
Capítulo 602
Assassino Atemporal
"Hm... tenho boas e más notícias, qual você quer ouvir primeiro?" Leo perguntou com cautela, enquanto Soron e Charles, ao mesmo tempo, levantaram uma sobrancelha com expectativa.
"Acho que é melhor começar com a boa notícia," Leo continuou após engolir em seco, forçando as palavras com uma ponta de apreensão, "pois talvez isso torne a má mais fácil de engolir."
Ele respirou lentamente antes de fazer a revelação.
"Eu... tenho em minha posse um pedaço de Metal de Origem roubado de Zhanrok."
As palavras soaram como um raio, enquanto tanto Soron quanto Charles se erguiam de suas cadeiras, o som da madeira rangendo violentamente contra o piso de pedra, e seus olhos se arregalavam de incredulidade.
"VOCÊ TEM O QUÊ?" Charles berrou, estendendo a mão para agarrar Leo pelo colarinho, levantando-o meio para fora da cadeira enquanto sua voz se quebrava de choque.
Leo desviou o olhar, recusando-se a enfrentá-lo, e repeliu com uma voz tensa: "Tenho um pedaço de Metal de Origem... não literalmente comigo, mas aqui no Culto, e posso pegá-lo sempre que quiser. Quero dizer... caso vocês queiram, Lorde Soron."
Charles o soltou com um empurrão, respirando com dificuldade de tanta incredulidade, enquanto Soron passava uma mão trêmula pelos cabelos ralos, seus lábios se curvando em um sorriso frágil, mas grato, como se estivesse agradecendo silenciosamente aos céus por esse momento.
*Explosão de luz*
Nos olhos de Soron, Leo se envolveu repentinamente num brilho de aura dourada, a luminosidade cintilando tão intensamente que parecia quase divina.
Naquele instante, Soron compreendeu com absoluta clareza que, seja aceitando o pedaço de Metal de Origem e enfrentando a dor de forjá-lo... Ou decidindo que seu corpo antigo já não suportava tal aventura, e assim abrindo mão dessa oportunidade, determinaria como passaria os últimos anos de sua vida.
"Peguei o metal do túmulo de Zhanrok quando ainda estava no Mundo Congelado no Tempo," Leo admitiu rapidamente, como se temesse que Charles o estrangulasse de novo. "Foi provavelmente a missão mais emocionante da minha vida, e a boa notícia é... havia dois pedaços, um dos quais ainda tenho."
Suas palavras vacilaram enquanto seus olhos piscavam nervosamente entre eles. "Mas a má notícia é... entreguei o outro a Dupravel, que por sua vez passou para o Deus Mauriss como parte de um acordo elaborado."
A confissão pesou mais que a boa notícia, e o silêncio encheu a sala como fumaça sufocante, até que a paciência de Charles quebrou novamente.
"VOCÊ DEPOSITOU UM PEDAÇO DE METAL DE ORIGEM NO MAUSÓ…" ele gritou, a voz áspera de raiva, agarrando Leo pelo colarinho mais uma vez, puxando-o para frente até que a mesa até tremeu sob seu peso.
"Como eu disse, não foi diretamente comigo," Leo protestou rapidamente, levantando as mãos em sinal de rendição, "eu entreguei a alguém, que entregou a outra pessoa, e na época não tinha noção do peso do que carregava!"
Soron levantou uma mão frágil e colocou suavemente no ombro de Charles, sua voz calma atravessando a tensão. "Tudo bem, Charles. O garoto claramente não compreendia o peso daquilo que carregava."
Charles bufou com raiva e soltou Leo de novo, os punhos cerrados enquanto se acomodava de volta na cadeira, o peito subindo e descendo pesadamente de frustração.
"Você é uma fonte de segredos, garoto," Charles murmurou com sarcasmo amargo, enquanto seu olhar afiado se recusava a sair do rosto de Leo, "e a cada dia aprendo algo novo sobre você."
Leo respondeu com seu sorriso mais inocente, enquanto os fios de intenção dourada ainda piscavam no ar, e contudo, a expressão inocente nos seus lábios enganava ninguém.
"Bom, independentemente... acho que isso é motivo para comemoração. Não importa se o inimigo possui o mesmo poder que nós, contanto que também tenhamos uma metade do metal.
Por essa perspectiva, você se saiu bem." Charles observou, com um tom raro de aprovação, e Leo soltou um suspiro de alívio.
"Sonhei o dia em que colocaria as mãos nas Lâminas de Origem do meu pai, porque com elas em minhas mãos finalmente poderia vingar-me da que me escapou por dois milênios…" Soron começou, com um tom suave, porém carregado de melancolia.
"Você não faz ideia de quanto tempo e esforço procurei até mesmo o menor vestígio de Metal de Origem.
Dois mil anos de esforço incessante, e tudo que consegui reunir foi apenas vinte gramas — uma quantidade tão miserável que nunca poderia esperar forjar sequer uma pequena lâmina. E ainda assim você, um mortal ainda subindo a escada do poder, conseguiu recuperar um pedaço completo..."
Ele deu uma risada vazia, balançando a cabeça lentamente.
"É quase risível como o destino move seus peões, embora eu ache que isso poderia ser chamado de competência, em vez disso.
Roubar o túmulo de Zhanrok e sair de lá com seu maior tesouro, certamente não foi uma tarefa fácil.
Mas se você conseguiu isso mesmo sendo mortal, então talvez Charles não esteja tão errado ao pensar de você.
Se for bem cuidado, talvez realmente vá longe… mais longe do que a maioria consegue imaginar."
Com isso, Soron levantou sua taça e bebeu o restante do chá, por um breve momento parecendo revigorado pela vitalidade renovada, seus olhos se aguçando ao fixar em Leo.
"Você está sofrendo de 'Sobrecarga Existencial', não é? E a única cor de intenção além do seu alcance… é o Dourado?"
Antes que Leo pudesse responder, o corpo de Soron disparou diante de seus olhos, envolto por uma aura dourada espessa que reluzia com o peso do próprio destino.
"Então, filho... já que você me proporcionou um serviço tão grandioso, vou te dar a oportunidade de conquistar uma recompensa como nenhuma outra. Minha única dúvida é... você tem coragem de aceitá-la?"
Enquanto isso, uma linha dourada de intenção se estendeu, conectando seu peito ao de Leo, e os olhos deste se arregalaram de fascínio.
Era a última cor que ele precisava perceber antes de dominar completamente o [Código da Revelação em Sete Plenos]. E agora ela estava bem na sua frente, ao alcance das mãos.
"Sim... sim, eu tenho coragem," respondeu, tão tomado pelo momento que nem se perguntou o que a oportunidade envolvia, enquanto Soron soltava uma respiração pesada e lenta.
"Espero que ele te conceda uma chance…" murmurou, com a voz baixa, quase como uma oração, antes de se erguer e guiar Leo mais fundo no castelo.
Ele abriu portas dentro de sua casa, que não eram abertas há dezenas de séculos.