Assassino Atemporal

Capítulo 27

Assassino Atemporal

(Ponto de vista de Leo)

Depois de guardar seu uniforme no armário de parede e garantir que a nota misteriosa estivesse segura no banheiro, Leo saiu do alojamento, seu estômago finalmente lembrando quanto tempo fazia que não comia.

As provas do exame de entrada e da segunda fase tinham deixado pouco tempo para pensar em refeições, mas agora, a fome se instalava como uma dor surda.

A cantina ficava perto, a uma curta caminhada dos alojamentos, e sem querer ficar com fome por muito mais tempo, Leo decidiu fazer uma visita.


Horários da Cantina:

Café da manhã: 06h00 - 08h30

Almoço: 12h00 - 14h00

Jantar: 19h00 - 21h00


Pouco fora da cantina, estavam afixados os horários de serviço, e ao ver que a hora do almoço acabara de começar, Leo se sentiu aliviado por não ter perdido seu intervalo.

Empurrando a pesada porta da lanchonete, entrou, sendo imediatamente recebido pelo cheiro de comida quente e pelo murmúrio baixo de conversas dispersas.

A sala era espaçosa, de estilo militar, com longas mesas de metal alinhadas em fileiras organizadas. A comida era servida no bufê, com os recrutas se movendo pela linha com bandejas de metal, escolhendo o que precisavam.

Leo entrou na fila, seus olhos famintos olhando todas as opções de almoço disponíveis.

Ele esperava não reconhecer os alimentos, mas as opções apresentadas eram bastante básicas e fáceis de entender.

Havia carne, legumes, frutas e alguns acompanhamentos, e embora ele não soubesse exatamente que tipo de carne ou fruta estavam sendo servidos, decidiu pegar, desde que o cheiro estivesse bom.

A refeição era otimizada para nutrição, claramente feita para sustentar guerreiros em treinamento.

Cada prato tinha porção precisamente equilibrada de proteínas, carboidratos e fibras, pois a academia parecia valorizar a funcionalidade mais do que o sabor, mas a comida ainda parecia comestível — ou pelo menos melhor que as rações militares padrão.

Sua bandeja continha:

Uma porção de carne grelhada, levemente temperada, mas cozida à perfeição.

Legumes cozidos no vapor, com cores vibrantes, provavelmente fornecendo as vitaminas necessárias.

Um acompanhamento denso à base de grãos, parecido com arroz integral ou algo semelhante.

Uma pequena barra de proteína, embrulhada e colocada ao lado para mais sustento.

Uma garrafa de água nutritiva, destinada a manter a hidratação.

Uma garrafa de água de regeneração de energia, para recuperar resistência.

Uma garrafa de água de regeneração de mana, para restaurar a mana perdida.

E uma garrafa de água de recuperação muscular, para restaurar a função muscular máxima.

Após encher sua bandeja, Leo seguiu até uma mesa no canto, preferindo comer sozinho.

Assim que sentou, deu sua primeira mordida, esperando que fosse algo normal — mas levou um susto bom. A carne estava macia e bem cozida, enquanto os legumes mantinham uma crocância fresca, sugerindo preparo cuidadoso.

Não era gourmet, de jeito nenhum, mas era muito melhor do que as raciones insípidas militares. E, por ora, isso bastava.

No entanto, enquanto continuava sua refeição em silêncio, mais recrutas do primeiro ano começaram a chegar na cantina.

O barulho aumentava lentamente enquanto os estudantes pegavam comida, formavam grupos e se apresentavam, ansiosos para estabelecer alianças ou amizades logo de início.

Leo, instintivamente, desprezou essa postura.

'Ingênuos —' pensou, ao sentir que já tinha visto aquilo antes — pessoas formando vínculos por conveniência, não por lealdade.

A confiança era uma coisa frágil, e confiar sua retaguarda a outra pessoa era, sem dúvida, um dos erros mais idiotas que alguém poderia cometer.

A maioria dessas chamadas amizades não duraria. Assim que a sobrevivência se sobressaísse à companhia, elas se voltariam umas contra as outras, e Leo sabia bem disso.

O teste de entrada já tinha mostrado isso a ele, já que todo assassino aqui tinha sido forçado a trair e eliminar seu próprio parceiro para garantir uma vaga.

Isso por si só era a prova da verdadeira natureza das pessoas, que é egoísta, calculista e oportunista na essência.

Leo não tinha intenção de fazer alianças nem de participar de conversas sem sentido. Pelo menos não hoje, ou até encontrar alguém realmente digno de ser chamado de companheiro.

Porém, infelizmente para ele, à medida que a cantina se lotava, seu silêncio e isolamento foram abruptamente interrompidos.

Em poucos minutos, as cadeiras ao redor ficaram ocupadas, e antes que percebesse, estava cercado por outros estudantes.

Alguns calouros na sua mesa olharam em sua direção, um deles tentando iniciar uma conversa casual.

"Vai ficar aí sentado em silêncio? Por que não se apresenta também? Sou Meng Jun, da fila de magos."

Outro sorriu, mostrando dentes. "Todo mundo aqui é novo. Melhor a gente se conhecer... Não acha?"

Era um grupo de quatro ao redor dele, todos parecendo de diferentes setores, tentando puxar papo, mas Leo não caiu na armadilha.

Em vez disso, acenou educadamente — e disse: "Desculpa, não discuto enquanto como."

Foi uma rejeição educada, mas sutil, que não soaria rude demais, apenas passaria a mensagem de que ele não tinha interesse em conversas superficiais.

"Deve ser da Academia de Assassinos," comentou Meng Jun, recostando-se. "Não quer papo, hein?"

Leo apenas sorriu de relance, dando mais uma mordida na comida.

Ele não era antisocial, nem odiava conversar.

Mas, por enquanto, decidiu que era muito mais valioso observar do que participar.

'Vou acabar minha comida rápido e sair,' pensou Leo, acelerando o ritmo enquanto levava mais uma colherada à boca.

Mas, justamente nesse momento, um estrondo ensurdecedor rasgou a conversa crescente na cantina, seguido pelo impacto inconfundível de alguém sendo arremessado ao chão.

TUDO!

O salão toda foi tomada por um silêncio tenso.

De um lado para o outro, cabeças se voltaram para a origem da confusão.

Perto do centro, um episódio brutal se desenrolava: um jovem estava encolhido no chão, segurando a barriga de dor, seus respirações cortantes e ásperas.

Sobre ele, uma outra recruta, com olhos cheios de desprezo puro, o intimidava.

Su Yang.

Membro do prestigiado Clã Su e, a julgar pelos relatos, um dos recrutas mais fortes daquele ano. O ar ao seu redor parecia elétrico de arrogância, como se estar perto de meros plebeus fosse algo abaixo dele.

Su Yang era alto, bem definido, com cabelo negro como a noite, preso em um rabo de cavalo de guerreiro. Já vestia o uniforme da academia, o que só aumentava sua presença imponente.

Mesmo de longe, sua postura nobre era evidente — desde a maneira confiante com que carregava o corpo até o desprezo velado em cada palavra.

Era a expressão de alguém que nunca tinha levado um não na vida — e a arrogância na postura dizia tudo isso.

"Seu verme baixote e sujo," zombou Su Yang, pressionando sua bota no ombro do recrutado caído, como se fosse uma inseto.

"Você se atreve a se passar por alguém do Clã Mu alegando perda de memória?" Sua voz escorria desprezo. "Saia do seu lugar, lixo."

O estudante no chão deu um gemido quase entrecortado, tentando se mexer sob o peso esmagador do calcanhar de Su Yang.

Murmuros correram pelos recrutas ao redor, mas ninguém imediatamente se meteu.

Alguns viraram a cabeça, relutantes em se envolver. Outros apenas assistiam com olhos atentos, como se testassem até onde a academia suportaria aquela atitude.

Leo, por sua parte, continuava a comer — mas seus instintos estavam em alerta máximo assim que ouviu falar em perda de memória.

Porque aquilo tocou profundamente nele.

Na mesa ao lado, um estudante resmungou baixinho: "Filhos do Clã Su são todos iguais. Arrogantes, dominadores e violenceiros."

Outro recruta deu uma risadinha, balançando a cabeça. "As seis grandes famílias sempre agem como se mandassem em tudo. Acham que são intocáveis."

"Mas não são," interveio Meng Jun, com um sorriso de saber, brincando com ele. "Essa academia tem uma maneira de ensinar humildade até aos mais arrogantes. Não escapam dessa por muito tempo."

Leo permaneceu em silêncio, arquivando suas palavras na mente.

Seus olhos voltaram para Su Yang, que ainda não tinha levantado o pé do recruta caído, com uma expressão de quem pisa em algo nojento.

A atmosfera na cantina tinha ficado pesada, carregada com o peso do julgamento não dito.

Nenhum instrutor apareceu. Nenhum guardião entrou em cena.

Todo mundo observava, esperando — para ver se alguém iria agir, ou se aquilo era só a maneira da academia eliminar os mais fracos.

"Aquele ali realmente merece apanhar," disse uma voz próxima, enquanto os ouvidos de Leo se aguçaram com o comentário.

"Se ele realmente está fingindo ser herdeiro do Clã Mu, então está pedindo pelo que aconteceu. Todo mundo sabe como eles operam — mandam seus jovens para o mundo sem memória do passado, para garantirem que criem seu próprio caminho."

"Mas, ultimamente, mais e mais subordinados têm fingido perda de memória na esperança de conquistar simpatia e tratamento especial na faculdade."

Leo sentiu seu estômago apertar levemente ao ouvir aquilo.

Isso era ruim.

Se já circulavam boatos de que falsificadores estavam se passando por herdeiros do Clã Mu, ele estava em território perigoso.

Porque, se alguém começasse a desconfiar dele…

Então, ele poderia ser o próximo.

Comentários