
Capítulo 9
Re: Blood and Iron
Ao contrário do que o pai de Bruno inicialmente acreditava que aconteceria após o duelo de seu filho com o Príncipe de Lippe, o Kaiser não ficou ofendido de forma alguma com as ações do garoto. Na verdade, ficou bastante satisfeito com seu desempenho, chegando a se aproximar pessoalmente do pai de Bruno para estabelecer vínculos.
Por causa disso, o pai de Bruno e a coalizão dos Junkers ganhariam bastante prestígio na próxima eleição do Reichstag. E, nos anos seguintes, Bruno seria nomeado para o Bundesrat, exatamente como desejava.
Apesar dos graves ferimentos, o Príncipe Júlio não morreu, e sim se recuperou completamente. Embora quisesse vingar-se de Bruno por tê-lo envergonhado tanto, seu pai o condenou severamente e garantiu que o Príncipe não causasse mais problemas.
Dois anos se passaram num piscar de olhos. Bruno concluiu seus estudos sem incidentes e se candidatou para ingressar no Instituto de Oficiais de Elite de Prússia Real, com recomendação pessoal do próprio Kaiser.
O qual tinha começado a monitorar Bruno intensamente após sua atuação naquela noite fatídica. Bruno foi aceito com facilidade na mais prestigiada academia militar da Prússia para formação de novos oficiais.
Como na maioria das academias militares, Bruno teria que morar na caserna, o que significava que não poderia voltar para casa por algum tempo. Por isso, reuniu sua mãe, pai e sua jovem noiva em sua casa. Onde despediu-se temporariamente, pois não poderia vê-los até as férias, quando receberiam licença.
Elsa e Heidi choravam copiosamente, pois não queriam esperar tanto tempo para ver o rapaz, não, o jovem homem, retornar da academia. No entanto, seu pai tinha um olhar de orgulho ao felicitá-lo por ter sido aceito na academia, assim como seus irmãos antes dele.
"Bruno, eu não duvido que alguém com seu talento fosse aprovado no Instituto de Oficiais de Elite de Prússia Real. Seus talentos são excepcionais, talvez até incomparáveis entre seus contemporâneos. Mas você entenderá que seu status de nobreza não significa nada no lugar para onde está indo.
Os tempos em que a nobreza conquistava posições de destaque nas Forças Armadas por herança ficaram para trás. O Exército agora é uma meritocracia pura. Você conquistará seu espaço quando merecer, mas precisa começar do zero como todo mundo."
"Recomendo que não trate mal aqueles de origem comum, pois também estarão ao seu lado como seus colegas cadetes. E não seria inteligente criar inimigos só porque nossa família conquistou a honra de ser chamada de Senhores."
Bruno, naturalmente, não tinha intenção de olhar os plebeus com desprezo. Nunca fizera isso nessa vida, e a razão era simples: ainda tinha memórias da sua vida passada, numa era muito tempo depois da queda da monarquia e das famílias nobres.
Por isso, ele não carregava arrogância por sua família pertencer a uma classe social superior. Assim, acenou com a cabeça, tranquilizando seu pai de que não haveria motivos para preocupações.
"Você não precisa se preocupar com isso, pai. Desde quando tratei alguém mal só porque era plebeu?"
Essa frase tranquilizadora fez Bruno pai sorrir e concordar com o mais novo dos filhos.
"De fato, você não é como seus irmãos. Desde pequeno, tinha uma postura de sabedoria e maturidade que geralmente só se vê com uma experiência de vida excepcional. Não me preocupo com você em nada. Agora, acho que duas senhoras estão ali esperando para se despedir."
Bruno apertou a mão do pai antes de se virar para falar com a mãe. Apesar de ela estar na faixa dos quarenta anos, parecia dez anos mais jovem. Ela chorava copiosamente, ao pensar que seu filho mais novo finalmente tinha se tornado um homem.
Por mais que tentasse resistir, Elsa não conseguiu conter o abraço apertado em Bruno. Ela segurou firme o garoto e fez ele prometer que ficaria bem.
"Meu menininho já virou homem, e está indo para a Academia. Promete para mim, Bruno, que vai escrever todo dia para a sua mãe! Quero saber como está a sua vida no Exército! Se alguém se atrever a te intimidar, você avisa sua mãe que ela resolve essa encrenca rapidinho!"
Bruno teve que se desprender do abraço da mãe. Já estava acostumado com seu jeito protetor. Mas também nunca fazia promessas que não pudesse cumprir. Por isso, recusou-se rapidamente ao pedido dela, garantindo que tudo ficaria bem.
"Calma, mãe, não é como se eu fosse à guerra agora. Estou apenas entrando num Instituto Militar de ensino superior. Vou ficar bem."
A mulher tentou abraçar Bruno novamente, mas ele desvio com seus reflexos felinos. Enquanto isso, seu pai apertou o ombro dela, segurando-a com firmeza para que ela não tentasse impedir sua saída. Afinal, havia outra jovem que precisava de sua atenção muito mais do que sua mãe.
Embora ela fosse apenas uma bastardinha, e uma não reconhecida. Bruno tinha confiado há tempos que Heidi era uma boa escolha para seu filho, e até começara a chamá-la de jovem "Senhorita" a sós, apesar de ela não ser uma nobre.
Bruno deu um pequeno aceno de aprovação ao pai antes de se aproximar de Heidi, que, como sua mãe, chorava. Ela tinha crescido ainda mais desde aquele baile há dois anos. Estava mais madura fisicamente, mesmo que ainda não fosse legalmente adulta.
Bruno enxugou a lágrima do rosto da jovem com o dedo, antes de abraçá-la forte, e garantiu que voltaria antes que ela percebesse.
"Heidi, será que você precisa realmente chorar por isso? Faltam poucos meses para nos ver de novo. Você é uma mulher adulta agora, uma que um dia terei orgulho de chamar de minha esposa. Siluramente pode esperar minha volta. Afinal, se algum dia me chamarem para a guerra, você terá que esperar muito mais."
Quando Bruno falou que um dia estaria marchando para a guerra, Heidi não demonstrou medo. Ao contrário, ela apenas sorriu e assentiu, prometendo-lhe que aguardaria com fidelidade seu retorno.
"Prometo, vou esperar até você me encontrar de novo. E em dois anos, finalmente vamos nos casar!"
Bruno acariciou o cabelo dourado e sedoso da jovem, como costumava fazer na infância, e se despediu enquanto os empregados da família pegavam seus baús e os acompanhavam até o carro.
"Até logo por enquanto, Heidi. Nos vemos em alguns meses…"
Depois de dizer isso, Bruno saiu da mansão de sua família, que era seu lar desde sua reencarnação nesta era. Não olhou para trás, completamente aberto ao seu futuro. Um futuro que ele esperava que o levasse a conduzir a Alemanha à vitória no século vindouro, para que os erros do passado pudesse ser completamente reescritos.