Assassino Atemporal

Capítulo 356

Assassino Atemporal

(O Mundo Congelado no Tempo, Corredor fora da Sala do Altar, Ponto de Vista de Leo)

'Só mais vinte metros—'

Leo rangeu os dentes enquanto ativava [Stormflash Traverse] mais uma vez, lançando-se adiante com toda a força que ainda tinha.

Seus músculos protestaram, cada fibra se rasgando na tensão, enquanto seus pulmões lutavam para absorver até mesmo um pouquinho de ar, como se a própria atmosfera tivesse se tornado viscosa, como piche.

Toda a sua corrente nervosa queimava—não só pela dor física, mas pelo peso invisível que pressionava seu corpo, pela presença sufocante da morte que espreitava atrás dele, cada vez mais próxima a cada batida de coração, a cada relance de hesitação que ele não podia permitir.

Ele não ousava olhar para trás.

Não podia vacilar.

Nem sequer respirar.

Porque ele sabia—

Que hesitar significava morte, e cada microsegundo importava agora.

Ele sentia nos ossos… a lâmina maldita do padre já estava em movimento, zumbindo com ira divina enquanto avançava com precisão, tentando cravar-lhe o coração pelas costas.

Enquanto à sua direita, o Guarda de Armadura Prateada já tinha lançado o corte de espada mais poderoso.

O mesmo que haviam pulverizado aquele espectro de nível transcendental num piscar de olhos.

O que parecia ser uma habilidade de domínio, e não apenas um ataque comum.

Sentindo esses ataques se aproximando simultaneamente dele.

*Reaparecer*

Quando ele reapareceu na última etapa de teletransporte, o portal estava bem ali na sua frente.

Nem a um metro de distância, na hora em que deu o último passo e mergulhou de cabeça em direção a ele, pulando com toda a força que lhe restava.

0,9 metros

0,7

0,5

Seu coração batia tão forte que parecia ecoar até nos ossos.

Nesse instante, ele conseguiu sentir.

Senti a pressão da lâmina prestes a atingir, a ponta da espada quase tocando o tecido de suas roupas.

Num instante em que a morte parecia inevitável.

Até que, nesse exato momento, tudo ficou turvo.

Quando a distância entre ele e o portal de teletransporte foi reduzida a 0,2 metros… o portal começou a puxar seu corpo.

A realidade torceu-se.

O mundo se despedaçou.

E Leo não estava mais lá.

Um flash de azul o envolveu, o portal engolindo sua figura num piscar de olhos tão preciso, tão incrivelmente exato, que se ele tivesse demorado só 0,01 segundos a mais, a espada teria partido seu crânio e a lâmina do padre teria perfurado seu coração na mesma fração de segundo.

Mas ele cronometrara.

Na verdade, cronometrara.

Perfeitamente.

E enquanto seu corpo se dissolvia nas correntes de energia dimensional, lançado entre espaços com o metal de origem ainda firmemente agarrado às mãos ensanguentadas— Leo finalmente conseguiu escapar do Castelo Bravo.

Por pouco.

Mas ainda vivo.

—---------

Por um instante, houve silêncio.

Não o silêncio pacífico, mas o silêncio da ausência, enquanto o som do solo e das paredes trêmulas do castelo era substituído pelo ritmo constante de seu coração pulsando nos ouvidos.

*SHUA*

Seu corpo flutuou pelo portal de teletransporte como uma pena levada pelo vento, enquanto a pressão esmagadora que sentira há pouco desaparecia repentinamente, substituída por uma sensação de vitória e alívio.

Pela primeira vez em muito tempo, não havia ameaça, não havia espada, nem pressão ao redor, e ele pôde respirar com calma novamente.

Infelizmente, esse alívio durou apenas um sopro.

Porque a segunda respiração veio acompanhada de uma reviravolta no estômago, lembrando-lhe que—

'Ainda não acabou.'

Seu estômago se invertiu num pavor súbito, mesmo enquanto os últimos fragmentos do estado estático dimensional se desgrudavam de seu corpo. Porque, embora tivesse escapado do Castelo Bravo, ainda não estava livre—nem de longe.

Ele iria reaparecer a menos de meia milha do ponto de resgate.

E tinha exatamente quarenta segundos para chegar ao avião e embarcar agora.

—--------

(As Terras Devastadas Abaixo do Portal de Saída, ao leste da Zona de Resgate)

*Piscar*

As botas de Leo tocaram a terra rachada e árida enquanto ele saía do portal como uma bala, o impulso levando-o adiante enquanto se ajoelhava em uma explosão de terra que se espalhou sob ele.

Mas, antes mesmo que a poeira pudesse assentar—ele ouviu.

*Wheeeeeeeeooooo—*

O rugido dos motores de jato, distante, mas presente. E enquanto sentia uma mistura de alívio e ansiedade ao escutá-lo.

'Ainda aqui—graças a Deus—' pensou Leo, seus olhos varrendo o som, justo a tempo de vislumbrar o enorme jato cinza-escuro, estacionado cerca de cincocentos metros acima, com a rampa ainda abaixada, enquanto sobreviventes corriam em grupos despedaçados em direção a ele.

"ESPERE—!"

"ESPERA POR MIM!!"

Ele gritou, a voz rouca e rasgada, enquanto se lançava pelo chão rachado, o vento uivando ao redor enquanto acelerava ao máximo possível.

*ZHOOP*

As pernas dele se moveram com uma esperança que desafiava a física, mana explodindo de cada circuito do corpo enquanto a adrenalina o inundava, anulando o cansaço mental.

Sua pele queimava. Seus ossos gemiam. Suas palmas, ainda ardendo pelo impacto do metal de origem que lhe queimara, mas Leo não parou.

Seguiu em frente, deslizando as pedras de metal de origem para seu bolso espacial, fechando os punhos para acelerar ainda mais.

*Shrrooooooo—*

Os motores rugiram mais forte agora, elevando o som enquanto a nave começava a decolar, o vento quase derrubando o último sobrevivente enquanto a rampa se inclinava para cima.

Mas Leo não diminuiu o ritmo.

Correu com tudo que tinha.

Dez metros—

Cinco—

Ele mergulhou.

*THUD!*

Seu corpo colidiu com o piso da nave pouco antes da rampa se fechar, escorregando um pouco na superfície de metal enquanto a jato começava a levantar voo.

"Que diabos?"

Sua chegada assustou os passageiros que já estavam sentados, alguns ofegando de choque com o impacto repentino, enquanto sua figura ensanguentada deslizou em vista, como um míssil.

Mas Leo não tinha tempo para olhares.

"VAI!"

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