
Capítulo 352
Assassino Atemporal
(Mundo Parado no Tempo, Perímetro de Castelo Bravo, ponto de vista de Leo)
Depois que o reparo foi concluído, a parte mais difícil realmente começou: planejar como realizar a invasão propriamente dita.
Até então, embora Leo tivesse explorado meticulosamente o pátio externo—mapeando cada arco desabado, cada centímetro de pedra entre seu ponto de entrada e o portão de teletransporte—ele ainda não tinha conseguido lançar um olhar dentro da estrutura central, onde suspeitava que estivesse guardado o tesouro.
Leo sabia que, se quisesse ter alguma esperança de completar a missão sem morrer de uma morte horrível e sem sentido, precisava descobrir uma forma de invadir aquela estrutura e fazer uma inspeção de seu interior.
Porém, toda vez que olhava para ela de seu esconderijo na árvore, seus instintos gritavam para ele desviar o olhar.
Ele não queria entrar.
Não podia entrar.
Enquanto aquela coisa—aquele sacerdote vestido de ropão com a máscara sem rosto e passos silenciosos—residisse ali dentro como um sentinela escavado de um pesadelo esquecido.
Ele se lembrou do que tinha visto. Como até o ar parecia mudar quando o sacerdote passava. Como até bestas mais poderosas que ele fugiam ao seu approach, com os rabos entre as pernas, as garras tremendo. E como só estar fora do pátio quando ele passava fazia seu corpo parecer estar sendo lentamente esmagado por um peso invisível.
Então, a ideia de entrar voluntariamente na mesma estrutura que aquela criatura chamava de casa?
Era suicida.
Um lance de sorte que nenhum assassino sensato abriria mão de tentar.
E ainda assim… enquanto observava dia após dia, anotando detalhes, memorizando padrões, desenhando mapas e lutando contra a sensação de medo que se apertava cada vez mais forte ao redor do peito a cada amanhecer… algo mudou.
Aconteceu na manhã do vigésimo terceiro dia.
Ele estava na árvore de novo, comendo rações frias com os dedos entorpecidos, quando o sacerdote saiu do prédio para seu ritual habitual de queimar incenso, caminhando naquele mesmo círculo perturbador ao redor do pátio interno.
Mas o que chamou a atenção de Leo não foi o sacerdote—foi o que ele ignorou.
Dois lobos de grau Grandmaster estavam perambulando no pátio, muito próximos do edifício, um deles até arranhando uma pilastra quebrada.
Eles gelaram de nervoso ao verem o sacerdote saindo, a pressão era tão sufocante que não conseguiam se mover, e gemiam e choramingavam, mas… o sacerdote não virou o rosto.
Não piscou.
Não reagiu.
Continuou caminhando—lento, metódico, como se as criaturas nem existissem, dando a Leo esperança de que talvez ele também ignorasse seres do nível Grandmaster.
Leo se endireitou, o coração pulando uma batida.
"Ele não os considera uma ameaça," sussurrou, estreitando os olhos. "Talvez aquele sacerdote não seja um fantasma do tipo guerreiro."
Prendeu a respiração.
Uma ideia começou a subir da parte de trás do cérebro dele, como um bile na garganta.
Quinze minutos.
Essa era a janela.
Quinze minutos desde o momento em que o sacerdote saísse do edifício para seu ritual, até o instante em que ele voltasse. Quinze minutos em que o santuário ficava aberto. Sem guarda. Silencioso.
Só uma vez.
Só uma oportunidade.
Entrar e sair.
Sem tocar em nada. Sem respirar alto demais. Sem Grandes Riscos. Sem movimentos bruscos.
Só um olhar. Uma inspeção. Uma chance de ver o que realmente se escondia atrás daquelas portas imponentes, para poder montar um plano de verdade—não um feito de achismos e desespero.
Suas mãos tremiam. Sua respiração estava superficial.
Mas ele tomou a decisão mesmo assim.
Pois, se não fizesse isso, melhor era desistir agora, pois tentar a missão às cegas, sem plano adequado, certamente levaria à morte.
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E assim, na manhã seguinte, exatamente no instante em que o sacerdote desapareceu pelo portão principal, Leo pulou da árvore, piscou no pátio num estalar de
E o que encontrou lá dentro…
Fez com que esquecesse até como se mover.
Primeiro, foi o ar.
Não com calor.
Nem com frio.
Mas com algo antigo.
Pressionava como uma cortina de chumbo líquido, infiltrando-se nos pulmões e nos ossos, envolvendo seu coração como uma corda invisível.
O cheiro era pesado—como pergaminho queimado e flores em decomposição—e o silêncio era ensurdecedor, daquele tipo que faz o próprio coração parecer um tambor de guerra.
Ele cambaleou para frente, com os olhos arregalados.
E então, viu.
Uma igreja. Ou algo mais antigo.
Redonda. Vazia. Cercada por pilares desbotados, talhados em uma linguagem que ele não conhecia.
As paredes estavam cobertas por murais escuros de morte e renascimento, de mundos desmoronando e chamas engolindo cidades, tudo centralizado em uma enorme pintura rachada que preenchia toda a parede do fundo.
Zhanrok.
O deus lagarto de duas patas.
Seu corpo revestido de armadura de pedra.
Suas mãos estendidas sobre uma pilha de crânios.
Sua coroa partida, olhos brilhando com podridão divina.
Logo abaixo da pintura, repousava uma mesa de pedra simples e sem adornos, e sobre ela… o Metal da Origem. Dois pequenos pedaços.
Não trancados. Não selados.
Simplesmente postos ali—casuais, desafiadores, emitindo um tico-tico suave com aquele mesmo pulso que fazia as pontas dos dedos de Leo tremerem e sua visão ficar turva por um instante.
Não parecia nada de mais, apenas dois pedaços de barra de ferro, se alguém não tivesse sido ensinado a identificá-los especificamente.
E se Leo nunca tivesse visto a imagem, também não saberia reconhecê-lo.
Na frente da mesa com o metal da origem, repousando como peça central entre o tesouro e a pintura, estava o antigo caixão.
Longo. Brilhante. Entalhado com ouro e glifos escurecidos que brilham com energia residual, e só de olhar na direção dele Leo já se sentia impotente e tonto, quase desmaiando com um olhar que nem durou dois segundos completos.
‘Não olhe… não chegue perto…’ Seus instintos gritavam enquanto ele se afastava o máximo possível.
Não tocou em nada na sala, nem cruzou o chão, apenas ficou na soleira, memorizando o layout, a posição da mesa, o número de passos até a saída, as sombras em cada canto… tentando acalmar o coração que batia forte demais no peito.
Então—quando o quinto minuto dos quinze minutos quase se esgotou—ele se virou, escapou de lá, e desapareceu com outro movimento silencioso de teletransporte.
Foi só ao se ajoelhar sob as raízes de sua árvore de observação, suado, com os dedos cavando a terra, que ele finalmente se permitiu respirar novamente, sentindo o coração sair pela boca.
“Foi a coisa mais perigosa que já fiz….” Leo murmurou, colocando a mão sobre o peito acelerado, tentando acalmar-se, respirando de forma trêmula enquanto seu cérebro tentava se recuperar da névoa de tontura provocada ao olhar o caixão.
‘O túmulo de um deus antigo…’ Leo pensou, sentindo a adrenalina correr forte pelas veias, enquanto seu mecanismo de luta ou fuga se ativava ao máximo.
“Eu consigo fazer isso…” ele finalmente sussurrou, admitindo algo que tinha medo demais de dizer em voz alta até então.
Sua voz estava rouca.
Baixa.
Quase quebrada.
“Agora eu sei o que vou roubar.” Ele falou mais confiante, pela primeira vez desde que entrou no Mundo Parado no Tempo…
Começou a acreditar que suas chances de sucesso eram reais.