
Capítulo 355
Assassino Atemporal
"Não olhe para o caixão... não olhe para o caixão..."
Leo continuava murmurando essas palavras na cabeça como uma mantra quebrada, enquanto forçava seus olhos para frente e avançava com passos deliberados em direção à mesa de pedra no canto mais distante da sala, recusando-se a reconhecer o sarcófago imponente que repousava entre ele e seu alvo.
Ele sabia que nada de bom surgiria ao virar o olhar para o caixão de Zharnok, ou para o mural pintado nele, e por isso se proibiu mentalmente de sequer olhar naquela direção.
*Passo*
*Passo*
Passo após passo, ele se aproximava da mesa, apesar da pressão psicológica crescente.
Porém, no momento em que suas botas cruzaram a linha invisível que colocava o caixão em seu campo periférico de visão, Leo sentiu sua visão ficar turva, a mente ficar vazia e suas pernas quase fraquejar, como se alguma pressão não dita tivesse entranhado seus dedos na cabeça e começado a apertá-la lentamente.
Suas pálpebras pesaram de forma anormal, e a luta para permanecer consciente se tornou ainda mais intensa, pois seus olhos simplesmente se recusavam a obedecer à sua vontade.
'Você não vai dormir ainda! Ainda não! Até você sair deste mundo com segurança—' Leo se lembrou, enquanto cerrava os dentes e seguia em frente apenas com força de vontade.
Ele cambaleou para frente, meio arrastado, meio impulsionado pela própria determinação, até conseguir chegar à mesa de pedra com poucos segundos de sobra.
'É agora, espero que não estejam mais pesados do que parecem—' rezou Leo ao estender a mão para pegar os dois blocos de metal de origem, quando um grito involuntariamente escapou de seus pulmões no momento em que tocou neles.
"AAAHHHH—!"
Quase caiu ao chão naquele instante, enquanto uma dor cegante explodia em suas palmas, queimando seus nervos como se o metal tivesse sido fundido no coração do sol.
Sentia-se mais quente que lava derretida, e mesmo parecendo um elemento comum, sua temperatura superficial era tão elevada quanto ferro ao vermelho vivo, embora não emitisse calor algum ao redor.
Um homem comum teria deixado os blocos cair no primeiro contato, mas Leo não soltou.
Forçando-se a suportar a dor, apertou forte os blocos de metal, enquanto objetos tão quentes que rasgavam sua carne ativando [Stormflash Traverse], ele desapareceu de relance da sala do altar em um borrão de relâmpagos azuis.
Porém, assim que escapou, assim que seu ponto de ancoragem anterior se acendeu sob seus pés e ele desapareceu em um flash de movimento, o mundo ao seu redor reagiu ao roubo—não com barulho ou luz, mas com gravidade, como uma força invisível que se colapsava para dentro, dobrando o tempo e o peso ao seu redor numa pressão lenta e inevitável.
Pois foi aí que o caixão começou a tremer.
E a pressão no ar, que já parecia uma névoa densa pressionando sua pele, de repente aumentou a níveis monstruosos, ficando tão pesada, tão sufocantemente espessa, que parecia um monte de pedra sendo esmagado contra suas costas, achatando seus pulmões e apodrecendo a força de seus ossos.
A alma de Zharnok estava começando a se movimentar em resposta ao roubo de seu tesouro, e a aura que exalava era tão intensa que Leo mal conseguiu suportar nem por um suspiro.
*TREME*
O salão do altar, antes escuro e imóvel, agora pulsava com algo antigo e malévolo, enquanto Leo sentia uma presença terrível rastejando por sua espinha e infiltrando-se em seus pensamentos, ameaçando sufocar sua respiração apenas com sua presença.
[Processamento Paralelo].
Ele ativou essa habilidade com os dentes cerrados, e de imediato, o caos desacelerou, sua visão se elongou, seu coração se fragmentou em partes menores e mais facilmente mensuráveis, e sua mente começou a dividir a enxurrada de informações em fios paralelos, cada um tentando mantê-lo vivo.
Seu segundo ponto de teletransporte apareceu assim que ele se rematerializou, ao lado do arco rachado que servia de entrada para o altar, onde seus instintos gritaram para que se movesse novamente—pois, na periferia de sua visão aguçada, ele viu um movimento perigoso reluzindo.
O sacerdote.
Ele não estava mais parado.
A máscara sem rosto agora brilhava com uma luz violeta fantasmagórica, seus olhos queimando através do tecido do mundo como fogo frio, enquanto olhava para Leo com uma raiva pura e descontrolada.
O incenso que segurava tinha sido substituído por uma espada divina, que brilhava com runas vermelhas como sangue, escorrendo intenção de morte.
E ele estava vindo atrás dele.
Não—não vindo atrás. Ganhando terreno.
Leo se teleportou novamente e olhou para trás, só para perceber, com horror crescente, que o sacerdote, mesmo apenas correndo enquanto ele se teleportava, já tinha reduzido pela metade a distância entre eles.
'Não. Não. Isso não é possível. Ele não pode ser tão rápido—'
Percebendo isso, o horror tomou conta de cada célula de seu corpo à medida que ativava [Stormflash Traverse] mais uma vez, jogando uma quantidade inimaginável de mana no próximo ponto de checagem de forma louca, enquanto se teleportava adiante num borrão de luz, agora chegando a meio caminho pelo corredor aberto.
'Conseguirei chegar lá?' pensou, sentindo o fantasma aproximando-se dele, mas com pouco espaço restante para chegar ao segurança.
Suas mãos já tremiam.
A respiração descontrolava-se. Seu peito subia e descia em rajadas curtas e desesperadas, e seus pensamentos—embora divididos e claros—se repetiam, girando em uma roda de ansiedade.
'Vai ser por pouco.'
Ele se impulsionou novamente, cambaleando um pouco antes de se estabilizar no meio do passo, com os olhos fixos na direção à sua frente—pois poucos metros à frente, talvez vinte, estava o portal de teletransporte que ativara anteriormente.
Ele pulsava com uma luz azul pálida, tremulando com energia quase contida, dando-lhe esperança de escapar daquele castelo amaldiçoado de uma vez por todas.
Era preciso um último salto. Uma última inspiração para alcançá-lo.
Mas então—ele viu.
À direita.
De pé a menos de 40 metros de distância, como uma estátua feita de guerra e metal, estava o Guarda Aço Prateado.
Já tinha a lâmina quase totalmente drawnada, sua postura encolhida e perfeita, como uma máquina de matar despertada para exterminar um rato travesso.
Seu intento era tão afiado que cortava o ar ao redor sem se mover, e só de olhar para ele, Leo não conseguiu evitar pensar—
'Acabou.'
Foi o pensamento que veio sem aviso, sem convite, antes que ele se esforçasse para expulsá-lo.
'Não. Ainda não. Não pense assim. Movimente-se.'
Disse a si mesmo, mas suas pernas não responderam com a rapidez de antes. Seu corpo estava atrasado por frações de segundo—frações que importavam.
Pois a pressão que sentia empurrando de todas as direções não era mais algo que pudesse ignorar.
Atrás dele—o sacerdote com a espada divina se aproximava numa velocidade impossível.
À direita—o guarda, preparado para atacar, no limiar de lançar seu golpe.
E por trás de tudo, como uma cortina de malevolência sufocante, a alma de Zharnok se ergueu, e com ela, a pressão no corredor aumentou até fazer as paredes e o chão abaixo de seus pés começarem a tremer.
Ele estava ficando sem tempo.
Ficando sem espaço.
E embora o portal estivesse logo ali—tão próximo que quase podia sentir a energia dimensional puxando sua pele—os segundos restantes antes do impacto, da interceptação, da aniquilação—
pareciam tanto longos quanto curtos demais.