Assassino Atemporal

Capítulo 354

Assassino Atemporal

(p.O Mundo Congelado no Tempo, Logo Fora do Castelo Bravo, Ponto de Vista de Leo)

À noite, Leo observava o padre sair do salão do altar, com um incenso na mão, movendo-se com a mesma precisão assustadora demonstrada nas últimas quarenta e uma manhãs.

Mas hoje, a visão das vestes brancas do padre fazia seu estômago se contorcer de ansiedade.

Porque hoje, aquela figura silenciosa não apenas marcava o início de mais uma patrulha, mas sim o começo de sua missão.

'O padre saindo quer dizer que é amanhecer... isso significa que preciso começar a contar de quatro minutos e meio—' Leo pensou internamente, ao saltar do ponto onde estava e rapidamente seguir até o buraco na parede do castelo, aguardando até que seu temporizador de quatro minutos e meio se esgotasse.

O avião de resgate que os Serpentes enviavam dentro do Mundo Congelado chegava a cada ninety dias, exatamente cinco minutos após o amanhecer, permanecendo por um breve ciclo de dois minutos antes de deixar a dimensão novamente.

E Leo tinha como objetivo pegar o avião nesta manhã nos últimos dez segundos daquela janela, quando os sensores do avião ainda procuravam sobreviventes—e quando a alma de Zhanrok ainda estivesse a segundos de se despertar completamente.

Era um jogo de risco equilibrado na lâmina de uma faca.

Atentar para esse timing tão estreito significava maximizar suas chances de resgate… mas também implicava que qualquer atraso, hesitação ou erro pote fazer o plano inteiro perder sentido.

Se ele perdesse a ativação do portal de teletransporte por só três segundos…

Se tropeçasse numa pedra solta…

Se o Metal de Origem demorasse mais do que o previsto para ser levantado…

Então, aquilo não seria uma operação de resgate.

Seria um suicídio.

'Concentração.'

Leo respirou lentamente e silenciosamente, agachando-se atrás das pedras desgastadas da abertura, bloqueando os pensamentos negativos que consumiam sua mente.

Somente a contagem regressiva importava agora.

Faltavam quinze segundos.

Ele abriu os dedos, girou os ombros e reajustou sua respiração.

Dez segundos.

Foi até seu cinto de utilidades, passando a mão pela lâmina da adaga embainhada, que lhe dava um pouco de coragem.

Cinco.

Preparou-se para agir, pois no instante em que o relógio marcasse zero, seu corpo se movimentaria antes mesmo de seus pensamentos realizarem a mudança.

Exatamente, quatro minutos e trinta segundos após o padre sair, Leo entrou em Castelo Bravo, exatamente como planejara.


Leo avançou rápido, com seu manto seguindo silenciosamente atrás, deslizando pelo brecho na parede e atravessando o corredor externo, rastejando baixo e apertado, usando a escuridão das ruínas como cobertura, enquanto seus passos aterrissavam exatamente onde deviam—pedra por pedra, respiração por respiração.

Sem desvios. Sem dúvidas.

Seus pés se moviam com precisão mecânica, não impulsionados pelo instinto ou pânico, mas pela repetição gravada na musculatura.

Dezesseis passos além do arco quebrado.

Três pulos curtos até a parede interna.

E então—

*Cliq*

Ele aterrissou ao lado do antigo console projetado para operar o portal de teletransporte, começando a mexer nele, como treinado, com os dedos voando mais rápido que a própria mente.

Por um breve instante, nada aconteceu.

Então—

*Explosão*

O portal brilhou com intensidade, banhando o corredor com uma luz azul pálida, seus anéis pulsando com um poder despertado pela primeira vez em milhares de anos.

'Funcionou! Caramba, funcionou!' pensou Leo, enquanto olhava nervosamente para o portal, que estava prestes a teletransportá-lo exatamente para as coordenadas que inserira no momento em que atravessasse.

No entanto, embora estivesse um pouco feliz por ter funcionado e estar estável, ele se preocupava mais com a estrutura ativada atraindo a atenção do padre ou do guarda, pois por alguns segundos, ficou esperando para ver se havia alguma reação.

Ele já decidira que, se sentisse que sua vida estivesse em perigo após ativar o portal, sairia correndo imediatamente e escaparia daquele mundo sem concluir a missão.

No entanto, mesmo ao consertar o portal, não pareceu haver reação do padre ou do guarda de armadura prateada, já que, mesmo após passar dois segundos, eles não se mexeram ou tentaram atacá-lo.

'É agora... esta foi minha última chance de desistir se algo desse errado. Daqui pra frente, vou ou sobreviver ou morrer—' concluiu Leo, ao perceber que estava seguro, e logo se pôs a caminho do salão do altar, exatamente como planejado.

Ele se moveu com urgência controlada, rápido o suficiente para manter o cronograma, mas silencioso o bastante para passar despercebido, enquanto se afastava do portal de teletransporte vibrante e começava a percorrer o corredor interno.

Seus olhos percorriam o caminho à frente, até as marcas nas pedras que ele mesmo tinha gravado dias atrás, para marcar onde deveria colocar seus pontos de âncora de habilidades.

'Aqui', lembrou-se, ao emitir um comando mental silencioso, e posicionou seu primeiro ponto de [Stormflash Traverse] na arquitetura rachada perto da segunda curva, marcando-a com um único pulso de mana.

Um feito.

Mais três por vir.

'Respire devagar. Conte os passos.'

Sete passos até a coluna oca.

Outro ponto de âncora.

Cinco passos além do arco em ruínas, até o vaso quebrado embutido na parede.

Âncora.

Cada movimento foi ensaiado, gravado em seus nervos como escrituras musculares—não havia espaço para improvisar, nem margem para erros.

E ainda assim, apesar do ritmo, do fluxo, do sucesso de cada colocação perfeita… seu peito pesava mais a cada passo.

Porque quanto mais se aproximava do salão do altar, mais nervoso ficava, com a pressão de dentro da sala também aumentando.

A pressão era como um peso estático no ar.

Uma densidade que grudava na pele dele e tornava sua respiração mais difícil.

E então—

Chegou ao limite da entrada.

A porta do salão do altar à frente, envolta em um brilho sombrio e artificial, como se o recinto além obedecesse a leis diferentes do resto do mundo.

Ao chegar ali, o passo de Leo finalmente desacelerou até quase parar.

Colocou as costas na parede, o coração batendo forte—não de esforço, mas de expectativa.

Suor escorria pela testa enquanto olhava ao redor do canto… e viu.

O altar.

A urna.

O mural de Zhanrok, enorme e silencioso no topo de tudo.

E bem abaixo dele…

Estava lá.

O Metal de Origem.

Dois blocos brilhantes repousando sobre uma mesa de pedra, parecendo simples e desprotegidos.

'Dez segundos para roubar os blocos,' lembrou-se Leo, com os olhos fixos na mesa, como se ela pudesse desaparecer se ele piscasse.

Mas assim que atravessou o limiar—

Foi atingido.

*ESTALO*

Um peso caiu sobre seus ombros, invisível, mas sufocante, como se a atmosfera de repente tivesse ficado dez vezes mais densa.

Seus joelhos quase fraquejaram, e a visão virou.

O ar dentro do recinto simplesmente parecia… errado.

'Que porra—' Leo rangeu os dentes, forçando um passo à frente.

Depois outro.

A respiração ficou pesada, o coração disparou além de 200 batimentos por minuto, enquanto cada movimento parecia esforço para atravessar uma tempestade que odiava sua existência.

'Coloque o marcador,' ordenou a si mesmo, com a voz presa na cabeça, enquanto forçava a mente a conjurar a habilidade e colocar mais um ponto de [Stormflash Traverse] no chão—a meio caminho entre a entrada e o altar, que seria seu último e definitivo ponto de teletransporte.

Essa era pra ser a parte fácil do roubo.

Aquela que já havia sido planejada e ensaiada inúmeras vezes na cabeça, mas só de concluir essa etapa, Leo achava ridiculamente difícil, e não conseguia imaginar como seria a parte final, pois, naquele momento, apenas ficar de pé parecia desafiar a própria vontade de Deus.

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