas, ao eliminarem os fracos e incompetentes, tenham certeza: aqueles que ficarem serão destinados a posições vagas no Estado-Maior."
Ele continuou, destacando que ele seria o principal instrutor em estratégia, tática e logística, e que, se alguém falhasse em qualquer prova, seria expulso da faculdade e retornaria às suas unidades. Apesar de todos terem passado na prova de entrada, iria começar com um teste de conhecimentos sobre a tática dos inimigos.
"E, para esclarecer, quando digo inimigos, refiro-me aos franceses. Você aí, no fundo, o jovem com insignia de capitão. Ouvi dizer que foi indicado pessoalmente pelo general responsável pela expedição francesa à China.
Das nossas fontes, sabe-se que você foi anexado à unidade dele como conselheiro. Com certeza, entende mais do Exército francês e de suas capacidades do que qualquer um aqui. Então, nos ilumine!"
De repente, Bruno virou o centro das atenções e suspirou internamente. Apesar disso, aquela era uma prova que tinha de passar para se formar na Escola de Guerra prussiana e conquistar um posto de destaque no Exército.
Mesmo assim… Bruno não conseguia evitar a sensação de que o instrutor usava aquela oportunidade para tentar expulsá-lo da faculdade… E isso era algo que ele não podia permitir sob nenhuma circunstância.