Assassino Atemporal

Capítulo 351

Assassino Atemporal

Nos vinte dias seguintes, Leo entrou e saiu do Castelo Bravo continuamente.

Todas as manhãs, logo após o padre desaparecer na torre principal, ele se infiltrava pelo mesmo buraco na parede e avançava pelo pátio em direção ao portal de teletransporte.

Uma vez dentro das muralhas do castelo, ele não respirava nem ao menos com força, como se o som do ar entrando nos pulmões pudesse atrair a morte até ele.

No entanto, por mais vezes que retornasse ao castelo, a pressão que sentia por dentro nunca diminuía. Todos os dias, ele sentia a mesma mana antiga, corrupta, se enrolando contra sua pele como cordas molhadas… fazendo seu corpo suor escorrer como nunca, e suas pernas ficarem quase sem força.

Apesar dessa pressão, ele conseguia rastejar pelo pátio todos os dias, passando por arcos desabados até alcançar aquele círculo de pedras e glifos desgastados que era sua nova estação de trabalho.

A cada sessão, Leo dava exatamente uma hora para fazer o que tinha que fazer.

Sessenta minutos, nada além disso.

Escondido atrás de uma coluna quebrada, desembalava suas ferramentas com cuidado e começava a trabalhar.

No primeiro dia, passou toda a hora limpando musgo.

Não com magia, pois não ousava perturbar a mana ao redor, mas com uma faca e um pano macio, removendo cada centímetro do crescimento verde-pálido que pulsava com energia podre.

Era um musgo que absorvia mana, aquele que poderia interferir em circuitos se deixado passar, e, portanto, precisava ser removido sem dúvida.

Porém, o processo de remoção tinha seus problemas: os pedaços arrancados grudavam nas mãos dele como parasitas, e mesmo depois de serem raspados, a coceira persistia, além de que uma parte considerável da mana dentro de seu corpo era drenada.

Nos dias dois e três, ele se dedicou a limpar os runas.

Sem ferramentas adequadas, Leo improvisou uma escova prendendo galhos flexíveis a raízes retalhadas, com cerdas ásperas, mas precisas.

Ele as molhava em poções de mana de alta qualidade e, então, traçava cuidadosamente as linhas antigas e corroídas — cada traço lento, deliberado e respeitoso.

Quando os contornos eram reativados, pressionava uma pedra de mana contra cada glifo, fazendo com que a energia adormecida se mexesse e retomasse seu fluxo.

Muitos glifos estavam fundidos ou rachados por causa da corrosão, então ele os anotava minuciosamente no caderno antes de começar os reparos.

Cada curva, cada detalhe de um rune era importante; um traço mal colocado poderia fazer a porta sobrecarregar ao receber energia novamente, então ele cuidava para fazer tudo com extremo cuidado.

No entanto, o mais assustador não era o trabalho em si… mas sim a incerteza.

Ele não tinha ideia se o sussurro que vinha de trás era só paranoia, ou a morte.

Não sabia se aquela mudança de energia dentro do alojamento era o guardas de armadura que acordava, ou apenas um pico aleatório.

Não sabia se o brilho de mana no ar significava uma detecção, ou se era apenas um fenômeno ambiental.

E ainda assim… ele continuava.

Levantava pedras de mana que carregava do mundo exterior para substituir os núcleos de energia, pois, embora não tivesse os cristais tradicionais usados para alimentar a estrutura, os cristais de mana de alta qualidade teoricamente continham mais energia do que os cristais rudemente extraídos do mundo antigo, podendo servir como uma substituição viável.

Para testar sua teoria, reconectou os circuitos do painel de energia à placa de comando e, felizmente, viu a mana fluir novamente pelos circuitos, enquanto tudo, desde o núcleo de energia até a estação de comando, começava a funcionar sem problemas.


O próximo passo era reparar a estação de comando e inserir o código geológico correto, que a conectava ao centro de teletransporte desejado, um trabalho um pouco complicado, considerando que seu conhecimento sobre a língua deste mundo tinha sido autodidata e não era fluente.

No entanto, ao décimo segundo dia, conseguiu regravar com sucesso dois dos anéis principais de coordenadas, cruzando referências com os livros geológicos que trouxera do conclave, para garantir que tinha calibrado o dispositivo corretamente.

Durante o reparo na central de comando, descobriu que a maior parte do mecanismo externo do portal ainda estava lá, embora bastante desbalanceada.

Esse desequilíbrio precisava ser corrigido lentamente, segmento por segmento, ou a sequência de reativação seria turbulenta e a estrutura poderia desmoronar.

Assim, a partir do dia catorze, começou a reforçar a estrutura externa o melhor possível.

Ele não era pedreiro, mas colocou pedras próximas às partes lascadas do portal e as amarrava com cordas, esperando que isso fosse suficiente para dar a resistência estrutural que ele precisava.

Não era o método ideal, com certeza, mas era o que tinha, e trabalhou de forma metódica, tentando reduzir ao máximo os desníveis.

Porém, seu constante estado de paranoia de que a qualquer momento poderia ser descoberto ou morto fazia com que, ao ouvir qualquer sussurro ou rangido ao redor, ativasse imediatamente o [Stormflash Traverse], saindo às pressas, deixando seu trabalho para trás e voltando para sua posição segura.

Muitas vezes isso atrasava seu progresso e diminuía sua velocidade, mas, apesar da lentidão, ao final de dezessete dias, ele conseguiu reconstruir a maior parte da estrutura, exceto a última etapa: acessar o terceiro e último anel de coordenadas.

Cada vez que voltava, o medo que sentia no fundo dos ossos era o mesmo.

Ele nunca se acostumou.

Nunca se sentiu totalmente seguro.

Cada pedra que tocava parecia que poderia explodir. Cada glifo que ativava parecia alguém cantando para o padre, e cada passo dentro daquele pátio fazia-o sentir como um condenado caminhando para a forca, esperando que a corda se apertasse.

Mas o portal…

O portal lentamente ganhou vida.

Pedaço por pedaço de agonia, Leo conseguiu trazê-lo de volta à vida.

E quando, no vigésimo primeiro dia, finalmente reparou o último anel de coordenadas, soube que era hora de começar a planejar o grande roubo, pois o mecanismo de fuga finalmente estava pronto para ser usado.

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