Assassino Atemporal

Capítulo 353

Assassino Atemporal

(Mundo Congelado no Tempo, Perímetro do Castelo Bravo, Ponto de vista de Leo)

Quando Leo percebeu que poderia, possivelmente, realizar essa missão, virou um homem possuído, obsessivo ao ponto de pensar em cada detalhe do plano para garantir que fosse perfeito.

Nos dias seguintes, dedicou cada minuto acordado a ensaiar a invasão na cabeça — revisando-a uma e outra vez até conseguir visualizá-la até mesmo na menor contração muscular.

Planejou tudo, desde exatamente onde colocaria os pés até os pontos precisos onde acionaria [Stormflash Traverse] para reduzir frações de segundo no trajeto, sem deixar passar nada.

Medida cada distância com precisão cirúrgica, memorizando quanto tempo levava para cruzar cada trecho do pátio, contando cada passo desde a brecha até o altar e de volta, até que a sequência se tornasse uma espécie de mantra, ecoando até seus sonhos.

Controlou o tempo de tudo.

Exatamente 18 segundos para passar pela brecha externa, rastejar sob o arco e ativar o portal de teletransporte, assumindo que não tropeçasse ou congelasse.

Mais 12 segundos para correr pelo pátio, abraçar a coluna à esquerda e alcançar a entrada do salão do altar.

Ao entrar, estimou que precisaria de cerca de 10 segundos para pegar o Metal de Origem.

0,2 segundos para ativar [Storm Flash Traverse].

E mais 1,1 segundos para chegar ao portal de teletransporte e escapar.

A margem de erro era inexistente, pois ele não sabia se o sacerdote e o guarda o ignorariam ou tentariam pará-lo assim que ele tocasse o metal.

Embora levasse 70 segundos para a alma de Zharnok despertar, esses dois eram problemas totalmente diferentes.

Um só erro, e tudo poderia acabar com ele — por isso, precisava sincronizar tudo perfeitamente, deixando nada ao acaso.

Fez exatamente isso, treinando toda a rotina até que seus músculos poderiam agir sem pensar, mesmo quando o medo tomasse conta da mente.

Memorizou o terreno como se fosse um pergaminho sagrado.

Aos detalhes, como a brita solta perto da quarta coluna.

A azulejaria trincada perto da base do teleporte.

A laje de pedra ligeiramente elevada perto do limiar do salão central — suficiente para pegar o dedo do pé e estragar tudo.

Catalogou cada perigo, cada nuance, cada centímetro daquele pátio amaldito — para que, no momento decisivo, não houvesse hesitação, surpresas ou o acaso determinar o destino.

Até o dia 40 de 42, ele estava completamente preparado para executar o plano.

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(No dia seguinte)

No dia antes da invasão, Leo decidiu se alimentar como um rei.

Não porque estivesse celebrando.

Mas porque, lá no fundo… não tinha certeza se estaria vivo para desfrutar de comida novamente no dia seguinte.

Reuniu os melhores ingredientes de seu anel de armazenamento — pacotes selados de carne defumada, ervas semi-secas de seu estoque, um queijo preservado raro que guardava para emergências — e começou a preparar tudo numa fogueira pequena.

Chegou a tirar a única garrafa de vinho infundido com mana que trouxera para este mundo, aquele que aquece o peito e clareia a mente.

Pela primeira vez, desde que entrou no Mundo Congelado no Tempo, demorou-se a cozinhar, sem apenas reaquecer comida seca na chama pequena ou devorar barras de ração entre os treinos.

Monteou uma fogueira de verdade, feita com toras de madeira lenta, retirada do bosque de madeira de sonho, assando a carne lentamente até as bordas ficarem crocantes e a gordura chiar, acrescentando raízes fatiadas e ervas esmagadas para intensificar o sabor.

Depois, colocou a refeição em uma lata de aço, sentou-se de pernas cruzadas sob a raiz de sua árvore mais alta e comeu devagar — como se o sabor realmente importasse.

Cada mordida era deliberada. Cada mastigada, cuidadosa.

Como se seu corpo soubesse que aquele poderia ser seu último banquete e quisesse saborear o mundo uma última vez.

A comida o aquecia. Ajoelhava suas mãos.

Mas não silenciava a tempestade no peito dele.

Porque, embora Leo estivesse confiante no que preparara e soubesse que fizera tudo ao seu alcance para favorecer seu plano — ele também não era um tolo.

Entendia os riscos da missão.

Sabe que a margem de erro é tão pequena que parece não existir.

Sabe que, mesmo no melhor cenário, as chances estão contra ele em uma proporção de 70 para 30.

Para ser justo, essa não era uma proporção terrível, mas também não era suficiente, pois as chances de fracasso ainda eram bastante maiores do que as de sucesso.

De um lado, memorizou todos os vetores de fuga, treinou cada movimento até a perfeição e eliminou qualquer falha visível do plano.

Mas, do outro, ainda não sabia se o sacerdote sentiria o movimento assim que o altar fosse perturbado, ou se o guardião de armadura prateada despertaria assim que o portal de teletransporte começasse a vibrar.

Como se qualquer uma dessas coisas acontecesse até mesmo alguns milissegundos antes do esperado…

Não haveria segundas chances.

Seria apenas uma rápida viagem ao além.

*Sigh*

Leo soltou um suspiro lento pelo nariz e olhou para o céu cinzento acima, que parecia tão lavado, sem brilho e sem vida quanto o mundo ao seu redor.

'Estou fazendo tudo isso só para te ver de novo,' ele pensou, a lembrança da família firme em sua mente, dando-lhe coragem e lembrando-o de que fracassar não era uma opção.

* Atual*

Ele levantou a caneca de aço com o vinho de mana quente à altura dos lábios, com uma mão firme, e bebeu sem hesitar.

"Fiz tudo que pude," sussurrou na quietude, deixando as palavras se assentarem na calma como uma promessa silenciosa.

"Se eu morrer amanhã, ao menos não será por causa de uma causa inútil."

Não havia medo em sua voz.

Apenas determinação.

Quando finalmente se deitou de costas na terra fria, com a lâmina ao alcance, a capa sobre o peito como uma armadura e não como conforto, não fechou os olhos como alguém fugindo do que viria pela frente.

Mas como um homem pronto para encarar o que vier a seguir.

Porque sabia que, ao despertar novamente, era hora de roubar de um deus.

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