Re: Blood and Iron

Capítulo 20

Re: Blood and Iron

Não muito tempo após coordenar três avalanches em tantas fortalezas de Boxer, Bruno foi convocado de volta para a Área de Responsabilidade da Alemanha. Durante o inverno, os demais oficiais de sua unidade passaram principalmente o tempo resguardados no conforto e aquecimento da base.

Bruno, porém, permanecia no campo, orquestrando a morte de milhares de rebeldes. Ele ganhou uma reputação nesse conflito. Um homem brutalmente eficiente em localizar e eliminar o inimigo. Com apenas um combate, conseguia farejar onde os outros estavam escondidos, e, uma vez sentindo o cheiro, era o fim da linha para eles.

Por isso, os soldados franceses que estavam sob sua orientação lhe deram um apelido que rapidamente se espalhou entre os membros da Aliança das Oito Nações. Um nome que ele só tomou conhecimento ao voltar para a base, ao ser recebido pelo comandante de seu batalhão.

"Le loup de Prusse" — ou, em português, "O Lobo da Prússia".

A guerra durou menos de um ano. Quando os soldados alemães do Corpo Expedicionário da Ásia Oriental chegaram à China, já era outono. Agora, com o inverno se aproximando do fim e os objetivos alcançados, o Kaiser ordenou a dissolução da força voluntária principal e o retorno dos soldados à Pátria.

Além disso, o Kaiser autorizou a cunhagem de uma medalha comemorativa a ser entregue a todos os homens alemães que participaram do esforço de guerra. E Bruno, assim como os homens sob seu comando, receberiam sua condecoração ao voltarem para casa.

Mais 40 dias se passaram até que os navios alemães desembarcassem em Hamburgo. Depois, foi uma rápida viagem de trem até Berlim, onde sua esposa o aguardava. Bruno tinha sido transferido para uma unidade de Infantaria local na região, mas foi dispensado por um curto período antes de precisar se apresentar na sua nova missão.

No instante em que entrou em casa vestido com o uniforme militar e ostentando sua primeira Medalha no peito, foi recebido por sua jovem esposa. Que correu até ele e o abraçou, agradecendo a Deus por seu retorno seguro.

"Você voltou! Você realmente voltou! Está machucado em algum lugar!? Deixe eu te examinar! Ah, agradeço ao Senhor Deus Todo-Poderoso pelos seus anjos que enviou para cuidar e proteger você enquanto esteve fora! Você está com fome?

Recebi notícias antecipadas de que você estava a caminho e preparei uma refeição adequada pra você! Venha, deixe-me pegar seu casaco!"

Heidi, tão emocionada por ver Bruno em segurança, estava agindo de modo bastante impulsivo. Ainda assim, Bruno não fixou sua atenção no que ela dizia, mas sim no tamanho de sua barriga. Desde o dia em que saiu para a guerra, quase oito meses haviam se passado.

A mulher estava quase na fase final da gravidez, e, como pai da criança, Bruno nem ao menos tinha consciência disso durante todo esse período. Por isso, rapidamente guiou a esposa até uma cadeira, mesmo estando exausto da longa viagem de volta, após uma guerra relativamente breve, mas bastante estressante.

"Heidi… Você está grávida! Por que não me contou em nenhuma das suas cartas? Venha, sente-se. Você não devia se mover tanto por minha causa!"

A jovem ficou feliz ao perceber que, mesmo após ir à guerra, o marido se importava tanto com sua saúde que não hesitou em abrir mão do próprio conforto para garantir seu bem-estar.

E, após fazê-la se sentar à mesa, Bruno serviu a comida. Enquanto conversavam até tarde da noite sobre o que tinha acontecido nos últimos oito meses entre eles.

Sem querer que Heidi se preocupasse mais do que já havia se preocupado, Bruno omitiu detalhes importantes, como as várias escaramuças das quais participou, a conspiração para assassiná-lo por parte de seus colegas oficiais, ou o fato de ter sido preso temporariamente por suas ações contra os russos.

Ele não fazia ideia de que Heidi já sabia dessas coisas desde sempre. Em vez disso, preferiu conversar sobre o que tinha acontecido na vida dela, ao invés de tratar do que vivenciou na China. Após uma longa conversa, os dois se deitaram para dormir.

Pela primeira vez em muitos meses, Bruno se sentiu tranquilo ao adormecer, tendo a melhor noite de sono desde que saiu de Berlim há tanto tempo.


No dia seguinte, Bruno encontrou uma carta no correio. Era endereçada a ele pelo Tenente-Coronel que comandava seu batalhão durante sua passagem pelo Corpo Expedicionário da Ásia Oriental.

A carta informava que ele havia enviado uma recomendação ao Estado-Major Geral, mais especificamente à Divisão Central do Alto-Comando Alemão. Essa carta exaltava as conquistas de Bruno em combate e suas qualidades de líder.

Também recomendava que o Estado-Maior considerasse uma exceção para ele, de modo que não fosse obrigado a cumprir o requisito mínimo de cinco anos como oficial em serviço ativo antes de poder se inscrever na Escola Superior de Guerra da Prússia.

Embora o resultado dessa recomendação ainda fosse desconhecido, Bruno ficou satisfeito de saber que o Tenente-Coronel havia, de fato, cumprido a promessa. Por ora, ele preferiu deixar esses assuntos para depois de seu período de licença.

Por enquanto, estava mais preocupado em preparar um café da manhã delicioso para sua esposa grávida e acompanhar o nascimento do primeiro filho, que esperava sinceramente ser um menino. Bruno teria duas semanas de tranquilidade pela frente.

Antes de se apresentar à sua unidade ao final desse período, onde descobriria que a vida de um soldado na Pátria teria expectativas muito maiores do que a de um soldado expedicionário enviado ao exterior.

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