
Capítulo 357
Assassino Atemporal
(Dentro daJet, Ascendendo do Mundo Congelado no Tempo, Ponto de Vista de Leo)
Assim que entrou na jet, Leo não se sentou.
Ele não podia.
Em vez disso, simplesmente ficou em pé na janela da aeronave, os dedos agarrados nas costas do assento à sua frente, os nós dos dedos brancos, os ombros encolhidos para frente enquanto pressionava a testa contra o vidro frio, observando—esperando—à medida que a paisagem abaixo começava a ficar borrada na rápida ascensão.
47... 48... 49...
Os números ecoavam em sua cabeça como tambores de guerra, não altos, mas insistentes, cada tic um martelo nos nervos que atravessavam sua espinha.
A jet agora rugia mais forte, os motores urgindo, inclinando a aeronave bruscamente enquanto subia em direção ao portal de saída... em direção à liberdade...
E ainda assim, Leo não se sentia livre. Ainda não.
56... 57... 58...
A força G empurrava os demais passageiros de volta aos assentos, alguns gemendo devido à pressão, outros agarrando os cintos com mãos pálidas e trêmulas, mas Leo não.
Leo permaneceu de pé, as pernas firmes, as mãos tremendo de cansaço enquanto se agarrava com tudo que tinha, a tensão nos antebraços uma simples lembrança diante do peso que pressionava sua mente.
'Vai… vai… só mais um pouco—'
Ele sussurrou como uma oração, como um mantra, enquanto seus olhos cinzentos se recusavam a piscar, a tirar o olhar da janela. Como se desviar o olhar pudesse mudar as probabilidades de sua sobrevivência.
65... 66... 67...
Foi nesse momento que finalmente viu.
Uma sombra se espalhando muito mais rápido do que qualquer coisa natural, devorando o mundo abaixo como tinta derramada, enquanto o céu já enfraquecido ficava completamente preto, mais escuro que a noite, mais escuro que a própria morte—como se o Deus que haviam roubado estivesse finalmente aberto os olhos.
*Lub… dub*
*Lub… dub*
*Lub… dub*
O som do seu coração ficava mais alto em seus ouvidos, mais alto que os motores, mais alto que a razão, mais alto que o medo—até que tudo o que ele pudesse ouvir fosse aquele ritmo horrível, sufocante, pulsando através de suas veias.
E a escuridão continuava a subir.
Mais perto. Mais perto.
A garganta dele estava seca. Seus pulmões não queriam se mover.
Ele não conseguia sequer gritar.
Ele só podia assistir, com os olhos arregalados, lábios entreabertos, enquanto a borda daquele abismo se aproximava rapidamente deles.
"Ei, alguém mais tá vendo isso? Por que uma sombra escura está engolindo o mundo inteiro lá embaixo?" perguntou um dos outros passageiros, preocupado, enquanto sua dúvida atraía olhares todos para a janela, apenas para serem abruptamente impedidos quando a jet se aproximou do limiar do portal de saída.
*Mudança de posição*
Quando a jet atingiu o limite do portal de saída, as bordas do mundo lá embaixo começaram a ondular, a névoa cinza sob eles se desintegrou como pele descartada, substituída não por luz, mas pelo preto familiar e infinito do espaço.
O limite de teletransporte.
Eles o cruzaram.
A jet deu uma última sacudida ao se libertar do domínio daquele reino, lançando-os na atmosfera interdimensional, fora de alcance—pelo menos por um pouco.
'Consegui… realmente consegui—' pensou Leo, embora não tivesse desabado em uma poça, seus dedos escorregaram ligeiramente do assento, seus músculos já incapazes de segurar.
Ele exalou. Uma. Duas vezes.
Finalmente, escorou-se na cadeira atrás de si.
Ele não precisava mais contar, mas continuou fazendo isso.
69,4 segundos.
Mais ou menos.
Foi quanto levou desde o momento em que seus dedos tocaram os blocos amaldiçoados do Metal de Origem até o instante em que romperam o vínculo com aquele mundo.
Pouco mais de um minuto.
Mas pareceu uma eternidade.
Como os setenta segundos mais longos e estressantes de toda a porra da sua vida.
E, de alguma forma… ele havia sobrevivido.
De alguma maneira, 'TheBoss' havia vencido mais uma vez.
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Leo olhava fixamente pela janela, o abismo lá fora agora calmo, frio, morto, completamente indiferente à tempestade que ele quase não conseguiu escapar.
E então…
Ele riu.
No começo, foi um som silencioso, um suspiro sem fôlego de descrença, como um homem morrendo tosse água do mar ao chegar à praia.
Mas então, cresceu.
"Hahaha… ha… ha—HAHAHAHA!"
O som escapou dos seus lábios como uma rachadura na sua sanidade que explodiu, como se a pressão de sobreviver a algo que ninguém deveria sair vivo tivesse finalmente soltado alguma coisa dentro dele.
Ele inclinou a cabeça para trás, a risada saindo dele como sangue de uma artéria cortada, enquanto o corpo tremia a cada respiração arfante, a dor esquecida na onda de histeria absurda e exaltada que o invadira.
Alguns passageiros se viraram.
Depois, mais alguns.
Sobrancelhas franzidas, olhos atentos. Um homem chegou a tentar desamarrar o cinto, só por precaução.
"O que há de errado com ele…?"
"Seria infectado pelo Taliamento?"
"Eu… acho que o mundo lá embaixo bagunçou o cérebro dele…"
Mas Leo não se importava.
Nem os ouviu.
Ele só continuou rindo como um louco, uma mão batendo repetidamente na testa, rindo com os dentes trincados ao perceber a dimensão do que acabara de fazer.
"Ah—Droga… que droga—Ah…" ele resmungou, enquanto a adrenalina começava a diminuir, o mundo aos poucos voltando a ficar nítido ao redor dele, enquanto a sensação retornava—primeiro à coluna, depois aos braços, e por último às mãos.
Foi então que os viu.
As próprias palmas das mãos.
Queimadas.
Sangrando.
Marcadas.
Dois símbolos antigos gravados em sua carne como ferro derretido, suas bordas cruas e negras, o vapor ainda saindo devagar de onde o sangue se misturava à queimadura arcana.
E Leo reconheceu imediatamente o texto.
'LADRÃO.'
Ele não precisou de tradutor para saber do que se tratava. Conhecia a língua dos antigos e sabia o que aquilo significava.
"…Então o calor não foi só do metal…" Leo murmurou, com a voz baixa agora, os lábios contorcidos em um sorriso que misturava admiração e medo.
Era uma maldição. Uma marca. Um feitiço de marca deixado pelo próprio Zhanrok—para que, não importa quem roubasse o Metal de Origem, nunca pudessem esconder.
'Porra… se eu ainda estivesse naquele mundo… essa marca teria garantido que não sobrasse nenhum lugar pra fugir—nenhum esconderijo escuro o suficiente, nenhuma caverna profunda, nenhum feitiço forte o bastante para me disfarçar.'
Era uma sentença de morte.
Adiada apenas pela distância.
Ele fez uma careta, respirando fundo pelo dentes enquanto limpava o sangue de suas palmas com a borda do casaco, observando as símbolos brilharem lentamente, como se ainda estivessem vivos—ainda o observando.
Mas ele não hesitou.
Ele atingiu seu anel de armazenamento com natural destreza, puxou uma poção de cura, desarapou-a com os dentes e a bebeu de uma só vez, o sabor suave o reanimando.
*Gorgolejo*
*Engolida*
A aura azul de alegria e alívio pulsava dentro dele neste momento, pois sentia-se mais feliz e realizado do que fazia tempo, exatamente naquele instante.
'Consegui! Sou o filho da puta do cara!' disse a si mesmo, relaxando as costas e controlando a respiração.
Depois, naquele instante suspenso, em que ninguém tentava matá-lo, onde ele não sangrava de uma dúzia de feridas, e onde não calculava as chances de sobreviver a cada segundo—
Leo sorriu.
Sinceramente sorriu.
Porque, contra todas as probabilidades… ele tinha conseguido.
Ele havia roubado de um Deus.
Ele tinha invadido uma fortaleza congelada no tempo.
Ele tinha sobrevivido.
E isso significava uma coisa só—
Estar um passo mais perto.
Um passo mais perto de reunificar com sua família.
Um passo mais perto de reconstruir sua antiga vida.
'Ha… hahaha…' ele riu internamente, pois desta vez a risada não vinha de loucura, mas de esperança.
Esperança de um futuro melhor.
Esperança que fazia a aura azul ao seu redor brilhar mais que o sol.